ancientcross:
Aiden se manteve em silêncio, quase imóvel, enquanto ouvia o timbre ligeiramente mais rouco que o comum de Edward. Não o fitava, mas sim o móvel diretamente a frente de sua cama onde alguns poucos porta retratos com imagens de Jamie misturavam-se a livros. Não estava evitando encará-lo, mas sim metodicamente analisando cada frase e as pesando com o que ouvira na noite anterior. Antes de pronunciar-se queria ter a certeza que sua memória dos fatos estava o mais correta possível para que de forma alguma causasse mais problemas do que aparentemente já possuíam. Entretanto todo esse esmero desfez-se diante de uma única frase. Seu semblante impassível tornou-se momentaneamente confuso, a marca de expressão entre suas sobrancelhas aprofundara-se e os músculos de seus ombros pareciam mais tensos que o habitual. Se havia algo que vinha aprendendo com aquele relacionamento, e definitivamente ainda era difícil de lidar, era sua total falta de controle sobre rumos. Para alguém acostumado a liderar em cada âmbito da própria existência dividir decisões era um suplício que tornava-se ainda maior quando sempre que acreditava que estavam em páginas similares logo algo surgia para mostrar que a realidade era outra. O ex-corvino compreendia de onde vinha o rancor e a mágoa de Edward e sabia que merecia, mas começava a se questionar se era possível para o ex-lufano seguir em uma relação que despertava gatilhos. Um suspiro resignado escapou a um Aiden que sentia-se ligeiramente cansado. A noite anterior tivera sua intensidade, apesar da questão com Edward, fora agradável. Ao voltar para casa, entretanto, não descansara o mínimo suficiente e se colocara em movimento como sempre fazia quando algo o incomodava - e para sua própria surpresa toda aquela questão lhe incomodara em demasia e de uma maneira nova que ainda não compreendia em totalidade. Com a mão direita ele apertou a base do nariz mantendo os olhos de um azul escuro fechados. Ao reabri-los para que pudesse encarar o namorado mantinha uma expressão centrada, mas sem o ar impassível e taciturno de costume, afinal aquela era uma conversa de cunho pessoal, por mais fácil que fosse apenas assumir sua persona profissional precisava ao menos tentar agir da maneira que imaginava ser a adequada - sendo Aiden e não o auror Cross. - Como exatamente acha que atrapalharia? Jamie é meu filho e você é meu namorado, a convivência entre ambos precisa ser estimulada e não evitada. A não ser, é claro, que você não queira, porque aí tudo bem, não tenho intenção alguma de forçá-lo a qualquer coisa. - o tom de voz polido escondia quase perfeitamente algo que Aiden raramente sentia em suas relações interpessoais: insegurança. Tal sensação era tão incomum a ele que ainda não conseguia nomeá-la adequadamente, mas, de fato Edward Lupin parecia capaz de inflamar todos os seus nervos sensíveis. Ele o tirava do rumo e dava todo um novo sentido a uma vida que até então fora excessivamente sistemática e metódica. Entretanto quanto mais o ouvia menos possuía perspectivas positivas para o desenrolar da conversa e mais de suas conclusões da noite anterior pareciam precisas - e aquela era provavelmente a primeira vez que desgostava da ideia de estar correto sobre algo. - Não é como se você precisasse de muito incentivo para me mandar para o inferno. - respondeu, com um ligeiro humor que não correspondia ao seu estado de espírito, enquanto apoiava o lado direito do corpo na cabeceira da cama. - Entretanto, não estou aqui para investigá-lo. Não tenho intenções de tratar essa conversa da mesma maneira que abordo assuntos de trabalho, embora seja inegável que ainda tateio no escuro no que diz respeito as minúcias de estar com alguém. De qualquer maneira não acredito que tenha mentido sobre nada ontem a noite e esse é o ponto chave da nossa questão. - novamente seu tom de voz era baixo, educado, mas a alguém mais atento percebia-se a nota de consternação. - Não preciso de confirmações extras, aceitarei o que você disser pois imagino que não há motivos para mentir. Não é uma novidade para mim que o nosso passado é algo que te fez mal mesmo que em momento algum tenha sido minha intenção. Eu fui um babaca e criei