É estranho observar um sentimento nascer.
Quando eu tinha dezessete anos, tudo era vertigem. Era a pressa, a fome de sentir, a euforia de quem acredita que o mundo só existe no agora. Durante muito tempo foi essa energia que me moveu: mergulhar sem medo, como se despencar também fosse uma forma de viver.
Mas eu não tenho mais dezessete anos. E hoje me assusta perceber algo brotando dentro de mim. Me assusta porque sei o preço de cada começo. Conheço as dúvidas, os silêncios, as expectativas que podem afogar. E me pergunto quando foi que me tornei tão covarde a ponto de desconfiar até daquilo que é bonito.
Só que a verdade é que o fim nunca importou. O que importa é o hoje. E hoje tem algo crescendo. Algo que se esconde na admiração que eu não consigo disfarçar. Na risada que me faz rir também e, nesse instante, eu esqueço até de ter medo. Ou melhor, me lembro: o medo é a prova mais clara. Só teme quem tem algo em jogo.
E apesar do tempo desde a última vez que senti isso, apesar da sensação de falta de jeito, decidi não me esconder. Não vou deixar a covardia me roubar. Se for pra quebrar a cara, ou o coração... que seja. Pior, muito pior seria não viver. Porque eu já aprendi: quando me permito sentir, fico mais perto dos meus dezessete do que da versão calculada que aprendi a sustentar.
E é ali que está o meu lugar: entre o medo e o risco, onde os sentimentos nascem e eu escolho não fugir. Só ficar e sentir.

















