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Só se tiver água tônica aí. E veneno. Ainda não decidi o que eu vou tomar.
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É… Posso ajudar?
Só se tiver água tônica aí. E veneno. Ainda não decidi o que eu vou tomar.
Pensei que fosse algum pervertido. Na verdade, acho que estava certa
Eu já te disse, Cass, você sempre tem razão. Embora, acho pervertido um termo meio pesado, certo? Safada, talvez? Me diga você.
Família difícil e faculdade irritante. Preciso ficar bêbada.
Sua necessidade é minha necessidade. Vamos beber, então.
Ah claro, esqueci que você faz parte do meu amoroso fã clube, as que dariam tudo pra saber algo sobre mim. Tem certeza disso, Caitlin? Não se esqueça você faz parte do fã clube, seu trabalho é esse ficar me espiando, mas desista disso é perca de tempo, querida.
Você acredita mesmo que tem um fã-clube, ou melhor, que eu seria parte dele? Mesmo que tal clube existisse, nós duas sabemos que eu sou especial demais para ser parte de algum grupinho.
E sobre espiar você... Eu não sou amadora, Norinha, se eu quisesse mesmo espiar você, você acha que teria me visto aqui? Talvez não seja o seu talento, mas use o seu cérebro.
Claro que não foi de propósito. Eu nunca faria isso.
Claro que foi! Você não gosta de mim, e resolveu esbarrar em mim com esse batom idiota. Nem é uma cor que combine com a minha pele, Iris! Você vai lavar essa roupa.
Fala baixo! Digamos que eu bebi mais do que o recomendável, e cada palavra que sai da sua boca me dá vontade de morrer, então, por favor, por favor, fala baixo.
Ual! Não me faça tirar suas roupas aqui! Podemos ir agora?
Essa era a intenção o tempo todo.
Aonde você está me levando, afinal?
- Então, não vai mesmo me deixar ver?
Sem chances, Maddie, essas fotos estão terríveis! Eu posso tacar pedra no quintal de alguém por você, mas essas fotos, eu não mostro.
Não te ensinaram sobre bater antes de entrar no quarto de alguém?
Ensinaram. Também me ensinaram que pessoas ficam nuas em seus quartos e era exatamente o que eu esperava, mas tem uma toalha muito chata atrapalhando. Não te ensinaram a satisfazer as expectativas das visitas?
Você estava me espiando o tempo inteiro?
É lógico que eu estava, ainda não percebeu que o meu amor por você não tem fim? É claro que não estava te espiando, coisinha, não seja paranoica.
{FB} Wait, this can’t be a friendship! ✖ Iris&Caitlin
Nem o doce aroma, nem o amargo sabor, da bebida alcoólica era capaz de salvá-la a esse ponto. O pânico tomava conta da menina, e por mais que tentasse, não conseguiria disfarçar por muito tempo. A única coisa que pensava era como disfarçar sua reação ao lembrar-se da árdua memória — dificilmente ignorada todos os dias. Não sabia como chegara ali, no banheiro, mas não era algo assustador. Afinal, seu corpo mantinha-se dormente, de toda a dor e sensação atual, caminhando em direção ao passado… Correndo. Tudo o que sentia era o toque do desconhecido, que começara a arder, queimar, como algum tipo de ácido. Tentava ao máximo lembrar que estava em um evento, e que tudo aquilo tinha passado. Tentativas falhas, obviamente. Ao menos tinha certeza de que estava sozinha no lugar, por enquanto.
Seus olhos não tinham foco, em absolutamente nada, e começara a arder. Já podia imaginar que uma ou duas lágrimas iriam descer pelo seu rosto, e a certeza de que não conseguiria pará-las tão facilmente. — Não! — Murmurou, ordenando a si mesma de evitá-las, a qualquer custo. E diferente do que fazia normalmente, suas ações não eram controladas por si mesma, e sim pelo medo. Medo do que poderia acontecer. Sim, voltara ao passado — ao menos, sua mente o fez. Estava brincando consigo mesma, tendo pesadelos acordada. Até que… Gregory. Finalmente, fora capaz de lembrar o que aconteceu no dia, na verdade, capaz de acordar novamente de um simples e assustador pesadelo. Tudo passara rapidamente por seus olhos, cada cena da adorável festa que a assombrava até hoje. Ao contrário do que a maioria pensava, Iris era sensível, solitária e até mesmo fraca, ao menos, era como denominava-se quando sozinha.Suspirou, permitindo que as lágrimas, antes forçadas a permanecer onde quer que elas ficassem, escorressem pelo seu rosto. Tentava secá-las com a costa da mão livre, enquanto a outra ocupava-se com sua máscara, mas fizera um péssimo trabalho.