feridas profundas. Profundas demais, aparentemente. - disse, calmamente, enquanto sutilmente esfregava o indicador e o dedo médio pela barba bem aparada que fazia morada em seu queixo. Sentia-se muito fora de alçada naquela conversa, mesmo que soasse como a repetição de outras que tiveram no decorrer do último ano. Não deter domínio sobre os meandros do assunto era o suficiente para que os níveis de adrenalina em seu organismo aumentassem de uma maneira nada agradável. - Sem rodeios: tem certeza que quer estar em um relacionamento comigo, mctíre? - questionou, indo direto ao ponto, enquanto o encarava. As orbes de um azul escuro estavam fixas nas douradas de Edward como se de tal maneira a resposta, fosse qual fosse, lhe supriria todas as dúvidas existentes. - Pergunto porque ontem a noite você deixou claro que estava com o orgulho ferido, que tinha despertado gatilhos, e que sabia que era rancoroso, mas não tanto, além de recordar que sou um parâmetro de relacionamento para se evitar. - disse novamente sentindo o mesmo incômodo da noite anterior. Embora compreendesse as ressalvas de Edward, ouvi-las naquele ponto da relação entre ambos parecia ter tocado em pontos sensíveis que até então Aiden desconhecia. - Como disse, e imagino que não recorde, não faz parte das minhas intenções ressaltar o que te faz mal. E, pelas minhas conjecturas de ontem a noite, minha presença parece suficiente para desencadear desconforto, o que nos coloca em um impasse. - disse meneando a cabeça para corroborar seu ponto. Aiden chegara a esticar a mão esquerda para tocar em Edward, mas, ainda em dúvidas de como deveria se comportar naquele tipo de conversa acabou mantendo-a para si mesmo, para respeitar o espaço pessoal de Lupin. - Disse a você que levaríamos no seu ritmo. Levaremos. Mas a percepção de ontem, posso e quero estar errado, é que você está em conflito sobre estar ou não nessa relação. Antes mesmo da bebida, que imagino que tenha sido uma fuga, você se tornou distante. Imaginei a princípio que queria usufruir a companhia dos seus amigos e tudo bem, não há necessidade de estarmos juntos o tempo inteiro, mas em determinado momento eu compreendi que no fundo você esperava que eu não fosse e que minha presença te tirou do cerne. O famigerado gatilho. Não é a mais agradável das percepções, diga-se de passagem. - pontuou, honestamente, sem ter a certeza se estava fazendo sentido uma vez que aquele campo de discussão realmente não era o seu forte e sequer sabia se deveria ser honesto em demasia ou se deveria pesar as palavras com mais cuidado do que normalmente já tomava ao redor de Lupin. Entretanto, por ora, optara por seguir seus instintos, como normalmente fazia. - Não gostaria que sua presença fosse mais uma vez passageira. Quero mantê-lo perto de mim. Quero que dê certo, provavelmente mais que qualquer outra coisa em minha vida no momento. Mas não posso fazer sozinho e imagino que não sairemos desse ponto em que nos encontramos se você não tiver certeza sobre mim, sobre nós, se vale a pena para você. Antes que pergunte; sim, eu tenho todas as certezas sobre querer estar com você. Não há mais ninguém que desejaria ao meu lado naquela besteira de evento de posse, embora entenda se preferir não ir. E especialmente não há ninguém mais com quem queira estar ao final do dia, para dividir bons e maus momentos, para compartilhar minha cama. - nunca houve, completou mentalmente. - Tusa amháin. - explicitou sem sequer perceber que expressava-se em seu idioma natal. Entre relacionamentos casuais, e Olivia como único ponto fixo, Aiden nunca sentira vontade de estar com alguém no mesmo nível de intimidade que dividira com Lupin. - Ifreann fola! Acredito que esse seja mais um dos momentos que você intitula como fuga minha do personagem. - palavras que tentavam suavizar a intensidade do que vinha dizendo até ali, mas que o sotaque norte irlandês carregado explicitava que não existia em si realmente muito humor naquele instante.- Acredito que essa seja uma chance de ouro para o seu lado mais rancoroso, não posso dizer que não vou merecer. - concluiu ciente de que suas chances não pareciam favoráveis e que o campo emocional talvez não fosse mesmo para si.
