Guided by a beating heart,I can't tell where the journey will end but I know where to start.
skylerabromovitz
A manhã começara tranquila. Mais um dia de escola comum. A dona dos cabelos ruivos estava no penúltimo ano do ensino médio, Junior year. Aulas entediantes, como sempre. Ela não ia lá muito bem na escola. As notas eram sempre a discussão em sua casa. Seu pai era menos rígido, mas a madrasta costumava cobrar bastante dela. Apesar disso, no fim do período da manhã, algo estranho aconteceu. Primeiramente um rapaz chamado Jojen disse que ela corria perigo e que precisava ir com ele urgentemente. Em seguida, criaturas estranhas começaram a aparecer ao redor da escola, e ninguém mais notava, a não ser os dois. A primeira reação de Skyler foi gritar com o outro jovem, dizendo que ele estava brincando com ela, afinal, qual era a chance de um monstro de um olho só existir?
Algumas verdades começaram a ser reveladas, então. Era difícil absorver tudo aquilo, acreditar era mais ainda. Mas no momento em que fora atacada e quase pega por um monstro estranho demais aos seus olhos, ela acreditou em cada palavra que o tal garoto lhe falava. Ele se revelou ser meio animal, meio humano. Disse o nome, mas ela não se lembrava bem. Estava nervosa demais. Sky, um tanto quanto histérica - como sempre-, falava alto pra Jojen resolver aquilo. Eles estavam escondidos, e ele dizia que estavam esperando alguém, e que logo tudo se resolveria.
Esse alguém, enfim, chegou. Um rapaz, que pelo que havia entendido, era como ela. Um… semideus? Era isso? Eram tantas informações pra assimilar. E enquanto pensava, uma batalha ocorria, e ninguém mais conseguia ver: como aquilo era possível? A ruiva queria gritar, queria chamar seu pai, queria fugir. Mas continuava ali, se escondendo na escada da escola, observando o que acontecia por uma pequena janela que havia ali.
A luta fora insana para seus olhos, mas enfim, conseguiram fugir.
Ouviu o rapaz mais a frente falando para andarem mais rápido e revirou os olhos “Não é como se eu estivesse muito animada, vocês tão praticamente me obrigando a ir” ela disse irritada. Havia pedido para ir falar com seu pai, mas eles disseram não várias vezes. Era perigoso demais. Mandara algumas mensagens de texto, dizendo que explicaria melhor depois, mas que estava bem. Que visitaria o mais rápido possível, e que tinha algo a ver com sua mãe. Seu pai, surpreendentemente, respondeu a mensagem rápido. “A hora chegou, te desejo boa sorte, minha filha, te amo. Volte sempre que quiser e precisar. Fale comigo quando possível”. Ele sabia. Ele sabia daquilo tudo, mas nunca contara nada. Skyler havia vivido uma grande mentira, e precisava desmentir o mais rápido possível.
Seu coração estava disparado, suas mãos geladas, suando. As palavras começaram a saltar de sua boca, mais alto do que ela queria “Alguém pode parar por um segundo de correr e me dizer direito o que está havendo? Por favor? Pra onde estamos indo? Que bichos loucos eram aqueles que vocês mataram? Como ninguém viu nada? Vocês a conhecem a minha mãe? Por que meu pai sabe disso? Eu não estou entendendo nada!” as poucas informações que havia recebido, ela não conseguia assimilar, juntar os pedaços, ou entender. Era muita coisa, muita loucura. Não dava pra acreditar. Ela parou de andar “Eu conheço Nova York como a palma da minha mão. Eu posso ajudar, se me deixar ajudar. Mas eu quero que vocês me ajudem a entender!”
Virou no exato instante em que a garota começou a ter um ataque de pânico e também a despejar milhões de perguntas pela boca. Quis gritar de volta, mandando-a ficar quieta porque ele precisava pensar. Só que imediatamente se lembrou de ter tido uma reação parecida com a dela quando havia percebido quem era. Vince tinha seis anos na época, mas imaginou que a reação exagerada não estava relacionada com a idade.
