– É... Não tenho dormido muito ultimamente. Mas estou bem, estou bem. Não se preocupe... É só... Cansaço.
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– É... Não tenho dormido muito ultimamente. Mas estou bem, estou bem. Não se preocupe... É só... Cansaço.
– Hã… Pra ser bem honesto, não tenho certeza se valeria a pena… – Sieghart mordeu o lábio inferior, pensativo. Não fazia ideia de por que é que era ele que estava sendo inquirido quando a pessoa a sua frente precisava de conselhos. Não que não quisesse ajudar, queria, mas talvez fosse novo demais para poder fazê-lo. – Não sei, mas tem coisas que às vezes precisamos deixar pra lá…
A incerteza era clara na voz do garoto, mas tudo bem. Ele havia se esforçado no pensamento, ainda que fosse um conselho mequetrefe.
Não sabia porquê, mas achou que deveria compartilhar com alguém sobre terem invadido sua única sala “privada” e silenciosa no castelo. A sala de costura era frequentemente visitada, principalmente nos dias de semana, quando Melorie tinha lições a serem vistas. Mas isto acontecia no período da tarde, e não cedo da manhã, o horário que gostava de permanecer por lá, ao lado da janela, para observar o jardim e tudo o que conseguia ver além. — Tens razão, vai ver preciso apenas achar um lugar novo para ficar. Um que não seja sempre o bosque, é claro.
Sieghart riu. – Talvez. Mas eu sentiria sua falta por essas ruas se não a visse por aqui. – Olhou-a no fundo dos olhos e sorriu, dessa vez sem emitir nenhum som. – Os bosques combinam com você, Mel. Mas, não sei... Acho que são pequenos demais para tudo o que você quer do mundo...
– Concordo com você. – ofereceu um sorriso doce a moça. – Só por curiosidade, o que é que você queria aprender?
Eu queria aprender a vender. Os comerciantes aqui sempre parecem cansados, gostaria de poder saber ajudar.
– Ajudar? Bom, – abriu um novo sorriso. – eu posso tentar ensinar você. Mas quem, exatamente, você gostaria de ajudar?
O garoto não tinha certeza se deveria rir ou suspirar decepcionado consigo mesmo depois da declaração de Osric, e o que saltou-lhe da boca foi uma esquisitíssima mescla de ambas as coisas. – Sou bom no que ganho a vida fazendo, Osric, ao menos. – mais uma vez, a dúvida lhe cutucava, mas decidiu, dessa vez, soltar um meio sorriso no lugar de parecer sério. – Ainda me perguntou porque as pessoas insistem em me pedir essas coisas. – bufou divertidamente. – Mal sei o que fazer da minha própria vida, imagine da dos outros!
Osric sorriu largamente, deixando claro que não havia qualquer aborrecimento. Uma mão forte foi de encontro ao ombro do mais novo, dando-lhe tapinhas amigáveis, que carregavam talvez um pouco da força do Kasnier. “Não faz mais que sua obrigação. Seria a vergonha da família se fosse ruim até mesmo no que lhe sustenta.” Brincou ele outra vez, refletindo o sorriso de Sieg, logo permitindo que breves risadas escapassem. Ainda que o outro fosse um tanto mais novo, via no rapaz sempre uma boa companhia, alguém divertido. Afinal de contas, Osric jamais havia realmente se importado com idade, mas sim com personalidades. Fingiu então seriedade, pensando sobre o comentário alheio; estreitou os olhos, analisando o outro e balançando a cabeça. “É provavelmente pela tamanha sabedoria que cintila em seus olhos; por isso elas vêm até você por conselhos.” E então permaneceu sério, muito embora seu comentário estivesse banhado em uma saudável zombaria.
Sieghart riu abertamente. A companhia de Osric era sempre uma das melhores que podia pedir, e, ainda que a mão do mais velho machucasse-lhe levemente o ombro, era impossível não adorar as suas brincadeiras. "Ao menos nisso eu sou ótimo". Gargalhou mais uma vez, pensando na infelicidade dos que vinham pedir-lhe conselho, e olhando fundo nos olhos de Osric respondeu: "Bom, os que vêm a mim não compartilham da sabedoria que tenho"
Não, não há nada de errado. Minha ausência apenas se dá em razão dos compromissos com a minha família.
