Demorei para aceitar, mas finalmente percebi, eu sou caos, aprendi a expor toda a dureza do meu ser e toda a falta de essência dele. Nos últimos meses acabei reconhecendo, eu estava vazia, não sentia, não era e nem queria ser nada mais que um grande nada. Me tornei a mistura das piores coisas e de tudo que eu dizia que era ruim, tentei me afogar em amores rasos e tentei a qualquer custo sentir algo por qualquer um. Fiz besteiras, tive extensas noites de bebedeiras e cheguei até a cometer o erro de me entregar para qualquer um. Magoei pessoas, acabei com elas por motivos fúteis e desnecessários, que custaram muito mais que uma noite de lágrimas. Me perdi no caminho achando que estava tudo indo muito bem, me deixei levar por amigos, colegas e até mesmo por inimigos.
Por tantas vezes coloquei um sorriso no rosto, repetindo para mim mesma no espelho que estava tudo bem. E eu, por vezes, acreditei que realmente estava. Engoli lagrimas e mais lagrimas, dizendo ser forte e dura, acreditando que eu não chorava. De tantas lágrimas que engoli, transbordei em horas erradas, sentimentos mais errados ainda. Fingi ser indiferente quando na verdade, tudo que eu mais queria era gritar bem alto. Gritei alto demais, quando tudo o que deveria, era ser indiferente.
Pensei em te ligar várias vezes, pedir socorro e implorar que tu me ouvisse outra vez. Percebi que na realidade eu não precisava mais de você, precisava de mim.
Foi quando descobri que eu estava perdida, não era mais aquela que se preocupava com os amigos e preferia muito mais ficar em casa do que sair para uma noite de balada; realizei que por muitas vezes, deixei a bebida com a imperfeita combinação masculina, atrapalhar as noites em que eu só deveria dançar com minhas amigas, sem encher excessivamente a cara e sair beijando qualquer um por aí. Coloquei tantas vezes pessoas antes de outras, que deveriam ser mais importantes, que eu deveria ter dado mais importância do que eu estava dando no momento.
Meu Deus, como errei esse ano. Do fundo do meu coração eu deveria me desculpar com cada um, mas eu não posso. Cada erro desnecessário, incalculado e aparentemente frio, me transformou no que me tornei hoje. Não o monstro, que não sente nada e que se faz de dura. Mas sim a mulher que se arrepende de cada atitude, de cada feito, de cada desastre e que pretende ser melhor.
Esse foi o ano que mais me arrependi, mas também qual eu mais cresci. Não posso dizer que aprendi, mas estou no processo. Entendendo o que não posso fazer, sabendo que a vida não é um conto de fadas e que cada erro, tem sua consequência. Reaprendendo que não posso esperar o melhor das pessoas, infelizmente nem todas querem expor seu melhor. Guardando como lição que não posso e não devo fingir, fingir que estou bem, feliz e que tudo está mil maravilhas. Quando, na verdade, está uma merda. Aprendi, que eu não posso tentar tapar o buraco do meu coração com qualquer amor raso e fácil, amor não é fácil e eu não tenho a capacidade de amar agora.
Entendi que te arrancar de mim foi difícil, mas que agora as coisas estão ficando fáceis, entendi que não posso agir como se você não tenha existido, nem fingir que eu não sinto nada, porque eu sinto sua falta e te quero sempre bem. Entendi com o terminar do ano, que acabar algo não é fácil e pode acabar com alguém, mas percebi que não preciso me acabar por sua causa. - Larissa.


















