Aos vinte e cinco anos, Crystal começava uma carreira promissora como médica do exercito americano. Mas uma inesperada gravidez de risco a tirou do trabalho. Crystal passa os próximos cinco anos em casa cuidando do filho. Depois de adotar o seu segundo filho, Crystal voltou a se envolver, aos poucos, com os negócios a principio vendendo a sua loja de armas para investir no novo projeto do marido. O investimento cresceu e Crystal acabou se tornando diretora executiva da empresa (porque Red sempre preferiu ficar na oficina, e alguém precisava fazer isso). Crystal nunca abandonou seu amor por armas, mas sempre manteve o hobbie escondido das crianças, ela achava ser uma má influencia.
Pela primeira vez em sua vida, Nyssa tinha orgulho em dizer que era uma semideusa romana, ainda mais ser filha de Marte. Isso sim que era um privilégio, eu pai era honroso, melhor deus romano e que se importava com todos no Acampamento Júpiter. E pela primeira vez na sua vida, não sentiu ódio por homens. Seu ódio foi passado para os gregos, eles sim que mereciam esse particular sentimento. Todo grego era ruim. Mas e Crystal? Ela principalmente, pois tinha devastado seu coração e ficado com um grego idiota. Era isso que gregos faziam, pegavam suas fraquezas e arrasavam com você. Você realmente acha isso? E… E nada, nenhum grego prestava, por isso tinham que ser eliminados. Nyssa era ótima para esse serviço. Quando o ataque começou, Nyssa estava entre os arqueiros de elite. A garota podia lutar com qualquer arma, mas arco e flecha eram seus preferidos. Como normalmente acontece em guerras, os arqueiros ficam afastados - normalmente em lugares altos - para acertar ou ajudar os guerreiros na frente de batalha. Nyssa pegava uma flecha, preparava, mirava e lançava ao alto. Parecia uma cena de filme, em que todos as flechas, muito bem coordenadas, iam os céu e faziam um arco, descendo e atingindo inimigos. Ela não se interessava em liderar, a semideusa era do tipo de fazer trabalhos independentes e importantes, muitas vezes sujos. Era o que fazia para as Amazonas. E era o que faria agora. Isso é coisa de romano? Você não é um bom soldado, você não é romana, você é um amazona. Não mais, agora Nyssa tinha um alvo bem definido, pois no meio da batalha, ela viu um alvo bem mais precioso do qualquer outro grego, um alvo pessoal. Crystal.Crystal!!
“Lembrem se, nós estamos aqui para nos defender. Os romanos virão preparados, e nós sabemos do que eles são capazes, mas também sabemos que eles estão enfeitiçados. Mesmo que lutem com um amigo de vocês, eles não se lembram disso, cabe a vocês tentarem convence-los do contrario, até que o feitiço seja quebrado, e por favor não abaixem a guarda. É isso, deem o seu melhor pelo acampamento, evitando ao máximo ferimentos letais em seus oponentes. Mas por favor, não morram.” Crystal terminou o discurso e logo em seguida uma chuva de flechas romanas caiu sobre o grupo. E era aquela a missão dada a eles, achar e anular os arqueiros de Roma. Não era uma missão tão complicada, e por isso ela à escolhera. Dessa forma poderia se afastar ao máximo do campo de batalha ainda sendo útil para o acampamento. Mesmo sendo difícil admitir, Crystal tinha medo do que e poderia acontecer caso cruzasse com algum amigo, ou mesmo conhecido, romano em campo de batalha. Dentre seus limites esse era o mais óbvio pra a filha de Atena, em uma luta real, ela nunca seria capaz de lutar contra alguém que pouco tempo antes partilhavam o mesmo lar. “Bem, vamos pegar alguns romanos.”Falou com um meio sorriso de confiança. E enquanto o grupo se embrenhava na floresta esbravejando gritos de guerra gregos ela deixou o arquejo de dor escapar. Uma das flechas romanas atravessara o seu braço direito. Crystal olhou para a pele rasgada como se não acreditasse no que via. Um ferimento logo nos primeiros minutos da luta, aquele era um ótimo sinal, pensou com sigo mesma. Enquanto os outros se afastavam, a filha de Atena encontrou uma pequena clareira de uns três metros de diâmetro para cuidar