–Fazia tempo que não nos víamos, Darion. – o garoto comprimiu os lábios numa linha fina e franziu, levemente, o cenho. Seu tom, de sério, beirava o triste, e ele esperava que Darion não percebesse. Realmente, preocupara-se com ele. – Estava me perguntando se estaria tudo bem.
Sieghart observava a cena de longe. Era mesmo uma pena quando as pessoas não entendiam o valor de uma promessa, e fez questão de externar esse pensamento para a moça a quem de longe assistia, assim que o homem que decepcionava suas expectativas retirou-se, sem fazer questão de respondê-la.
Isso é muito injusto, não acha? — Indagou, ainda decepcionada com o homem que já fora embora. — Eu quero aprender, não é culpa minha se eu não fui ensinada a fazer isso. Se é tão simples como ele diz que é, por que não parou nem que fosse cinco minutos para me ensinar?
– Concordo com você. – ofereceu um sorriso doce a moça. – Só por curiosidade, o que é que você queria aprender?
Mas você prometeu que me ensinaria! Isso é muito, muito injusto, se quer saber a minha opinião. Promessas são dívidas que no fim da vida a Morte vem cobrar, sabia disso? Se eu fosse você, cuidaria melhor do que promete de agora em diante.
Sieghart observava a cena de longe. Era mesmo uma pena quando as pessoas não entendiam o valor de uma promessa, e fez questão de externar esse pensamento para a moça a quem de longe assistia, assim que o homem que decepcionava suas expectativas retirou-se, sem fazer questão de respondê-la.
– Hã… Pra ser bem honesto, não tenho certeza se valeria a pena… – Sieghart mordeu o lábio inferior, pensativo. Não fazia ideia de por que é que era ele que estava sendo inquirido quando a pessoa a sua frente precisava de conselhos. Não que não quisesse ajudar, queria, mas talvez fosse novo demais para poder fazê-lo. – Não sei, mas tem coisas que às vezes precisamos deixar pra lá…
A incerteza era clara na voz do garoto, mas tudo bem. Ele havia se esforçado no pensamento, ainda que fosse um conselho mequetrefe.
Osric franziu o cenho para toda aquela resposta sem qualquer sentido. Não estava bravo pela falta de uma boa resposta, certamente, apenas admirava a capacidade de Sieghart de enrolar as palavras de tal forma, falando muito e ainda assim, não dizendo nada. O mais velho coçou levemente uma das bochechas, de forma vagarosa, os pelos da barba lhe espetando a pele. Não mostrou nenhum sorriso, mas seu tom não anunciava qualquer sinal de que ele estava incomodado por não ter ouvido o que esperava. Um breve levantar de sobrancelhas acentuou suas palavras. “Deve ser grato por não ganhar a vida dando conselhos, caso contrário certamente estaria passando fome.” Osric comentou, e embora sua expressão fosse séria, as palavras vinham divertidas.
O garoto não tinha certeza se deveria rir ou suspirar decepcionado consigo mesmo depois da declaração de Osric, e o que saltou-lhe da boca foi uma esquisitíssima mescla de ambas as coisas. – Sou bom no que ganho a vida fazendo, Osric, ao menos. – mais uma vez, a dúvida lhe cutucava, mas decidiu, dessa vez, soltar um meio sorriso no lugar de parecer sério. – Ainda me perguntou porque as pessoas insistem em me pedir essas coisas. – bufou divertidamente. – Mal sei o que fazer da minha própria vida, imagine da dos outros!
sieg-ewbolt:
– Hã… Pra ser bem honesto, não tenho certeza se valeria a pena… – Sieghart mordeu o lábio inferior, pensativo. Não fazia ideia de por que é que era ele que estava sendo inquirido quando a pessoa a sua frente precisava de conselhos. Não que não quisesse ajudar, queria, mas talvez fosse novo demais para poder fazê-lo. – Não sei, mas tem coisas que às vezes precisamos deixar pra lá…
A incerteza era clara na voz do garoto, mas tudo bem. Ele havia se esforçado no pensamento, ainda que fosse um conselho mequetrefe.