A máscara em sua mão fora colocada devidamente em sua face, caminhando para fora do toalhete. Desviava-se por entre os convidados cuidadosamente. Uma das convidadas não parecia ter o mesmo cuidado, de toda forma, ergueu a cabeça tentando focar seu olhar no rosto da mulher. Cailtin! Como sempre, fora impossível não esbarrar-se em algum conhecido, e a máscara não era o objeto mais indicado para esconder sua identidade. — Caitlin… Eu não estou com tempo ou paciência para os seus shows. — Não usava seu tom habitual, apenas um tom neutro. Encarou a bebida ao chão por poucos segundos. É claro, alguém não faria tal cena apenas por um simples esbarrão, mas, não duvidava de nada vindo de Caitlin Pratt. Bêbada ou não.
A bebida era, especialmente naquele caso, a única saída de um labirinto entediante. Apesar do que aparenta, nunca gostou de ficar bêbada, de perder o controle. Havia algo em fazer as coisas com consciência que a encantava. Não se importava com o que pensavam e gostava de estar sóbria em todos seus atos. E mesmo assim, na maioria das vezes, metade de suas falas saía de forma involuntária. Nem a própria garota sabe informar o por quê. Havia uma beleza naquilo, simplesmente não se preocupava. Festas, em geral, costumavam ser entediantes para Caitlin, mas aquela? Estava pior do que todas as outras que já fora, em seu ponto de vista. O álcool era a única coisa que ainda lhe prendia ali.
Tudo caminhava bem até o esbarrão. Era como se alguém tivesse simplesmente atirado uma caixa de fósforos acesos em meio a gasolina e o incêndio estava prestes a começar. Caitlin, por dentro já gargalhava, mas por fora, parecia irritada. Muito irritada até que o rosto de Iris Cohen se fez reconhecível. Céus, como aquilo era maravilhoso. Se estava procurando por uma briga, era a ela que deveria procurar. Iris por si só, já era detestável, mas Iris muitas vezes ficava entre Caitlin e um de seus melhores amigos. Não que alguém além da loira visse isso desta forma. Ou que outra pessoa fosse capaz de estar sempre se metendo em problemas com a loira. — Meus shows? Tem certeza de que não é você que tem sempre um espetáculo para oferecer? É o que dizem por aí… — Brincou, rindo e olhando para o chão, a bebida desperdiçada. Havia feito questão de falar alto, de chamar atenção. Precisava concordar com a garota: estava, realmente, procurando por um show.
Assim que olhou de novo para Iris, viu os olhos da menina. Lágrimas? — E-espera… Você… Você ‘tá chorando? — Por um momento, a garota sentiu-se preocupada. Mas preocupação e Caitlin Pratt simplesmente não combinavam. — O que aconteceu? — Perguntou, curiosa. Na verdade, não tinha certeza se era preocupação ou curiosidade, mas o que sabia era que a “lenda” dizia que aquela garota era incapaz de chorar. As pessoas não são o que dizem delas, afinal, Caitlin deveria saber disso. A fama que a loira tinha não era nem um pouco positiva e se cada um a julgasse por isso, seria odiada. Bom, ela é odiada. Embora finja não se importar, às vezes, machuca. A ideia de ser conhecida por sexo já era ofensiva o bastante, imagine aquilo sendo real? Iris deveria ser, afinal, alguém bem triste. Triste o suficiente para entrar no caminho da garota, atrapalhar sua amizade. Não se sentia mal por odiá-la, mas se sentiria terrível por deixá-la sozinha, chorando. Mesmo que sua companhia só fosse servir para deixá-la ainda pior. Internamente, a ideia de deixá-la ainda pior era ainda mais tentadora do que a oportunidade de arranjar briga. — Vem, vamos... Sair daqui. — Disse, com calma. Não importava o que tinha acontecido com ela, mas ela queria saber. A noite melhorava, no final das contas.
