Guided by a beating heart,I can't tell where the journey will end but I know where to start.
vincefilippini:
Virou no exato instante em que a garota começou a ter um ataque de pânico e também a despejar milhões de perguntas pela boca. Quis gritar de volta, mandando-a ficar quieta porque ele precisava pensar. Só que imediatamente se lembrou de ter tido uma reação parecida com a dela quando havia percebido quem era. Vince tinha seis anos na época, mas imaginou que a reação exagerada não estava relacionada com a idade.
Passou a língua sobre os dentes, dirigindo o olhar da garota para Jojen e depois de volta a ruiva. - Você está ficando velho!- murmurou para Jojen antes de se aproximar da menina. Quanto antes ela entendesse e digerisse aquilo, melhor seria para todo mundo. E quem melhor para explicar a ela o que é ser um semideus… se não outro semideus?
Decidiu que se prestaria a esse papel pelo bem de todos. Vince revirou os olhos e respirou fundo, procurando calma. - Sei que você tem muito mais perguntas de onde vieram essas, e todas serão respondidas no momento certo. Agora preciso que preste muita atenção porque não vou me repetir, entendeu? - ele a olhou nos olhos, entediado. Não esperou resposta antes de continuar. - Tudo o que eu vou dizer vai parecer loucura, mas é a verdade. Então coloque a lógica e o que é possível de lado e abrace a loucura e o impossível por alguns minutos. - ergue uma sobrancelha, deixando claro que não estava brincando. - Um! Deuses existem…Deuses gregos existem e tiveram vários filhos com os mortais, com humanos. E os filhos deles são meio deuses e meio humanos. Chamados de semideuses, meio-sangues, etc. Dois! - fez o sinal com os dois dedos. - Nós somos semideuses. Eu, você e mais uma penca de gente. Três! Montros e outras criaturas da mitologia também são reais. Todas elas! Esses monstros que você viu caçam semideuses para almoçar. Sente o nosso cheiro celestial a milhares de quilometros. Por isso estavam atrás de você, pra te matar! - arregalou os olhos e aproximou mais o rosto do da garota, fazendo uma cena exageradamente dramática, como seu habitual. - MAS NEM TUDO ESTÁ PERDIDO! - falou mais alto e de forma teatral. - Os deuses - ó bom deuses- fizeram um lugar onde seus filhos estariam seguros desses monstros. O Acampamento Meio-Sangue. Em Long Island. - Indicou o sátiro com um aceno e continuou: - Jojen trabalha lá. Ele é um sátiro que vai atrás de semideuses e os leva para a segurança do acampamento. Não fosse pelo medo dele de Ciclopes, nós todos já estaríamos lá. Jantando. - lançou um olhar zangado para o sátiro que mostrou-lhe a lingua em resposta. Vince então voltou a olhar para ruiva. - Existe a névoa também. Uma magia poderosa que esconde a verdade dos olhos mortais. E é por isso que apenas nós conseguimos ver o que aconteceu na sua escola. - Vicenzo bocejou, dando as costas para a garota e seguindo para a rua da direita. Finalmente conseguiu se lembrar da parede pichada com a gárgulha. - Por aqui! Ah, e pra finalizar…O seu pai provavelmente já sabia que dormiu com uma deusa grega, é obvio. Ele não te contou nada disso porque achava que estaria te protegendo. Eles sempre acham… Quem é sua mãe? Não sei. Mas talvez ela se revele quando chegarmos ao acampamento. Agora vamos indo!. Em si-lên-cio!
Sentia a garganta seca depois de toda aquela falação, o estômago também estava vazio, poisa ultima coisa que comeu foi um saco de amendoins servidos no avião pouco antes de pousar. Tentou esquecer a sede e a fome e se focar no caminho que seguiam. As ruas eram mais escuras ali, com vendedores de drogas e mulheres da noite espalhadas em cada esquina. Vince em um momento de reflexo segurou o relógio prateado no pulso; era sua espada banhada no Rio Estige em sua forma camuflada. Ela o protegera inúmeras vezes, desde que ganhara do pai aos oito anos. Não permitiria que a roubassem, mas não podia usá-la contra mortais, por isso cobriu o relógio com a manga da blusa.
Enquanto seguia ruela adentro, percebeu os olhares das pessoas sobre o trio. Pelo canto do olho viu Jojen segurar o braço da ruiva e trazê-la para mais perto, assim todos ficariam juntos. - Por aqui. - orientou-os a virar a direita, onde adentraram enfim em uma rua deserta e sem saída.
Skyler ouviu cada palavra que ele disse. Cada palavra soava em sua mente e em seu corpo como um golpe. O medo percorria seus membros, e de certa forma, ela acreditava em tudo. Ai mesmo tempo que acreditava no que ele dizia, sentia-se aquecer e fraquejar. Ela queria falar, queria dizer que eles não podiam conhecer sua identidade mais do que ela mesma. Mas as coisas estavam se tornando tão claras. Skyler sempre fora boa em fazer amigos, tinha um círculo imenso de amizades, e as pessoas gostavam facilmente dela. Mas nunca se sentira de fato em seu lugar. Volte e meia, sentia-se deslocada e sozinha, sentimento que passava pouco tempo depois. Talvez esse fosse o motivo. Talvez ela realmente não pertencesse ao mundo no qual passara toda sua vida.
Seus olhos se encheram de lágrimas. A fragilidade tomara conta de seu corpo, assim como a insegurança - sentimento que não costumava apresentar. Acabou assentindo pra ele, sem responder nada pro mesmo. Não havia nada que podia dizer ou expressar. Era chocante, era difícil, era um tanto quanto assustador. E conforme ele foi andando, foi indo atrás dele. Passou os dedos pelos olhos, discretamente, tirando as lágrimas que embaçavam sua visão. Em seguida, apertou as alças da mochila contra seus ombros. Tinha que se manter forte. Odiava mostrar-se frágil
Depois de alguns minutos no silêncio, ela decidiu voltar a falar, bem baixinho “Meu nome é Skyler, aliás” O sátiro sabia seu nome, mas o outro semideus não, ou pelo menos ela achava que não. Ela olhou pra Jujan em seguida e deu um sorrisinho fraco “E não da pra ter uma ideia agora de quem é a minha mãe?” a frase também saiu baixinho, e isso a fez encolher os ombros de leve. Aquela dúvida estava lhe matando. Quem era a deusa que havia lhe dado a luz e nunca se quer tentado conversar com ela?
Passo atrás de passo, ela se sentia nervosa. Nervosa por tudo que estava acontecendo e por tudo que ia acontecer. Tentava respirar e manter o foco, mas era difícil. Ela seguiu os olhos para os dedos do sátiro que agora seguravam seu braço e franziu o cenho ao notar onde estavam. Aquele local era um beco, e provavelmente o outro meio sangue estava perdido, o que a deixava agoniada. Ela ja estava odiando a ideia de estar sendo guiada em sua cidade para algum lugar. A frustração aumentava por ele estar indo pro lado errado. Skyler negou com a cabeça "A rua é sem saída, acho que você não sabe o caminho"














