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@sinestesiaindigena-blog
Imagens do grande pintor Carybé são impressas na estamparia digital em tecidos de algodão reciclado, para o françes Bruno Duflos, que transforma tudo em produtos sofisticados para comercialização.
Olhe que resultado interessante.
toantes pankararu
ritual de cansanção
Maracá é instrumento indígena usado nas solenidades religiosas e guerreiras: bapo, maracaxá e xuaté. É feito de cabaça, coco ou cuité com pedrinhas, sementes no seu interior. É enfeitado com penas e é também provido de um cabo onde o executante segura para sacudí-lo.
O maracá é classificado como um instrumento idiofônico executado por agitação.
O povo Pankararú é originário de Pernambuco. Apesar de terem perdido a língua materna seus costumes tradicionais, ainda conservam uma cultura diferenciada com vários rituais e danças, como o toré. Nessa dança, que ocorre em momentos de lazer, participam os praiás, que sempre aparecem com uma máscara típica, e roupa de palha. Texto extraído do livro "Conhecendo o Mundo Indígena - Caderno de Atividades para Séries Iniciais" Autores: Benedito Prezia e Equipe da Pastoral da Arquidiocese de São Paulo - Ed. Paulinas
Registro de tore dos Kariri-xoco
Indigenas da etnia Kariri-Xoco cantam e dancam seu ritual tradicional, o tore
Registro do Toré do Milho de 2009, realizado no dia 14 de abril na Reserva Indígena do Bananal em Brasília.
Nossos passos...
Visitamos o museu do índio, lá pudemos conferir o acervo, e, principalmente emergir em pesquisas. Nos deparamos com um interessantíssimo acervo audivisual, disponibilizando de uma série de vídeos de rituais, etnográficos, e riquíssimas gravações de áudio. Ao constatar toda essa pluralidade dentro de um mesmo tema, que até então considerávamos um entre os quatro sistemas primeiramente propostos, resolvemos repensar o foco do projeto e optamos por trabalhar o panorama da percussão dentro do universo indígena. Assim sendo, pesquisaríamos mais dentro deste universo e voltaríamos no museu num outro dia, com objetivos mais focados, já sabendo previamente o que de fato iríamos pesquisar.
Com o recorte, ao pesquisarmos a música indígena percebemos o quão entrelaçada estava a mesma com relação ao ser, ao estar, ao sentir do índio. A sua existência, seus atos, perpassam a todo tempo pela musicalidade, e ao falarmos dessa musicalidade seria um enorme erro ignorar o contexto em que se insere, o ritmo que acontece, como as coisas perpassam a musicalidade, como os atos ganham naturalmente melodias, bem como não nos limitarmos a percussão, quando na verdade está tudo completamente integrado... canta-se para colher, para agradecer, para passagem, para a natureza, para nascimento, para morte. Rituais, festejos, celebrações, musicas, sonoridade, sinestesia. A musica é intrínseca a vida do índio.
Ao procurarmos por rituais, o que mais nos chamou a atenção foi o ritual do toré, praticado principalmente por tribos do nordeste do Brasil, o Toré é símbolo da identidade indígena e toda sua unidade e diferenciação, alem de praticado para outros fins, como por exemplo, como reza, como gratidão e colheita. Como a “causa” do Toré pode ser muito diversa, decidimos focar em quatro tribos nordestinas para desenvolver melhor a nossa abordagem: kariri-xocó, fulni-ô, pankararu e kalankó, localizadas em Pernambuco e Alagoas.
Toré e Jurema
Toré e jurema são os dois principais ícones da indianidade nordestina. São elementos culturais que, embora não exclusivos das sociedades indígenas, codificam a autoctonia dos índios da região Nordeste do Brasil. O toré é uma tradição indígena de difícil demonstração substantiva por conta da variação semântica e das diversas formas de suas realizações práticas entre as sociedades indígenas e fora delas. Trata-se, a princípio, de uma dança ritual que consagra o grupo étnico. Não se pode, além disso, precisar uma origem do termo e até do ritual do toré pela ausência de narrativas coloniais a seu respeito. O toré ganha visibilidade (e a relevância atual) a partir de um processo social que se inicia na primeira metade do século XX. Hoje, o toré está inclusive totalmente incorporado ao movimento indígena no Nordeste como forma de expressão política.
A jurema, por seu turno, pode ser uma planta, uma bebida e uma entidade. De fato há uma série de espécies botânicas referidas como jurema. A Mimosa tenuiflora (Willd). Poir é uma das que mais chamam a atenção pela alta concentração de N-N-dimetiltriptamina (DMT) que apresenta. Isto é, uma substância capaz de promover intensas alterações de consciência e percepção. Das cascas das raízes dessas plantas são elaboradas beberagens usadas ritualmente por grande número de sociedades indígenas no Nordeste. Os grupos indígenas que não usam essa bebida fazem referência constante à planta como dotada de forças mágicas ou cósmicas que são cultuadas ou, pelo menos, reconhecidas enquanto portadoras de influências oriundas das matas nativas. Há, por fim, a idéia de que jurema é uma entidade, uma personificação espiritual das citadas forças das florestas brasileiras. Este último sentido é mais próprio às religiões afro-ameríndias (ou afro-brasileiras), que substituíram a planta bebida por uma representação de forças nativas.
Jurema e toré são, portanto, elementos sagrados e, apesar de sua difusão ritual ou simbólica em contextos não-indígenas, eles são sempre marcadores nativos que indicam, afirmam e delimitam a presença (inclusive espiritual) indígena na sociedade brasileira. Nos rituais das religiões brasileiras onde existem torés, estes são sempre um espaço indígena. Do mesmo modo com relação à jurema. Claro que existem outras entidades e outros espaços indígenas nessas religiões, mas o importante aqui é que eles são tradições e símbolos que são atualizados pelos próprios grupos indígenas.