do tal ferimento com tranquilidade. Pelo menos não foi o esquerdo, tentando fazer o tal jogo do contente, porque ai ela estaria fora de combate antes mesmo do combate começar. Em parte por ser membro da enfermaria e em parte por ser hipocondríaca, Crystal sempre entrava em batalha levando um kit de primeiros socorros consigo. Terminava de amarrar a bandagem por cima do ferimento quando ouviu passos se aproximando. Por favor seja grego, seja grego, seja grego, clamou em pensamentos mas como era de se esperar, não era seu dia de sorte. O corpo que apareceu na outra extremidade da clareira não só era romano como também muito conhecido. Mas a Nyssa que se aproximava não era a sua Nyssa, ou ao menos a Nyssa que conhecia. Ela parecia diferente, Crystal a olhou tentando identificar o que havia mudado na garota. Ela vestia uma armadura completa, o que não era incomum. A aljava cheia presa as costas o arco na mão e uma lamina presa ao quadril, novamente nenhuma novidade. Crystal a analisou de cima a baixo tentando identificar a mudança que o feitiço de Marte provocara. Claramente não era nada físico, visto que ela parecia a mesma. Quando Crystal notou o que a incomodava na aparência de Nyssa não pode evitar de sentir o nó se formar na garganta. Nyssa a olhava como sempre olhou para os homens, com desprezo, nojo e ódio. Mesmo com o baque Crystal se levantou do chão e levou as mãos em duas das adagas que prendiam se em cada uma de suas coxas. Crystal estava em clara desvantagem, usava apenas o de costume para um jogo de Caça a Bandeira. Um colete de couro cozido e das mais simples armas que era capaz de usar, contra uma Nyssa completamente equipada e pronta pra matar.
Surrender Now Or Get Ready To Fight! - Athena’s Kids + Greg {Parte III}
Sentada com os pés no painel do carro de luxo que Leo havia alugado, Crystal folheava o livro de magia que Hécate à dera. A deusa, ao contrário da maioria dos imortais, fora completamente gentil com os quatro semideuses. Ela os recebeu em sua casa, deu todas as informações necessárias para acabar com o monstro que Babs criara e quando Crystal a procurou querendo informações de como manter Babs viva a deusa também a deu uma solução. Mas nem mesmo Hécate podia ser tão legal assim, e a solução que a deusa deu, bom não era das mais simples. Crys sacudiu a cabeça deixando os pensamentos sobre o que podia dar errado de lado tentando concentrar-se em seus estudos. Olhou para o retrovisor observando Luna, a gata enrolada em si mesma dormindo como sempre fizera. Ela quase se camuflava ao banco de couro do carro, a inocência da gata tornava a coisa toda pior para Crystal.
_Para de se preocupar com isso. Você vai dar um jeito – Leo disse como se ouvisse seus pensamentos tirando Crys do fluxo de pensamentos. O único para o qual Crys havia contado a ideia completa de Hécate. – E ai, como está o negócio com a magia?
_ Hm, faz um tempo que eu não tento, ela disse que uma vez que eu consiga o livro da biblioteca de mamãe a minha magia vai ficar muito mais forte, mas que eu preciso ir treinando. – Crys ergueu as mãos e murmurou as palavras no livro, uma espécie de chama em tons de roxo envolveram suas mãos, Crystal às moldou em formas de animais por um tempo então desapareceram. Ela deixou os braços caírem pesados ao lado do corpo – Isso é muito cansativo, você não faz ideia.
_ Eu imagino. Mas você é ótima nisso, até chegarmos a Washington você vai estar expert nisso irmãzinha. É só continuar fazendo o que você fez com Hefesto. – Leo tocou no seu joelho como incentivo com um sorriso no rosto. A garota sorriu de volta para o irmão. – E pensar que você estava nervosa em conhecer o sogrinho. Da próxima vez, vê se me escuta.
_Okay, seja sincero, se eu fosse a namorada da Emma o que você acharia de mim? – Perguntou ao irmão olhando o reflexo no vidro do carro. Podia parecer bobo, mas era a primeira vez que ela conhecia os pais, ou no caso o pai, de um de seus namorados. E Leo era a testemunha de que ela não estava levando aquilo tranquilamente.