Ao ouvir a resposta de Sieghart, Darion soltou um longo suspiro e fixou o olhar em qualquer lugar que compunha o cenário. Céus, até onde aquilo tinha ido para que ele chegasse a pedir conselhos para outra pessoa? Sentia-se de volta a sua adolescência, como o clássico exemplo do garoto que não sabia o que fazer quando estava apaixonado. — Então você acha que eu não deveria contar nada a ela?
O rapaz arregalou os olhos. Não! Não era aquilo que queria dizer, e foi o que quase gritou para Darion, num momento de ansiedade. Ser mal interpretado era algo que o deixava levemente aflito, aflição essa que jamais deixava de transparecer em sua voz. – Não, não é isso. – acalmou-se e voltou a falar devagar, fitando o mesmo céu do qual Darion raramente tirava os olhos. – Você só tem de estar preparado para a resposta. Pela sua cara, vi que você não espera que ela seja lá muito boa, mas...
Soltou um longo suspiro. Sequer se lembrou da frase que deixara por terminar.
– Hã... Pra ser bem honesto, não tenho certeza se valeria a pena... – Sieghart mordeu o lábio inferior, pensativo. Não fazia ideia de por que é que era ele que estava sendo inquirido quando a pessoa a sua frente precisava de conselhos. Não que não quisesse ajudar, queria, mas talvez fosse novo demais para poder fazê-lo. – Não sei, mas tem coisas que às vezes precisamos deixar pra lá... A incerteza era clara na voz do garoto, mas tudo bem. Ele havia se esforçado no pensamento, ainda que fosse um conselho mequetrefe.
Não aceite conselhos do Arthas - Arthas e Sieghart {SMALL}
sieg-ewbolt
Arthas tinha razão. Era lógica, simples lógica, e era inegável que em seu raciocínio não havia falhas. Não era comum que Sieghart admitisse algo assim em voz alta para o amigo, mas daquela vez estava prestes a fazê-lo. E teria feito, realmente, se o cavaleiro não tivesse utilizado aquela palavra. Virgem? Aquilo era sério? Não, virgem não… Pigarreou ruidosamente antes de começar a reclamar, cerrando os olhos ao sentir as sutis porém incômodas pontadas de dor que o homem provocava ao mexer, sem delicadeza ou cuidado algum, em seus fios negros, ocasionalmente arrancando um ou um punhado de suas raízes.
–Virgem não. – inicialmente aquele foi seu único protesto. O que mais ia dizer? Que também não era branco? A palidez de sua pele era algo tão evidente quanto a própria existência, juntamente com a magreza da qual seu corpo era dotado. Não que achasse que aquilo fosse confiar a ele, realmente, uma aparência de um virgem trancafiado num quarto escuro por tempo demais, mas, daquela vez, talvez por estar circundando tamanha beleza como era a que possuía aquela mulher, sentiu a face ruborizar com leveza. A insegurança lhe mordia as pontas do espírito, e foi então que percebeu que as palavras lhe haviam sido arrancadas. – Arthas… Ér… Você sabe que isso não costuma a acontecer comigo… – pronunciava as palavras devagar, como se não soubesse como elas terminavam. – Mas dessa vez eu acho que não sei o que dizer. Para ela, óbvio
Tudo bem, seu plano não tinha funcionado muito bem. Pelo olhar de Sieg, ele havia perdido ainda mais sua confiança. Era difícil para Arthas saber o que fazer naquele momento, pois sua confiança era praticamente inabalável. Tinha noção de suas notórias qualidades e não temia isso. Opiniões alheias não lhe eram muito importantes, já que sempre esteve só. Apesar de cercado de diversas pessoas, nunca pensou ter amigos de verdade, isso porque julgava que caso descobrissem sua verdadeira natureza, iriam embora tão rápido quanto haviam chego. Encarou o garoto novamente, quase o invejando. Quem dera as únicas preocupações de Arthas fossem algumas paixões impulsivas? Cuja única acusação com a qual teria que lidar era de ser “virgem”. Aquela jovialidade emanando dele com uma aura de pureza assombrosa. Sieg não lembrava da guerra, da fome, dos medos dos seres humanos, de nada. Apenas da mais comum e sincera paixão.
