Não aceite conselhos do Arthas - Arthas e Sieghart {SMALL}
sieg-ewbolt
Sieghart levou a mão ao topo da testa. Puta que pariu. Mas que ideia mais fraca aquela do Arthas. Ou que ideia mais fraca ainda aquela que o levou a dirigir-se ao mais velho em primeiro lugar. Salvá-la de um pseudo-assalto? Céus, o jovem realmente não sabia se era para rir ou se deveria sentar por ali mesmo e chorar. Porém, já era tarde demais para parar o cavaleiro de justas. O menininho encontrado por ele já estava avisado, e praticamente indo para a ação. O comerciante já estava mais do que metido, e foi com um “não foderei”, um tanto quanto ambíguo que deixou o amigo como espectador da vergonha que passaria. O garotinho não foi dos melhores atores. Via-se claramente que o pequeno jamais havia tentado nada parecido com um assalto, e mais assemelhava-se a uma barata tonta do que a um ladrão. Não conseguiu tomar a bolsa das mãos da mulher, que com um movimento puxou o objeto e também o garoto para perto de si. Esse olhou para Sieg, meio numa súplica, meio confuso, meio inseguro… Numa mescla de metades um tanto quanto suspeita para sua falsa vítima. Mas o jovem foi a ela mesmo assim, finalmente forçando suas pernas a moverem-se, sem ter certeza se essa iniciativa vinha dele próprio ou se Arthas o teria empurrado. Aproximou-se da dupla que povoava o cenário daquela cena planejada, e, corando, puxou o braço do jovem meliante, fazendo com que a bolsa da mulher lhe escapasse entre os dedos. Por meio de alguns patéticos “vá embora”, “você não deve fazer isso” e “deixe-a em paz”, extremamente mal atuados, simulou um empurrão ao garoto, que obedientemente (até demais) foi embora, deixando o rapaz a sós com a loura. Droga. Arthas sequer lhe dera uma ideia fraca para aquele momento. Simplesmente tinha em si os olhos e a total atenção daquela mulher. As palavras que sairiam de sua boca em seguida, porém, ainda lhe eram mistério.
Encarou como tudo se desenrolou com um sorriso nos lábios. Enquanto sentado observava a direção dos acontecimentos, pensava em arrependimentos. Aquela vida que levava, cercado de pessoas que realmente o admiravam e gostavam dele, aquilo poderia ser real, poderia ser completamente dele... Caso se dispusesse a largar todo aquele sonho louco de poder e fama, se decidisse simplesmente seguir o papel que tão bem interpretava, tudo seria mais fácil e rápido. Por vezes se questionava se aquela não seria sua verdadeira personalidade. Contudo, deitado a noite, sozinho em seu quarto, sentia a solidão novamente. Onde estavam aqueles “amigos” que afirmara ter? Todos o viam como alguém divertido, de companhia agradável, mas não memorável. Não era levado a sério devidamente. Quando realmente precisavam dos amigos, recorriam a outros braços e quando ele precisava de alguém... Bem, tinha que lidar sozinho. E assim cresceu e se moldou, na escuridão e na solidão, enganando a todos pela brilhante vela que segurava. Mas a luz distorcia sua expressão e lágrimas transformavam-se em sorrisos. Respirou fundo e deu de ombros. Levantou-se da posição de cócoras com a qual os fitava e foi até eles, mostrando seu sorriso brilhantemente. -- Sieg, sinto muito, mas essa atuação foi péssima. -- disse inesperadamente, ao lado da garota -- Duvido que essa bela e inteligente dama tenha acreditado em tudo isso. -- seu plano nunca fora interpretar aquele papel, mas sim infundir uma falsa confiança na menina -- Foi uma péssima ideia essa a minha. Senhorita, peço perdão pelo que acaba de acontecer, foi uma desastrosa invenção minha. O rapaz a observava e comentava o quão bela a senhorita era e não pude evitar de armar tal plano para aproxima-los. E bem, por mais fortes que fossem as negações vindas da parte dele, o obriguei, como seu mentor mais velho. -- Aquela era uma inversão de papéis interessantes. Colocava Sieg como um membro genuinamente honesto e inteligente enquanto Arthas era tolo e sujo. Fazer aquela oposição de personalidades certamente levaria a garota a pensar mais afundo sobre o rapaz. -- Enquanto ele dizia que apenas viria aqui cumprimentá-la, insisti que daria errado. -- agora colocava o menino como alguém corajoso e destemido e apenas faltava um toque de indiferença para não faze-lo parecer desesperado -- Ele também disse que não valia a pena, mas novamente insisti, inebriado pela bela aparência, cego pelo exterior. Enquanto ao meu amigo, isso apenas não basta. Peço que ignore toda a situação enquanto me retiro e ele a explica melhor. Suas palavras poéticas são mais aptas que as minhas desleixadas. -- curvou-se e se afastou, esperando que Sieg fizesse as coisas do jeito certo. Havia lhe entregado de bandeja, não poderia fazer mais nada. Caso ele fosse polido e astuto o suficiente, ela certamente cairia, pois agora tinha a necessidade de provar-se mais que um rostinho bonito apenas. E xeque-mate.