{ flashback }
Não apressou-se nenhum segundo sequer ao caminhar até o ponto de encontro, muito pelo contrário. A delonga era tanta, que Hellstone apenas ria de ao imaginar a outra impaciente, andando de um lado para o outro, olhando o relógio de marca, o celular cujo modelo era o mais recente… Adorava aquilo. Adorava, de certa maneira, tirar as pessoas de seus respectivos padrões monótonos. Caitlin então nem se falava. O prazer era tanto que apenas imaginando a cena conseguia tê-lo. Tirou um cigarro do maço e acendeu-o, fechando os olhos assim que o tragou, tendo aquela sensação inigualável que sempre conseguia ter ao simplesmente fumar um cigarro. Dessa vez era uma exceção, contando que não havia fumado no dia anterior, e é o que dizem, quanto mais se espera para satisfazer um desejo, mais prazeroso acaba sendo. Claro que em determinadas situações ela não espera para satisfazer um desejo, mas todos que mais esperou, mais prazerosos acabaram por ser. Duplo sentido, e estranha a comparação de um cigarro com a atual situação. Hellstone esperou um bom tempo por Caitlin, e quem sabe seu desejo fosse realizado esta noite? Nunca se sabe, mas dar uma exaltação nas probabilidades talvez viesse ser uma boa ideia. Apenas não é citado aqui a “exaltação do ego”, porque este já está bem inflado. – Até você? – virou-se ao notar a voz conhecida. Como sempre, a loira estava deslumbrante naquele vestido. Adorava quando a mesma utilizava vestidos, ainda mais aqueles que detalhavam bem seu corpo, ainda mais justos. Céus, impressionava-se sucessivas vezes com a capacidade de sedução que a outra tinha, até mesmo quando não exagerava na maquiagem. Em contraposição, Brianna nem sequer utilizava maquiagem que não fosse forte, e não se importava em valorizar seu corpo, já que em sua visão, não tinha nada que valorizar. – Quando se está dormindo, não se sabe que está dormindo até acordar, na maioria dos casos. Por favor, não me diga que estou dormindo.
Encontrar-se com Brianna Hellstone, se colocado em lista, seria uma das últimas coisas que Caitlin gostaria de fazer. Sempre fora assim. Até que a morena retornou a cidade deixando a Pratt curiosa, e não é novidade para ninguém o quanto Caitlin pode ser irritante quando quer saber de alguma coisa. Mas, naquele caso em especial, não esperava ter tanto trabalho. Brianna sempre deixou bem claro quais eram suas intenções e a loira sempre deixou bem claro qual era a resposta: não. Sentia estar voltando atrás em todas suas falas anteriores naquele momento, procurando por Brianna como se fosse uma questão de vida ou morte, e bem que poderia ser, já que Caitlin é... Uma garota de extremos, digamos. Extremamente indelicada, principalmente na hora de cortas as múltiplas investidas que recebia, seu alvo sempre fora um só, ao menos de tempos para cá. Mas nada daquilo importava, e importaria ainda menos no segundo seguinte, o segundo em que praticamente voou até Brianna. Mordeu o lábio inferior, encarando-a. Gostava de provocar, isso podia admitir. Havia, inclusive, escolhido uma de suas melhores roupas para encontrá-la, mesmo que fingisse que era apenas por gostar de estar sempre linda. Não era. Era para ela. Para provocá-la, e mostrar que ela poderia ver, mas não tocar. Uma conversa entre amigas era nada além do esperado, ao menos para a loira. Tinha mais do que certeza de que Brianna tinha outras ideias, e, sacrificaria-se caso necessário. E por sacrifício, quer dizer que aceitaria topar alguns drinks com a garota ou conversar até o anoitecer. Era a ideia que tinha fixa na cabeça até que a voz da Hellstone invadiu seus ouvidos. Argh, Caitlin não conseguia. Era como se simplesmente não gostasse dela, como todos ali não gostavam de Caitlin. Diferente da Pratt, Brianna não estava arrumada. Mas a garota precisava admitir: ela era bonita. Extremamente bonita. Aquela imagem, simples, “largada” era até atraente, se a cada vez que Brianna abrisse a boca, Caitlin não ouvisse uma cantada. Ou ao menos era assim que interpretava. — Eu sei que eu pareço como parte de um dos melhores sonhos que possam existir, mas posso garantir... — Abriu um sorriso e aproximou-se um pouco mais da menina, a sobrancelha arqueada e a voz em um tom mais baixo. — Você está beeeem acordada.
- Sinto lhe informar que a naturalidade não vai ser fácil, então se contente por eu ter vindo, ao menos.
- E de qualquer forma, não acho que o vermelho tenha ficado tão bom,
Estou feliz por você ter vindo, Brianna.
Qual você... Qual ficou mais bonito em mim? Seja sincera!
- Não foi você quem pediu para eu vir?
Para que você me ajudasse, para que pudéssemos conversar como fazíamos antes... Não pra você ficar me encarando com essa cara de assassina.
Tudo bem, numa escala de prostitutas, seu vestido é nota dez. Feliz?
Na verdade não, mas tudo bem. Acho que um dez na escala de prostitutas equivale a quê, uns oito? Eu posso lidar com um oito. Mas, e você? Não vai experimentar nada?
Acho que… seis. Digo, eu definitivamente pagaria pela hora.
Eu não sou a merda de uma prostituta. Quer dizer, eu seria uma prostituta de luxo. E prostitutas de luxo não saem por aí com um vestido nota seis.
Se você veio só para ficar encarando, por quê veio, afinal?