De madrugada
A sensação é um mix, é como uma surra boa quando a gente acorda de madrugada e ela nos traz a realidade parecendo que está nos tirando.
Não tem som, há poucas luzes, há poucas pessoas. Ela traz uma solidão misturada com solitude, te obriga a lidar com você mesma e com o que temos por dentro. Ela mostra como somos pequenos e como pensamos pequeno. Somos instantes.
Quando eu acordo no meio da noite e há escuridão, um clima ameno e um barulho quase que bem distante de uma cigarra, também parece ser possível ver as coisas com mais clareza, entender os sentimentos com mais fervura e é como se eu estivesse escutando um batalhão de desejos, alegrias e percepções dentro do meu único ser. Acho que é mais difícil ouvir tudo no barulho do dia a dia.
As vezes é bom levantar assim e ver pela outra perspectiva, quase que de cabeça para baixo, um mundo e razões que só vemos pela ótica do dia na correria da rotina. Damos importância para tanta coisa que precisávamos lidar sim com responsabilidade, mas com mais leveza, que as vezes esquecemos que há tanta coisa importante de verdade que deixamos passar...
Quem dera todo mundo acordasse um pouco em algumas noites e ouvisse o silêncio cheio de ideias, sentisse um pouco desse frio que abraça e enxergasse nos escuros de nossos próprios interiores. Talvez, assim, em alguma escala, fizéssemos escolhas melhores, cuidariamos mais do que importa e, quem sabe, fôssemos mais felizes.
P. Soares












