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@sobrevelejar
it was a very flowery day
Carnaval
No teu toque
festival de cores
A tua voz
pode repetir sem cansar
No teu beijo
o enredo todo
Toda vez que tu vens
Carnaval em mim
Ja namorei quem nem queria me namorar Quem me dava baile Quem não sabia se eu valia o esforço Ou a aliança, 3x menos que o relógio do pulso Já namorei quem nunca deu valor as minhas sinas Ou as coisas bobas que eu achava importante E não custavam nada Quem nunca optaria por deixar nada por mim Já namorei gente que nem sabia o que queria Num dia queria casar No outro sumia Já namorei amigo De amizade que ficou Já fui amiga demais de namorado E compreendi o incompreenssível E aceitei o inaceitável Ninguém nunca ficou para recolher nenhum caco Já aceitei Que eu não valia o mínimo O compromisso A renúncia O mimo E o estrago que foi me acostumar com isso E o tanto que distorci bons princípios Para justificar o porquê não merecia Já fiz um ano que estou curando Essa minha mania de aceitar tudo Por um carinho no rosto Um beijo na testa De todo dia trocar curativo De às vezes tirar a casquinha E de chorar no fim da noite Tentar entender onde foi que eu errei E imaginar quando é que vai dar certo Mas é que eu só tenho 22 E mais fracassos que gente de 30 Por que me arrisquei Doei demais Num amar maduro demais desde cedo Nunca soube brincar de sentimento Puxar, sustentar, compensar De apenas um lado O outro ainda não estava preparado Nunca guardei amor Por que amor se guardar estraga Nada aprendi com meus pais Além do que não fazer E eu estranho todo esse tempo me enrolando Esperando o mesmo em troco Mas não julgo Vai saber Em algum lugar do mundo Alguém talvez saiba exatamente como eu sinto Ou esteja esperando para fazer certo E espera por mim Eu sinto
Não lamento. 27/02, M Brito
Colmar, France | Alexey Mayer
quanto partir
O que dessa vida eu vou levar
Não cabe na mala
Não cabe no caminhão
Mas não pesa nada
Levo sorrisos
Dias de Sol e dias de trovoada
Cada pôr-do-sol que amei
Lembranças de cada momento
Que me faria tornar-me essa alma avoada
Que nao se importa com nada
Que me cerra os dentes
Que torna a vida pesada
Todos os amores que amei
Todo cheiro de abraço
Todo gosto de beijo
Toda sensação de pele tocada
Todo olho cheio de lágrima
Toda saudade nunca sanada
Todo gargalhar e conversa fiada
Não vou levar menos que absolutamente tudo
Que me destrava o riso
Que me lembra de respirar fundo e agradecer
Nenhum desafeto levo
Com qualquer um jamais conseguiria se quer ir
E também nenhum eu te amo
Pelo menos nenhum dos que quis dizer
Mas levo certeza e deixo também algumas
Que apesar de ter sido pra sempre
Uma criança pequena
No fundo o que eu mais soube
Foi viver
M Brito (02/03/2020)
Bendito o dia em que me olhei no espelho e percebi que o amor da minha vida sou eu.
e você dizia que eu era pequena demais pro seu amor então eu expandi e percebi que o seu amor é pequeno demais pra mim.
a pior ironia ironia de todas é a pessoa sentir repulsa a qualquer tipo de afeto porque acostumou com a falta dele a estranheza com que recebe alguém que o trate com importância como se não a merecesse a vontade de fugir quando percebe que alguém realmente quer ficar como nunca houvesse sido antes alguma forma de lar haja ânimo para esse desaprender que uma mentira dita muitas vezes vira verdade coração criado em cativeiro não sabe o que fazer com a liberdade
Michelle B., 11/03/2020
Esse compilado de mim é uma coisa tão surpreendente, essa metamorfose que invoco às vezes até assusta. Há um ano eu era uma pessoa completamente diferente, indefesa, ferida, nua. Então eu sobrevivi a uma das maiores tempestades já vistas dentro de alguém e renasci.
Nunca direi que despegar-se, superar, curar é um processo fácil. Porque dói, dói demais. Demora, demora demais. Em muitos momentos se quer faz sentido. E não há nada que se possa fazer além de aceitar e se deixar levar pelas ondas. Viemos de uma forma tão bruta de maneiras diferentes e seremos lapidados da mesma forma.
Nunca direi que evoluir é algo simples, que é algo finito. Estou certa que daqui um ano outra vez estarei diferente. Ainda não sei o que esperar daqui para frente. Mas estabeleço metas dentro do que eu possa controlar e do restante não tenho medo. Levo no peito marcas do que eu posso suportar.
Mas direi que o tanto de necessário que é abrir-se a avassaladora força do crescer é o mesmo que respirar. Ser sempre o mesmo é um caminho tão tedioso que a certa altura passará a ser sufocante. Quanto antes perceber que viver é sentir, é correr, é cair, reerguer, subir, descer, vibrar, sucumbir... antes terá entendido.
O desafio é crescer até que esse mundo não nos comporte mais.
30/03/2020, Michelle Brito.
infinito quando penso que uma pequenina parte minha ainda te pertence minha alma grita depois reflito que tudo lembro do tanto que que tua ausência me fez infinita
Obrigada por me deixar
M Brito
Rupi Kaur
eu toda
tomo espaço demais
meu corpo não conhece limites
não tem forma certa
se desmonta
se derrama
se reequilibra
se quebra
se conserta
tomo tempo demais
eu falo
escrevo
eu canto
eu expurgo
não sei não me expor
ao ridículo
só digo
deixa-me ser minha
e repito
se vais tentar me conter
escorrerei pelos teus dedos
tanto faz
tomo espaço
pinto e bordo
não minto
aprendi a suprimir meus medos
me tornei meu próprio infinito
Michelle Brito (18 de Março, 2020)
poama sentimento como transmitir para o papel algo tão profundo essa é a graça da poesia a aptidão do poeta de sentir muito sentir tudo até escorrer pelos dedos
Michelle B.
O ser que eu sou sabe ser independente de você.
Michelle Brito