_Eu ia te achar linda e inteligente, tudo que eu iria querer pra minha filha. Agora para de surtar e vamos entrar, sim? – Leo desencostou do capô do carro e tocou os ombros da irmã para acalma-la. Crys sorriu nervosa para o irmão tentando crer em suas palavras. – Serio, você está ótima, e você sabe o quão exigente eu sou quanto a isso. Linda e intimidadora, como sempre. – O irmão segurou o seu rosto e deu lhe um beijo na testa. Então os filhos de Atena entraram no edifício.
O lugar parecia como uma fábrica de automóveis comum, a única diferença visível, e isso porque ambos eram semideuses, eram os materiais. Ao invés de moldar aço como as maquinas de tais fabricas, as maquinas desta moldavam placas e mais placas de bronze celestial e ouro imperial. Quanto mais adentravam a fábrica menos moderna ela ficava, Ao chegarem ao fim do corredor as maquinas se assemelhavam às usadas no século XIX, com a única diferença de que no lugar de humanos às operando se encontravam diversos autômatos. Os dois entraram no elevador, os botões de tal eram bem auto explicativos, Crys apertou o que dizia ‘forjas principais’ e o elevador pôs-se a funcionar.
O lugar era como uma versão maior do chalé nove. Assim como no chalé de Red projetos inacabados se misturando com papeis aleatórios, a luz amarelada das chamas nas maquinas e das lâmpadas penduradas sobre cada mesa. A familiaridade do ambiente fez com que Crystal, que um segundo antes estava extremamente tensa com a ideia se soltasse e como sempre fizera no chalé, prendeu os cabelos num coque e começou a olhar pelos trabalhos na mesa mais próxima, como se qualquer um dos meninos de Hefesto pudessem aparecer ali a qualquer momento e então trabalhariam juntos como sempre faziam.
_O que a senhorita acha que está fazendo? – A voz grave e seria veio da esquerda assustando a filha de Atena. – E o que vocês estão fazendo aqui. Isso é uma área restrita. A fábrica não está aberta à visitação. Eu geralmente não estou aqui quando ela está.
_ Senhor me desculpe, é que a virgula estava no lugar errado e... Nós não somos mortais Hefesto. Eu sou Crystal Foxx, e aquele ali é o meu irmão, Leonardo. – Crys apontou o polegar para Leo que assim como ela não pode evitar de analisar os projetos do deus. – Nós somos filhos de Atena, e precisamos de sua ajuda. – Ao contrário do que a garota esperava Hefesto parecia muito comum, usava um macacão azul marinho desbotado como os de mecânicos, um cinto de utilidades preso ao quadril, e apesar de dizerem que ele era o deus mais feio, Hefesto apenas parecia ser um cara de uns quarenta anos que envelhecera rápido demais.
_Ah sim, semideuses. Ótimo. Não toquem nas minhas coisas. Esses filhos de Atena, vocês não tem nenhuma noção de espaço né, tal mãe tal filhos. De qualquer forma, sigam me. Sem. Tocar. Em. Nada! – O deus falou a última sentença pausadamente como se os irmãos fossem incapazes de compreender. Crys e Leo trocaram um olhar e o seguiram sem falar uma palavra. – O que vocês precisam de mim, exatamente?
_Bom, você deve conhecer Babs, Barbara Parker, enfim, vocês a trouxeram de volta dos mortos há alguns meses.
_Ah eu lembro dessa garotinha insolente, então quer dizer que ela precisa da minha ajuda agora né? E do que vocês precisam exatamente garotos? – Hefesto indicou as cadeiras que tinha em volta de uma mesa, sentou se em uma e pegou um pedaço da pizza de pepperoni que estava sobre a mesa mordendo um pedaço. – Vamos, sirvam-se. Está ótima.
_Eu sou vegetariana, obrigada. Enfim, nós precisamos de um dos ingredientes para o feitiço, algo para destruir o monstro. Pelo que nós deduzimos deveria estar com você. A esfera do fogo. – O deus tirou os pés que colocara em cima da mesa e olhou para Crystal com um olhar sério. – O que eu falei?