O cenho de Teddy enrugou no instante que percebeu a mudança singela no timbre de Aiden ao mesmo tempo que seus lábios se abriram minimamente. Àquela altura que se encontravam, já deveria estar acostumado com as revelações de outras nuances sobre o ex-corvino, mas era justamente naqueles momentos em que via o quanto a pior versão dele continuava registrado em várias curvas do próprio cérebro. Concentrando-se em um núcleo bastante particular, que palpitava naquele instante, deixando-o assombrado. Como acontecera quando recebera pergaminhos em forma de mensagens de textos que os colocaram naquela situação de namorados. Outro ponto que não entrara no organismo e, por isso, suspirou profundamente. Fosse de cansaço que a ressaca causava. Fosse porque havia momentos que perdia completamente a paciência consigo mesmo. Poderia classificar sua situação como de uma profunda negação, mas, intimamente, sabia que não era. Desde que começaram a testar aquele território, o ex-lufano se encontrava mais alerta que o normal, como se aguardasse o instante que Cross mudasse de ideia. Logo, impedindo-o de cumprir sua afirmação de que, para seu próprio ego, sabia ser um ótimo namorado quando lhe era dada a oportunidade. Era um conflito forte, sem dúvidas, e igualmente exaustivo. Afinal, alerta poderia ser confundido precisamente com desconfiança, e Lupin sabia que ingressara naquela linha tênue assim que cedera ao posto que, para seu próprio estresse particular, sequer imaginara que daria trabalho emocional. Não havia cool Teddy que sustentasse a compostura, não é à toa que encheu a cara para se distanciar. Era melhor que partir para o chatão Teddy, inflexível. Dono de uma rigidez que, naquele instante, transparecia no seu olhar em efeito da contra-argumentação do auror. Alterando alguns fios de seu cabelo para um vermelho desbotado. - Mas você tá bravo? - perguntou Edward, em uma imitação distante da voz sonhadora de Scorpius Malfoy. Uma risadinha, que mais parecia um grasnido, lhe escapou, e ele se esforçou para continuar à vontade para não cair em uma discussão besta. - Tem coisas que eu também não consigo adivinhar, Cross. Qualquer pessoa normal acharia que atrapalha o momento de um pai com seu filho, então, parti pela lógica social comum. - ele rebateu, o tom arrastado em uma moleza que se espalhava em todos os músculos. - Se isso não o incomoda, tudo bem. Quando eu estiver minimamente inteiro, levo-o para tomar um sorvete. - concluiu, o grasnido em forma de risada lhe escapando um pouco mais alto. Apesar de ainda se ver chocado com alguns comportamentos do ex-corvino, como o súbito esquentar de ânimos sobre sua ideia de ir embora, não deixava de ser engraçado. Ainda mais quando capturava algum movimento que poderia expressar um nível de insegurança. Poderia ser o caso, não sabia, pois estava sem a menor condição de lê-lo. Mas o timbre da voz foi o suficiente para saber que acertara um nervo sem querer. Desequilíbrio não era a coisa de Cross, tinha noção disso desde o primeiro dia que se reencontraram. - Digamos que estou farto de repetir essa questão do inferno. Você já sabe disso. - ele ponderou, mais para si mesmo, já que era sua afirmação pessoal, e anterior, sobre qualquer coisa que Aiden pudesse fazer ou não. - É divertido vê-lo tatear, porque você fica meio confuso. Agora, se comentar sobre ir embora por conta do seu espaço pessoal com Jamie criou uma fissura na porta que você costuma ser, só posso imaginar que te jurei de morte ou transformá-lo em um lobisomem, ou algo assim, enquanto enchia a cara. - independentemente de qualquer pessoa, o fato de se tornar lobisomem era um medo pessoal de todas as pessoas do mundo bruxo. Ninguém queria a mancha sanguínea da licantropia. Não apenas porque, em seguida, era afirmado a exclusão da sociedade, mas também porque era um trabalho do caralho. Óbvio que ele não saía ameaçando todo mundo com aquele discurso, mas mencionar costumava ser o suficiente para qualquer um ficar mais esperto do seu lado. Não era o esperado com Cross, mas, considerando que bebera tudo que viu pela frente, perdendo sua ordem mental, por sorte em dias