Sinceramente, ele não ligava para aquilo. Mas interpretara seu papel tão bem, por tanto tempo, que mal sabia como ser outra coisa. Colocou as mãos nos ombros dele e encarou no fundo de seus olhos. – Você vai comer aquela garota, está me ouvindo? – afirmou com tanta certeza que qualquer outra suposição parecia meramente falsa. – O plano é o clássico: Um homem vai tentar assaltar ela, você vai lá e a salva. Simples, prático, rápido, eficiente. Seja o herói dela. – olhou em volta, procurando qualquer membro meramente suspeito. Avistou um garoto esfarrapado e foi até ele, ajoelhando-se a sua frente. – Garoto, preciso que me faça um favor. – disse, colocando algumas moedas na mão dele. – Vê aquela garota? Precisa tentar pegar a bolsa dela, mas aquele menino estranho vai te impedir, certo? Ele tá tentando ficar com ela. O que acha? – o menino concordou com a cabeça e logo saiu. Arthas levantou-se novamente e foi até Sieg. – Feito. Vê se não fode tudo.
Sieghart levou a mão ao topo da testa. Puta que pariu. Mas que ideia mais fraca aquela do Arthas. Ou que ideia mais fraca ainda aquela que o levou a dirigir-se ao mais velho em primeiro lugar. Salvá-la de um pseudo-assalto? Céus, o jovem realmente não sabia se era para rir ou se deveria sentar por ali mesmo e chorar. Porém, já era tarde demais para parar o cavaleiro de justas. O menininho encontrado por ele já estava avisado, e praticamente indo para a ação. O comerciante já estava mais do que metido, e foi com um "não foderei", um tanto quanto ambíguo que deixou o amigo como espectador da vergonha que passaria. O garotinho não foi dos melhores atores. Via-se claramente que o pequeno jamais havia tentado nada parecido com um assalto, e mais assemelhava-se a uma barata tonta do que a um ladrão. Não conseguiu tomar a bolsa das mãos da mulher, que com um movimento puxou o objeto e também o garoto para perto de si. Esse olhou para Sieg, meio numa súplica, meio confuso, meio inseguro... Numa mescla de metades um tanto quanto suspeita para sua falsa vítima. Mas o jovem foi a ela mesmo assim, finalmente forçando suas pernas a moverem-se, sem ter certeza se essa iniciativa vinha dele próprio ou se Arthas o teria empurrado. Aproximou-se da dupla que povoava o cenário daquela cena planejada, e, corando, puxou o braço do jovem meliante, fazendo com que a bolsa da mulher lhe escapasse entre os dedos. Por meio de alguns patéticos "vá embora", "você não deve fazer isso" e "deixe-a em paz", extremamente mal atuados, simulou um empurrão ao garoto, que obedientemente (até demais) foi embora, deixando o rapaz a sós com a loura. Droga. Arthas sequer lhe dera uma ideia fraca para aquele momento. Simplesmente tinha em si os olhos e a total atrnção daquela mulher. As palavras que sairiam de sua boca em seguida, porém, ainda lhe eram mistério.
Não aceite conselhos do Arthas - Arthas e Sieghart {SMALL}
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Arthas tinha razão. Era lógica, simples lógica, e era inegável que em seu raciocínio não havia falhas. Não era comum que Sieghart admitisse algo assim em voz alta para o amigo, mas daquela vez estava prestes a fazê-lo. E teria feito, realmente, se o cavaleiro não tivesse utilizado aquela palavra. Virgem? Aquilo era sério? Não, virgem não… Pigarreou ruidosamente antes de começar a reclamar, cerrando os olhos ao sentir as sutis porém incômodas pontadas de dor que o homem provocava ao mexer, sem delicadeza ou cuidado algum, em seus fios negros, ocasionalmente arrancando um ou um punhado de suas raízes.