_Você está me dizendo que quer a minha esfera do fogo? O que te faz pensar que eu te daria isso assim garota?
Crys se levantou da cadeira e apoiou as mãos fechadas em punho sobre a mesa e olhou diretamente nos olhos do deus.
_Olha, nós precisamos dessa esfera. Vocês deuses nos deram uma missão e nós estamos tentando cumpri-la. Confie em mim, eu não queria estar aqui. Eu sinceramente não ligo pra quantas cidades esse monstro destrua, eu não ligo pra quanto ele incomode vocês, eu estou ótima tendo a minha irmã de volta. Talvez você não tenha notado isso, mas eu estou de pedindo um ingrediente pra matar a minha irmã, e sabe o porquê disso? Isso é porque vocês à trouxeram de volta pra isso. Eu não entendo o motivo de vocês nos tratarem como peões, mas vocês deram uma missão e ao contrário de vocês, nós geralmente fazemos nossa parte. Agora a missão exige que você colabore, infelizmente não somos nós que fazemos as regras. Você não quer ajudar? Ótimo. Eu mantenho minha irmã e toda a minha família intacta. Agora se, assim como parece, esse monstro te incomodar tanto quanto incomoda aos outros deuses, você vai dar essa esfera. Ou a gente simplesmente vai deixar isso pra lá, e quando algum deus vier reclamar sobre, diremos que o senhor não nos deu a única coisa que poderia nos ajudar a destruir o tal monstro. Mesmo que tenhamos implorado por sua ajuda. E ai o problema vai passar a ser pura e simplesmente seu.
Sem notar enquanto falava, uma chama, a princípio lilás mas que progrediu até se tornar um tom profundo de roxo emanou das mãos da semideusa e subiu envolvendo seus braços flutuando entre tons da cor. Os olhos de Crystal também foram mudados, sua íris agora tomara um tom purpura ao invés do castanho habitual. A filha de Atena só notou o que acontecia com ela quando o deus levantou uma sobrancelha como se a garota o intrigasse. Nesse momento toda a magia que envolvera Crystal se desfez e os joelhos da semideusa fraquejaram. Os braços do irmão a seguraram antes que atingisse o chão e ele a ajudou a sentar se novamente em uma das cadeira.
_Interessante. – O deus disse ainda olhando para Crystal com um olhar intrigado, como se olhasse para alguma máquina que não compreendia como funcionava. Crys já vira esse olhar milhões de vezes no rosto de Red, geralmente quando ela se empolgava demais falando sobre alguma coisa e ele tentava acompanhar suas palavras e gestos. – É compreensível.
_O-o que é compreensível? E-eu não estou entendendo – Hefesto levantou e retirou algumas caixas de um armário procurando alguma coisa e ignorando completamente a confusão de ambos os filhos de Atena.
_Não piora a sua situação Crystal, você acabou de ameaçar um dos doze olimpianos, qual o seu problema?
_Não sou o deus dos surdos, vocês sabem disso né, parem de sussurrar, se tiverem que falar algo falem feito gente.
_Eu só quero entender.
_É compreensível, garota, que ele, na verdade eles todos, gostem tanto de você. Aparentemente aquele moleque é mais esperto que eu, não só escolheu beleza como cérebro. Diga a ele que eu gosto disso. Agora pega essa esfera e sai logo daqui antes que meu lado divino e orgulhoso se ofenda com aquele showzinho de magia e te pulverize.
Leo pegou a pequena caixa de metal que continha a esfera, uma pequena bola com aproximadamente três centímetros de diâmetro que parecia ser feita de lava liquida. A filha de Atena se apoiou no irmão e caminharam até o carro juntos, assim que o carro se pôs em movimento a garota apagou. Crystal acordou com o mesmo som do motor ainda em movimento, eles ainda não haviam chegado a sua cidade natal.
_Então, agora já pode me explicar o que foi aquilo na oficina, bela adormecida?
_Ahm... Deuses eu vou acabar me matando.
_Essa parte não é novidade pra ninguém, Crystal. O que é novidade são os olhinhos furta-cor e a magia.