muito distantes da Lua Cheia, não duvidava que soltara tal argumento que considerava absurdamente grave. - Eu nem teria as informações extras, a não ser que elas queiram vir até mim quando eu voltar a ter um mínimo de consciência decente. A única coisa que me lembro com clareza, a propósito, é o lance da posse. Deve ser porque achei isso no mínimo engraçado, pois não faz o menor sentido. - ele voltou a rir, preguiçosamente. Cobriu a boca brevemente, porque, às vezes, ele se irritava com sua risada de cachorro. O som esmoreceu em seguida, diante da menção sobre as feridas profundas. O ex-lufano sugou o ar, meio resignado, porque não era um ponto novo sobre ele mesmo. Também não acarretava memórias bloqueadas, pois estava aí algo que acontecera meses atrás. Quando ele e Cross ficaram frente a frente depois do que pareceu séculos. Colocando-o em uma situação de constante desconforto e ranço todas as vezes que ele aparecia e se esticava nos mesmos espaços em que se encontrava. Uma espécie de provação que tensionava sempre o ar, como sentiu tensionar ao ponto de conseguir se virar sem ser abordado por uma zonzeira. Daquele novo ângulo era capaz de ter noção completa da presença do ex-corvino e também costumava ser chocante vê-lo sem as roupas de exame de fezes. Era como se ele tivesse um irmão gêmeo, ou algo parecido, afinando mais os nervos que continuavam a trabalhar dedicadamente para expeli-lo em um falso senso de proteção. Fora do âmbito emocional, Aiden não provocava nada preocupante. Somente os choques contínuos sobre comportamentos que não esperava. Não teve tempo para refletir sobre a pergunta seguinte, pois seus neurônios pareciam ter ido para os braços de Helga. Mas, quando os olhares se encontraram, Edward se sentiu minimamente relaxado. Era sinal de que, realmente, não queria escalar conflito. Não mais ao que já deveria ter escalado e escaldado na festa de Alice. - É muito cedo para falar sobre certezas, especialmente quando me dei conta, oficialmente, de que você é um problema para mim. Você move partes que ainda estão machucadas e isso ativa minha dualidade, sobre ok, eu posso tornar isso o mais aprazível possível até se assentar, sem grandes conflitos, porque é assim em praticamente todo início de relacionamento. Um início em que as pessoas só sabem que querem estar juntas. Quando elas ficam juntas, a história muda completamente, porque acaba a fase de lua de mel. Você fica mais próximo, assuntos incabados retornam, para alguns isso se chama trauma, e assim por diante. É quando se vê que determinados comportamentos, ou a falta deles, vêm de algo muito além da pessoa que está com você. E só se manifestam uma vez dentro da situação dita atípica. O meu caso com você. Por isso, fui tomado por paranoia e inseguranças... Há outra parte de mim que ainda carrega um cimento de rancor, que se ativa só a menor lembrança do pior da sua pessoa. E me avisa que estou em um problema sério e que não é seguro estar com você. Essa é a primeira vez que sinto isso e sequer sabia que me sentiria, pois, diante dos meus relacionamentos passados, nada disso reverberou. No entanto, a razão é simples: eu não tinha impasses anteriores com nenhum deles. Não como o nosso. - era engraçado pensar que nem tinha problemas sequer com Duncan, a quem revirou os olhos, porque só de lembrar o próprio papelão tinha vontade de se dar um soco. - Você continuará ressaltando o que me faz mal, querendo ou não, Cross. Em contrapartida, eu já tenho seus esclarecimentos e acredito neles. Essa ferida é minha. Ainda está aberta. Porém, eu a vejo agora e preciso tomar responsabilidade. Ou não conseguiremos ir adiante. Bizarro que parece situação de o primeiro amor da minha vida, mas isso coube a outro garoto em Hogwarts. Só que você foi o mais próximo de marco romântico na minha cabeça e adolescentes são emocionados demais. Comi Lupin, isso justifica muito o fato do quanto tolerei você aparecer bêbado, porque, no fundo, eu queria estar com você e queria que você me percebesse sem o álcool. - ele se calou por um momento, pois sentiu aquela ferida arder. Fitou as mãos, antes de esfregá-las uma na