Passou a língua sobre os dentes, dirigindo o olhar da garota para Jojen e depois de volta a ruiva. - Você está ficando velho!- murmurou para Jojen antes de se aproximar da menina. Quanto antes ela entendesse e digerisse aquilo, melhor seria para todo mundo. E quem melhor para explicar a ela o que é ser um semideus… se não outro semideus?
Decidiu que se prestaria a esse papel pelo bem de todos. Vince revirou os olhos e respirou fundo, procurando calma. - Sei que você tem muito mais perguntas de onde vieram essas, e todas serão respondidas no momento certo. Agora preciso que preste muita atenção porque não vou me repetir, entendeu? - ele a olhou nos olhos, entediado. Não esperou resposta antes de continuar. - Tudo o que eu vou dizer vai parecer loucura, mas é a verdade. Então coloque a lógica e o que é possível de lado e abrace a loucura e o impossível por alguns minutos. - ergue uma sobrancelha, deixando claro que não estava brincando. - Um! Deuses existem…Deuses gregos existem e tiveram vários filhos com os mortais, com humanos. E os filhos deles são meio deuses e meio humanos. Chamados de semideuses, meio-sangues, etc. Dois! - fez o sinal com os dois dedos. - Nós somos semideuses. Eu, você e mais uma penca de gente. Três! Montros e outras criaturas da mitologia também são reais. Todas elas! Esses monstros que você viu caçam semideuses para almoçar. Sente o nosso cheiro celestial a milhares de quilometros. Por isso estavam atrás de você, pra te matar! - arregalou os olhos e aproximou mais o rosto do da garota, fazendo uma cena exageradamente dramática, como seu habitual. - MAS NEM TUDO ESTÁ PERDIDO! - falou mais alto e de forma teatral. - Os deuses - ó bom deuses- fizeram um lugar onde seus filhos estariam seguros desses monstros. O Acampamento Meio-Sangue. Em Long Island. - Indicou o sátiro com um aceno e continuou: - Jojen trabalha lá. Ele é um sátiro que vai atrás de semideuses e os leva para a segurança do acampamento. Não fosse pelo medo dele de Ciclopes, nós todos já estaríamos lá. Jantando. - lançou um olhar zangado para o sátiro que mostrou-lhe a lingua em resposta. Vince então voltou a olhar para ruiva. - Existe a névoa também. Uma magia poderosa que esconde a verdade dos olhos mortais. E é por isso que apenas nós conseguimos ver o que aconteceu na sua escola. - Vicenzo bocejou, dando as costas para a garota e seguindo para a rua da direita. Finalmente conseguiu se lembrar da parede pichada com a gárgulha. - Por aqui! Ah, e pra finalizar…O seu pai provavelmente já sabia que dormiu com uma deusa grega, é obvio. Ele não te contou nada disso porque achava que estaria te protegendo. Eles sempre acham… Quem é sua mãe? Não sei. Mas talvez ela se revele quando chegarmos ao acampamento. Agora vamos indo!. Em si-lên-cio!
Sentia a garganta seca depois de toda aquela falação, o estômago também estava vazio, poisa ultima coisa que comeu foi um saco de amendoins servidos no avião pouco antes de pousar. Tentou esquecer a sede e a fome e se focar no caminho que seguiam. As ruas eram mais escuras ali, com vendedores de drogas e mulheres da noite espalhadas em cada esquina. Vince em um momento de reflexo segurou o relógio prateado no pulso; era sua espada banhada no Rio Estige em sua forma camuflada. Ela o protegera inúmeras vezes, desde que ganhara do pai aos oito anos. Não permitiria que a roubassem, mas não podia usá-la contra mortais, por isso cobriu o relógio com a manga da blusa.
Enquanto seguia ruela adentro, percebeu os olhares das pessoas sobre o trio. Pelo canto do olho viu Jojen segurar o braço da ruiva e trazê-la para mais perto, assim todos ficariam juntos. - Por aqui. - orientou-os a virar a direita, onde adentraram enfim em uma rua deserta e sem saída.