_É parte do plano para livrar a Babs de morrer junto com o monstro. Em cada missão que eu saio eu descubro que mais um pedaço da minha família é ligado aos deuses. Enfim, ao que parece a mãe do meu pai, logo a minha avó, era uma serva de Hécate e por conta disso eu tenho alguma magia no meu sangue, por alguma eu quero dizer quase nada. Porém mais do que você ou o Greg, até porque vocês são homens, então a deusa potencializou isso pra que eu possa lançar, tanto o feitiço que destruirá o monstro, quanto pra salvar a Babs. O problema é, eu precisarei sacrificar algo que amo no lugar. Ou melhor, alguém. – Crys olhou para o banco traseiro do carro onde Luna descansava tranquila. Um nó se formou na sua garganta. Ela respirou fundo. – Enfim, quer me deixar dirigir agora?
O transito caótico da sua cidade natal relaxava a filha de Atena. Os atalhos já conhecidos, caminhos que ela fizera desde criança era tranquilo. Quase que pacífico. Crystal viu o Obelisco se aproximando no horizonte e encostou o carro para acordar Leo que dormia no banco do passageiro ao seu lado.
_Ei, hora de ir pra Hogwats, maninho – Retirou o cinto de segurança e balançou o ombro de Leo com leveza antes de sair do carro para pegar as armas no porta malas do carro.
_Hm, já chegamos? – Leo saiu do carro ainda se espreguiçando e parando ao lado da irmã observando à tirar algumas das armas que haviam pego na casa dela.
_Ainda não, mas achei bom pararmos antes para comer alguma coisa e separar quais armas usaremos caso sejamos atacados no caminho.
_Ah sim, é uma ótima ideia.
Ao entrarem no restaurante todos os que ali se viraram para os dois, Crystal notou os olhares que davam, principalmente para o irmão e não gostou nada. Enquanto o irmão conversava com a recepcionista do restaurante a garota passou os braços pela cintura dele, que por simples reflexo passou o braço pelos ombros da irmã mais nova. Assim que o almoço acabou os dois seguiram para a biblioteca da mãe.
_É aqui. – Crystal disse tirando a adaga que estava presa ao seu quadril da bainha.
_Ei, ei, ei, pra que isso?
_Da última vez, pra entrar na biblioteca era necessário provar que se tem o sangue de Atena. – Explicou enquanto passava a lamina pela palma da sua mão direita deixando o sangue pingar sobre a base da estrutura de pedra.
_Crystal! Eu também sou filho de Atena!
_É, mas você vai precisar lutar. De qualquer forma já está feito. – O lugar onde o sangue de Crystal pingara começou a emitir uma pequena linha de luminosidade em forma de coruja. A tal linha seguia e dava a volta em todo o monumento formando uma espiral. Logo a linha se tornara uma escada descendo para um fosso. Crys olhou para o rosto do irmão na intenção de ver sua reação, a única diferença do rosto habitual era que suas sobrancelhas estavam erguidas como se não esperasse que aquilo fosse acontecer. Fora isso Leo parecia ser ótimo contendo suas impressões para sim mesmo – Para de babar internamente e vamos logo com isso.
A biblioteca, como quase todas as coisas criadas por meio de magia era absurdamente grande. Os numerosos andares se erguiam com prateleiras e prateleiras de exemplares de todos os livros já publicados, uma clareira era aberta no centro do ambiente permitindo que a luz solar se difundisse por todos os andares, mesmo que a biblioteca ficasse em baixo de um grande lago artificial. As mesas de estudos com luminárias individuais se espalhava por todo o ambiente como a biblioteca de uma universidade. A diferença era gritante entre a biblioteca e a oficina de Hefesto, apesar de ambos os deuses trabalharem ambos com o conhecimento, a biblioteca de Atena era impecável em termos de organização, todas as lombadas marcavam seus títulos todos virados em uma mesma direção. Não se via uma partícula de pó acumulado em nenhuma das prateleiras. Mesmo que tivesse péssimas memorias do lugar onde estavam Crystal não podia deixar de impressionar pela coleção da mãe. Por mais acadêmico e surreal que fosse lugar ela se sentia mais próxima do que nunca de sua família.