outra para aplacar o efeito negativo daquelas memórias. Mas bastou uma onda de incômodo para afrouxar sua língua e revelar o que ao menos sabia que Cross nunca ouvira. - Eu esperei. Te esperei no caso. Todo dia nascia a esperança da possibilidade de ficarmos juntos sem você estar alcoolizado e nunca acontecia. A princípio, ceder era uma questão de afeto. Eu queria aquilo. Até se tornar tortura. Uma meditação de que, em algum momento, você me notaria. - ele era capaz de ver seu eu adolescente empolgado transitando para uma enorme confusão sobre estar sendo usado ou não. Uma imagem que pulsou aquele núcleo mental. Deixando-o meio chateado. - Até quando se tornou frustrante e começou a machucar sem eu saber que machucava tanto. Até que um dia de pá virada me fez ir embora e o resto eu já te informei. Talvez, ver isso acontecer agora perturbou meu juízo, porque foi dar palpabilidade ao que um eu tão distante um dia quis. Mas sou o adulto que carregou a ferida e foi confuso entender que a espera de certo modo ainda existia e cessou quando você chegou na festa. - e parecia o único frame nítido daquela noite, que o descambou rumo ao álcool. Suspirou, realinhando seu raciocínio. Sabia que se sentiria estúpido com delay. - O tempo distrai, mas o corpo tem memória. O corpo sente e sou, feliz ou infelizmente, mais conectado com meu corpo que com a minha mente. É onde sinto tudo. - e dizer aquilo, sem saber se era pela milésima vez ou uma espécie de ineditismo, fez Teddy sentir os poros da sua pele dilatando. Aiden sempre soube entrar embaixo da sua pele, tirando-o do cerne por qualquer motivo. - É quando em circunstâncias assim não importa muito o que você passava na época, porque se tem uma coisa que é verdade é: uma pessoa nunca vai se esquecer como você a fez se sentir e você me fez sentir que era apenas um estepe de algo que eu não via. - ele prosseguiu, deslizando as mãos tranquilamente em cada braço. O efeito calmante devolveu a tonalização natural de seu cabelo e apaziguou um pouco a agitação no seu sistema nervoso. - Portanto, sim, há conflito. É quando preciso racicionar o dobro para lembrar que você não é aquela pessoa, mas é apenas o início. Eu desempacotei o presente e não sei ainda como estar na companhia dele. Eu não imaginei que isso aconteceria, mas, como disse, a parte rancorosa de mim ainda se recorda de como fui tratado e, desde então, vivo em alerta. Beber, acho, foi para tirar o alerta e tentar agir normalmente, mas fui longe demais. - e uma careta pontuou sua face cansada e, intimamente, ele agradeceu por não ter sido porre de tequila. - Não sei se você vai entender o que digo, pelos seus motivos com relacionamento, mas estou tentando ser o mais didático possível. Sei que você é sistemático, já quer o bolo pronto, mas, ao menos nessa categoria da vida, o bolo nunca vai ficar pronto. Ao menos, é o que tenho de lição para mim, pois se sua expectativa é ter o bolo para ficar em paz em seguida, bom, tenho péssimas notícias. E não me refiro somente ao fato de que me sinto confuso, como se você estivesse invadindo meu espaço de novo para me botar para baixo. É uma das praxes e o bolo pronto é apenas aquele breve extasiamento. Que lembra que as coisas estão ok de novo. Depois, se volta para a massa. - Teddy se moveu, porque parecia que seu corpo inteiro queria assassiná-lo de tanta falta de sustento da parte dos seus ossos. Era mais fácil jurar que estava na Lua Cheia em vez de uma fase pós-porre. - Saber que você se interessa pela ideia de se relacionar comigo é aquele tipo de validação que vou precisar. - ele não mentiria sobre aquilo, não quando, realmente, o lado ferido queria vencer. Não era meta e seu secreto inconformismo se expressou na forma como meneou a cabeça de um lado para o outro. - Porque me situa no mesmo lugar que você e sou teimoso, então, vou querer ficar até que um limite seja atingido, e isso está longe de ser uma praga. Relacionamentos fluem de jeitos esquisitos e desavisados. Hoje estamos aqui, conversando sobre um drama pós-festa, amanhã pode aparecer um ex querendo me seduzir, pois sou muito desejado. - rir foi inevitável, pois