–Virgem não. – inicialmente aquele foi seu único protesto. O que mais ia dizer? Que também não era branco? A palidez de sua pele era algo tão evidente quanto a própria existência, juntamente com a magreza da qual seu corpo era dotado. Não que achasse que aquilo fosse confiar a ele, realmente, uma aparência de um virgem trancafiado num quarto escuro por tempo demais, mas, daquela vez, talvez por estar circundando tamanha beleza como era a que possuía aquela mulher, sentiu a face ruborizar com leveza. A insegurança lhe mordia as pontas do espírito, e foi então que percebeu que as palavras lhe haviam sido arrancadas. – Arthas… Ér… Você sabe que isso não costuma a acontecer comigo… – pronunciava as palavras devagar, como se não soubesse como elas terminavam. – Mas dessa vez eu acho que não sei o que dizer. Para ela, óbvio
Tudo bem, seu plano não tinha funcionado muito bem. Pelo olhar de Sieg, ele havia perdido ainda mais sua confiança. Era difícil para Arthas saber o que fazer naquele momento, pois sua confiança era praticamente inabalável. Tinha noção de suas notórias qualidades e não temia isso. Opiniões alheias não lhe eram muito importantes, já que sempre esteve só. Apesar de cercado de diversas pessoas, nunca pensou ter amigos de verdade, isso porque julgava que caso descobrissem sua verdadeira natureza, iriam embora tão rápido quanto haviam chego. Encarou o garoto novamente, quase o invejando. Quem dera as únicas preocupações de Arthas fossem algumas paixões impulsivas? Cuja única acusação com a qual teria que lidar era de ser “virgem”. Aquela jovialidade emanando dele com uma aura de pureza assombrosa. Sieg não lembrava da guerra, da fome, dos medos dos seres humanos, de nada. Apenas da mais comum e sincera paixão.
Sinceramente, ele não ligava para aquilo. Mas interpretara seu papel tão bem, por tanto tempo, que mal sabia como ser outra coisa. Colocou as mãos nos ombros dele e encarou no fundo de seus olhos. – Você vai comer aquela garota, está me ouvindo? – afirmou com tanta certeza que qualquer outra suposição parecia meramente falsa. – O plano é o clássico: Um homem vai tentar assaltar ela, você vai lá e a salva. Simples, prático, rápido, eficiente. Seja o herói dela. – olhou em volta, procurando qualquer membro meramente suspeito. Avistou um garoto esfarrapado e foi até ele, ajoelhando-se a sua frente. – Garoto, preciso que me faça um favor. – disse, colocando algumas moedas na mão dele. – Vê aquela garota? Precisa tentar pegar a bolsa dela, mas aquele menino estranho vai te impedir, certo? Ele tá tentando ficar com ela. O que acha? – o menino concordou com a cabeça e logo saiu. Arthas levantou-se novamente e foi até Sieg. – Feito. Vê se não fode tudo.
Sieghart levou a mão ao topo da testa. Puta que pariu. Mas que ideia mais fraca aquela do Arthas. Ou que ideia mais fraca ainda aquela que o levou a dirigir-se ao mais velho em primeiro lugar. Salvá-la de um pseudo-assalto? Céus, o jovem realmente não sabia se era para rir ou se deveria sentar por ali mesmo e chorar. Porém, já era tarde demais para parar o cavaleiro de justas. O menininho encontrado por ele já estava avisado, e praticamente indo para a ação. O comerciante já estava mais do que metido, e foi com um "não foderei", um tanto quanto ambíguo que deixou o amigo como espectador da vergonha que passaria. O garotinho não foi dos melhores atores. Via-se claramente que o pequeno jamais havia tentado nada parecido com um assalto, e mais assemelhava-se a uma barata tonta do que a um ladrão. Não conseguiu tomar a bolsa das mãos da mulher, que com um movimento puxou o objeto e também o garoto para perto de si. Esse olhou para Sieg, meio numa súplica, meio confuso, meio inseguro... Numa mescla de metades um tanto quanto suspeita para sua falsa vítima. Mas o jovem foi a ela mesmo assim, finalmente forçando suas pernas a moverem-se, sem ter certeza se essa iniciativa vinha dele próprio ou se Arthas o teria empurrado. Aproximou-se da dupla que povoava o cenário daquela cena planejada, e, corando, puxou o braço do jovem meliante, fazendo com que a bolsa da mulher lhe escapasse entre os dedos. Por meio de alguns patéticos "vá embora", "você não deve fazer isso" e "deixe-a em paz", extremamente mal atuados, simulou um empurrão ao garoto, que obedientemente (até demais) foi embora, deixando o rapaz a sós com a loura. Droga. Arthas sequer lhe dera uma ideia fraca para aquele momento. Simplesmente tinha em si os olhos e a total atrnção daquela mulher. As palavras que sairiam de sua boca em seguida, porém, ainda lhe eram mistério.