_Okay vamos tentar achar o tal livro. – Disse em voz alta, mais para si mesma do que para o irmão que há muito já havia se perdido entre as milhares de prateleiras. Crys foi até o exato centro da biblioteca, onde ficava um púlpito vazio, entalhado como se uma grande coruja abrisse as asas para apoiar o livro desejado. Crystal tirou a mochila das costas e a jogou de lado juntamente com o arco. Colocou o pequeno livro de Hécate sobre o púlpito e balançou os braços como se estivesse preparando para um treino. Recitou as palavras no livro mentalmente antes de fazê-lo em voz alta. Vagamente a garota notou a presença do irmão a observando três andares a cima. Crystal recitou as palavras em voz alta com os olhos fechados. Novamente as chamas arroxeadas surgiram de suas mãos. Por alguns segundos o ambiente da livraria foi tomado por uma aura completamente diferente. – E-eu consegui?
O livro que estava a sua frente era como uma versão muito maior do que Crystal carregara a viagem inteira. Logo ela e Leo se puseram a trabalhar no estudo dos feitiços. No que pareceu aos dois como algumas horas, eles leram e releram cada feitiço que poderia ser utilizado na anulação da maldição de Barbara.
_É, acho que já podemos mandar a MI pros dois virem nos encontrar.
_Concordo. Quanto mais rápido acabarmos com isso melhor vai ser. Tem uma dracma ai? – Crystal tirou uma moeda do bolso e jogou para o irmão. Um arco íris se formava por efeito do teto de cristal. Leonardo jogou a moeda e esperaram pela mensagem. Em poucos instantes a imagem de Babs e Greg abraçados num café surgiu no arco íris. Ambos olhavam para baixo, como se olhassem algo no celular. – Ei, pombinhos, hora de colocar o plano pra funcionar.
_Deuses! Por onde vocês andaram? Há dias estamos atrás de vocês!
_Dias? Babs, nós estamos aqui na biblioteca de Atena há algumas horas.
_Ihh ó lá, qual é a da lente de contato roxa Crystal? Resolveu virar otaku foi? Combinou super com seu tom de pele.
_Não é lente, Greg. E é uma longa história. Mexam suas bundas apaixonadas pra Washington agora. Nós estamos prontos para partir atrás do Olaf.
Quando a garota abriu a porta a primeira reação que teve foi abraçá-la, tomando ela nos braços e tirando a menina do chão com a mesma facilidade de levantar uma pena. Devolveu ela ao chão depois e beijou seu rosto – Feliz aniversário docinho… – disse sorrindo para ela e devolvendo as mãos ao bolso, estava como de costume, sem camisa, calças brancas de linho e os olhos parecendo pegar fogo, tinha se acostumado a aparência de deus e gostava dela – Não, valeu, mas você vem comigo, eu tenho uma coisa pra você. – disse sorrindo e oferecendo o braço para Crys vir com ele.
Crystal deu um grito agudo seguido por uma risada pela surpresa de ser tirada do chão. As pessoas pareciam se divertir bastante com isso ultimamente. Arrumou o vestido quando foi devolvida ao chão. “Bem, muitíssimo obrigada.” Disse sorrindo de volta. Finalmente notou o visual de Lisander, ficando levemente desconfortável com o visual, mas o convite dele chamou sua atenção. Crystal franziu as sobrancelhas e apertou os olhos em uma expressão de desconfiança. “O que você está aprontando Sr. Daves?” Perguntou com um meio sorriso no rosto, calçou um dos tênis que estavam perto da porta e o acompanhou. “Eu deveria saber pra onde a gente está indo, não? Eu posso não estar vestida apropriadamente.”
Minha dança é tão legal assim? Não. Na verdade eu não gosto de mar. Nem de lagos. Tenho minhas dúvidas quanto a piscinas, mas não to afim de cair nelas também não. Não? Droga. Então só vou dizer que não estou dançando hula.
Sua dança é MARAVILHOSA, você não faz ideia. Okay, sem aguas abundantes para você, se eu fosse você evitaria o deque das piscinas. É uma boa ideia, apenas diga que está se movimentando num ritmo único.
Ah. Bem. É que quando eu virei uma latina você me deu as suas. E sabe, não roubarais as roupas íntimas de vossa mulher está nos mandamentos. Então decidi devolver. Desculpa, não é nenhuma marca super cara porque eu não tinha dinheiro, mas levando em conta a minha opinião femenina de uma semana, são bonitas, não?
