Espiritualidade para exaustas
Essa semana fiquei mastigando esse “acautela-te e aquieta-te”. E talvez a gente precise sentir/saborear isso com mais seriedade (e calma) do que imagina. Nem sempre começa resolvendo a crise, Ele costuma começar pelo coração nervoso, agitado, desorganizado.
Se a gente não aprende a ouvir antes de tudo, a gente se agita e se exaure. Existe um caminho que não é novo, mas é profundamente esquecido por nós: ouvir (shema), guardar/atentar (shamar), aquietar (shaqat). Antes de reagir, antes de se defender, antes de tentar resolver tudo, existe um convite para prestar atenção, vigiar o interior, sustentar uma postura de alerta interno. SEM pânico, COM consciência.
O que nos cansa muitas vezes não é só a crise, é o tamanho que damos a ela. A superlativa tudo e antecipa cenários, se perde no medo, e o coração entra em estado de guerra antes da guerra em si. A pressa atropela o discernimento e a gente começa a escolher mal.
Depois, além de atravessar a crise, ainda precisa lidar com as consequências das decisões feitas desordenadamente. Quem reage muito cansa mais. Quem não consegue aquietar, se desgasta dobrado.
E talvez o ponto seja esse: não é que a gente não saiba o plano de Deus, não é falta de direção, é esquecimento de identidade, é falta de coragem de se aquietar e confiar.
Exaustas esquecem quem são, e quando se esquecem, deixam de revelar virtude em meio a pressão. A jornada deixa de ser expressão de quem somos em Deus e passa a ser só reação ao problema.
O caminho que vemos no programa e no poeta é outro - aquietar, confiar, não perder o coração no meio da guerra.
Salmo 131 descreve uma alma aquietada como uma criança no colo. Não é ausência de problema ou dor, é presença de estabilidade.
Não é acabar com tudo que nos ameaça, é não permitir que isso nos desorganize por dentro e canse com a gente.
A que se aquieta não vence a vida no grito e nas soluções rápidas, mas permanece inteira no silêncio e na paz, lembrando quem ela já é e é a partir disso que vive descansada, confiante na batalha porque Nele a gente pode confiar!
Débora Otoni @debora.otoni