wait... what? // Melorie & Sieghart (SMALL)
F L A S H B A C K
Sighart respirou fundo. Tudo bem, ele entendia, mas, ao mesmo tempo, não podia conseguir evitar que um pouco da discreta decepção que sentia rondasse o ar à volta deles. - Entendo. Faz sentido, eu só… Bem, achei que depois de te mostrar aquilo… A poesia e tudo mais… Não achei que… Ah, não importa. - perdeu-se nas palavras. Simplesmente queria dizer que não esperava uma mentira tão vã de alguém para quem mostrara o poeta que carregava no peito. Se ela sabia -se era assim tão óbvio- que mais hora menos hora seria descoberta, por que é que insistira em mentir para ele? Ah, não importava. Pelo menos ele agora sabia onde a podia encontrar. Se é queisso importava.
Ia afastando-se dela devagar. Não tinha muito mais o que continuar da conversa, então… Então simplesmente foi virando as costas e indo. Até que lembrou-se do vestido que trajava. Parou, limitando-se a olhar para baixo e deixar com que seu rosto queimasse em vergonha. Sequer podia rezar para que a princesa não percebesse. Não havia maneira de não perceber. Não era possível que tinha feito mesmo aquilo. Não de vestido…
Melorie não havia percebido o que tinha feito até ouvir o tom decepcionado do menino. Era incrível como ela conseguia agir sem pensar, mesmo que fosse por conta de algo maior. Ela, como princesa, não deveria nem mesmo se relacionar com pessoas de fora do castelo, fazer amigos, pois isso ou a colocaria em perigo ou poderia colocá-los. Quem sabe estivesse exagerando ao pensar dessa forma, ela sempre foi assim mesmo, intensa ao lidar com as coisas. — Sieg… — Começou a falar, então notando que ele se virou para ir embora. A menina mordiscou o lábio inferior, pensando no que fazer, no que falar. — Você foi um doce ao compartilhar de sua poesia comigo. Não era minha intenção chateá-lo, de forma alguma.
Avançou para o seu lado e estendeu a mão para tocar seu ombro, afim de pará-lo. Não poderia acabar com uma de suas primeiras amizades, ou seja lá o que isso fosse, por um motivo tão bobo. — Eu ainda quero ter conversas daquele tipo mais vezes. — Ela sorriu. — E, veja bem, até que esse vestido não ficou tão ruim em você.
O rapaz teria mesmo ido se a mão leve de Melorie não o tivesse parado. Mas ela o fez. E as palavras doces que, em seguida, saíram de seus lábios, colocaram um sorriso nos do menino sem muita dificuldade. - Eu acho que eu entendo. –tudo bem, talvez fosse uma mudança um tanto quanto brusca no humor do jovem comerciante, mas aquilo, na verdade, lhe era apenas o normal. Alargou ainda mais a alegria representada em sua boca quando a moça citou as conversas, a poesia... Tudo aquilo que lhe tocava dentro do peito. – Nós teremos, Mel. Não se preocupe. E, dito isso, ele teria saído quase que graciosamente, mas o inoportuno comentário do vestido o fez corar e abrir para a princesa um sorriso amarelo. –Sobre isso... – e deixou a frase morrer no ar.