Oookay, eu não tenho certeza se isso está de fato escrito em algum lugar, mas tudo pra livrar sua pele dos Campos de Punições não é mesmo. Ah cala a boca, Fletcher, você acha que eu realmente me importo com o preço das coisas? Desde que seja 100% algodão já ta ótimo. Você tem um ótimo gosto pra quem só foi mulher por uma semana. Alias eu adorei.
Agora se você me der licença eu vou experimentar meus presentes maravilhoso.
Olha… É bem por aí. Mas, em minha defesa, é para um bom fim. Egoísta, mas bom. Não quero festas em oficinas. Vai pra caçada, Crys. Aposto que uma festa de camping seria bem mellhor.
ELA GOSTOU! TÁ VENDO, ATENA? SUA FILHA GOSTOU! Obrigada por me poupar de criar um cartão fidelidade na Barnes & Noble ou fazer um bolo duplo para compensar.
Se eu for pra caçada eu posso ficar com as garotas de lá? Afinal, o juramento só fala de rapazes, não? Deuses, olha o que você está fazendo garota. E a gente pode fazer festas legais sem necessariamente acabar com os meus relacionamentos o que você acha disso? Ou a ideia de uma Crystal Foxx monogâmica é muito difícil de assimilar?
Mas é claro que eu gostei, esses tênis são charmosos e confortáveis. Combinação perfeita pra a minha pessoa. Porque lutar em saltos é a pior coisa que se pode fazer e tênis de academia são horrendos. E eu não esperava menos de você, a final, nos conhecemos desde sempre. Olha eu adoraria um bolo duplo como complemento, não reclamaria disso.
Eu estava rabugento porque estou cercado de água por todos os lados. Aí Anabelle me mandou beber e depois me obrigou a virar tudo. Então aqui estou, dançando hula em um barco.
Eu vou agradecer a Belle pra sempre por isso. Não gosta de barcos, Jaime? E só pra constar, você ta dançando dança de bêbado, isso tecnicamente não é hula, e eu não posso deixar você ofender os Havaianos dessa forma.
Assim? Você não parece tão melhor nisso do que eu.
Eu sou ótima, você que está bêbado demais pra notar. Alias, o que te deu? você é um dos poucos que nunca vi bêbado nesse acampamento. E o resto são os novatos.
Olha, eu não diria usando. Eu estou mais achando meios mas fáceis para conseguir criar e aproveitar algumas oportunidades. E a culpa foi sua por ter começado a me dar ideias.
Ou não. E é claro que eu ia esquecer de uma hora pra outra o aniversário que eu venho comemorando quase há tanto tempo quanto o meu. Aliás, eu percebi que esse tempo todo eu só te dei, além do seu bolo de aniversário, livros que só variavam o gênero, ou no máximo alguma coisa de fãs de tal livro… Então decidi parar de contribuir com o desmatamento esse ano e te conseguir algo mais útil. Os Stolls juraram que eles prestam para mais do que “ser estilosos”. Palavras deles, claro.
Você está se aproveitando da minha condição romântica pra se divertir. Isso é usar. Eu faço isso com as pessoas o tempo todo, eu sei como é. E acho bom você se acostumar com a ideia de uma festa steampunk ou em oficinas, porque assim que vai ser por um bom tempo, eu espero.
MELAANIE ISSO É INCRIVEL! AI MINHA AFRODITE EU TENHO SAPATOS DE MISSÃO NOVOS. VOCÊ É A MELHOR MELANIE LEDARSKY!