o raciocínio era o mesmo de conseguir um emprego e depois aparecer outros dez, simplesmente do nada, para a pessoa se sentir arrependida e culpada por uma suposta breve crise de desespero. Não queria dizer que se sentia relaxado e continuou a esfregar as mãos nos braços. Olhou-o atentamente e uma sobrancelha se arqueou sob o pretexto de expressar que sentia certa graça. - De qualquer modo, ainda mais porque agora penso em bolo para celebrar essa sua saída do personagem, fodendo meu juízo, escuta: eu também quero que dê certo. Não pelos motivos errados, que seria provar que sou capaz de te aguentar, de alcançar um nível superior que possa dar a breve sensação de que reverti uma situação do passado, mas porque todas as suas metas ditadas neste instante são recíprocas. Eu te curto pra cacete e mesmo dizendo isso não posso garantir o que vale a pena, porque, convenhamos, estamos no início disso. Você também pode cair no redemoinho de se perguntar se vale a pena. Como disse, fim da lua de mel. - ele anuiu, poupando-se de uma nova risada que o fez fechar os olhos por um momento e se arrepender pela escuridão que o engolfou em uma nova zonzeira. - Eu só quero viver isso como tem que ser. Essa é minha maldição, porque posso me acabar no processo. Mas tudo bem. Vou ter que resolver meus problemas sobre o passado. A bebedeira trouxe luz e eu não sou mais a Halsey. Embora eu sinta falta do meu cabelo azul. - tinha noção de que Aiden não entenderia a menção de uma cantora trouxa e nem muito menos suas fases de cabelos coloridos, além do azul que se tornara sua marca registrada. - Mas posso honrar os velhos dias de Halsey ao ir nessa posse com você. Como te disse, sou namorado material. Se tudo der errado entre nós, vou empreender nesse meu ponto forte para acompanhar gays carentes. - o tom assombrado e debochado na afirmação lhe arrancaram um novo revirar de olhos. No instante que percebeu a tentativa funesta de Aiden em tocá-lo, se aproveitou dos sentidos sempre exacerbados, adiantando-se em segurar a mão dele com extrema agilidade. - Para uma porta, você está ficando frouxa. E quero ficar até todos os trincos quebrarem para ter história para contar. Como Edward Lupin realmente derrubou todos os dentes de Aiden Cross. - ditou como se lesse una manchete. Sorriu, preguiçoso, indicando que estava prestes a um desmaio em função do seu estado de calamidade. - Espero que você esteja pronto para vários dias no Profeta Diário por ser um grande boiola que está com o boiola do Lupin que não continuará com o legado da família. Felizmente, temos o Patrick, conto com ele para isso. Mas saiba que o fato de eu ir é muita coisa, porque não suporto exposição. Pronto para meses de questionamentos de Harry Potter.- ele apertou a mão contra a do ex-corvino, percebendo que ainda era capaz de sentir algo de positivo sobre estar naquela relação. Era um sinal bom, com emoções afáveis lhe arrancando um suspiro mais sossegado. Um contraste, muito do bem-vindo, que aquietava o adolescente birrento de cabelo azul. - Aliás, essa posse, acho que não te dei os parabéns ou dei? Tirando todos os episódios de ódio com sua figura ministerial, constantemente invadindo a minha casa, isso é bem daora. Usarei meu melhor look de professor, sem pinta de descuidado. - o shade no próprio pai era uma piada interna, fazendo-o rir sempre com culpa. Afinal, entendia muito da vida do falecido, não somente por ser lobisomem, mas também por nunca ter sido uma primeira escolha. Piorava quando crescera entre outros herdeiros de guerra e não houvera nada a se fazer a não ser se afastar para construir a própria personalidade e identidade. - Agora, vou pedir um bolo, porque acho que estou falecendo com a falta de açúcar no sangue. Se você quiser dividir comigo, vai ficar querendo. - lentamente, Teddy soltou a mão de Aiden e se levantou. Percebeu que estava em situação de barril, mas não desistiria do seu propósito de comer um doce. - Aliás, por Merlin, por que diabos você tem uma elfa doméstica? Isso aqui, por um acaso, é cativeiro de purista? Porque se for, sinto muito, sou alternativo demais pra isso.