“Posso contar agora?” Emma havia cochichado no ouvido do pai, recebendo em resposta um aceno de cabeça negativo deste. Logo sorriu e colocou um dedo sobre a boca, pedindo silencio. A garotinha assentiu tampando a boca para aguentar a risadinha, enviando olhares para Barbara, que também sabia da surpresa. Aniversários já se tornaram tão comuns entre os três, que Leo já nem discutia mais, somente se envolvia na brincadeira. Nesse momento andando pelos corredores do navio, para levar à cabine que elas ficariam. Haviam fingido esquecer da data pelo dia inteiro, sendo este agora já escurecido pelo ar noturno. Tudo com um propósito maior, o aniversário de Crystal, e a festa surpresa particular montada dentro do quarto. Toda a decoração colorida, com balões e afins, além dos bolos, doces e salgados, já tinham seu espaço atrás da porta. Na qual Leonardo parou em frente, trocando o peso de um pé para o outro, para suportar melhor o peso da filha em seu colo. “Vocês duas ficarão no mesmo quarto, enquanto eu e Emma vamos para o do lado” Emma olhou para o pai, um tanto assustada, pensando que ele tinha esquecido da festa. Ele ignorou e continuou. “Mas fiquem tranquilas, serei um bom irmão e irei ajudá-las a desocupar as malas” Sorriu para ambas, que estavam mais próximas a porta, estendendo a mão com a chave para qualquer uma delas pega-se. “Aposto que irão adorar a cabine”.
Babs nunca tinha entrado em um cruzeiro, mas estava adorando, só achava os corredores apertados. Babs não estava lá para se divertir na festa, pelo menos não na festa do camp. O plano era fingir que tinham esquecido do aniversário dela, o que era um pouco cruel, e depois fazer uma festa dentro da cabine. Babs e Leo passaram o dia arrumando tudo. Leo cuidou mais da comida e Babs da decoração, já que a loira não se dava muito bem com o fogão. Carregava todas as bagagens dela e de sua irmã, com a desculpa de ser mais forte. Ouviu Emma perguntando para o pai e deu uma piscadela para ela. “Você fala da como se ela fosse um quarto presidencial” brincou “Cris, pega a chave que..” mostrou as bagagens em sua mão como se dissesse: estou com muita coisa na mão. Desconfiava que irmã estivesse muito brava ou muito triste. Ou os dois.
“Nã-nã-não Senhor Leonardo. Você está muitíssimo enganado. Você vai dormir no quarto ao lado enquanto nós garotas vamos ter uma festa do pijama especial onde ensinaremos para a Emma todos os truques pra ser uma diva e te causar vários cabelos brancos antes dos 30.” Respondeu ao irmão rindo. A principio ela não estava com animação nenhuma para ir ao tal luau, mas Babs insistiu tanto que ela acabou aceitando. E naquele momento, com os dois irmãos e a sobrinha (esta agindo de forma nada discreta) ela soube que tinha alguma coisa esperando por ela. Mas deixou de pensar no assunto assim que o notou, se naquele dia ela completasse doze anos ao invés de dezenove era provável que já tivesse descoberto todo o plano dos irmãos por pura ansiedade. Essa era uma coisa que Crystal evoluiu com os anos, sendo uma semideusa surpresas nem sempre eram algo positivo, logo antecipa-las nunca era algo que ela queria fazer, hoje em dia Crys apenas aproveitava os momentos bons enquanto eles durassem, e isso se aplicava ao seu aniversario, que ao contrario do de todas as outras pessoas, era pra ela só mais um dia. Tomou a chave da mão de Leo e abriu a porta da cabine. “Isso vai ser divertido” Abriu a por ta ainda de costas para a cabine com um sorriso malicioso no rosto.
Tá vendo? Pega um irmão meu logo, Crystal. Qualquer um. Eu até deixo você escolher e faço ele ser mais de boa. Um filho de Dionísio também seria uma boa, aliás. Quem sabe não seria numa vinícola italiana?
Talvez ele te odeie, mas eu não. Parabéns!
Você realmente está me usando pra conseguir passes vip pra festas estranhas? Serio isso? Na minha frente? Assim, deuses eu não to valendo mais nada mesmo.
Isso é tranquilizante na verdade, tenho mais segurança pra sair em dias chuvosos agora. Obrigada, eu achei que você tivesse esquecido.
Não é agourar. É só uma dica para uma situação hipotética. Se você namorar algum filho de Zeus, a proxima festa do seu aniversário pode ser num dirigivel e não no mar. Quer dizer, se papai gostar. Senão ia acabar bem errado.
Você quer dizer que meu próximo aniversario pode ser em uma arena de MMA e o aniversario seguinte em uma oficina? Caso, é claro ambos tenham me aprovado. E seu pai me odeia Mel, alias quase todos os deuses me odeiam.