Só mais uma retórica...
Eu não creio que eu possa ser amada. Eu não acredito que eu seja capaz de gerar qualquer tipo de sentimento no outro sem que eu não agregue qualquer tipo de benefício ou utilidade inerente que valha a pena manter-me por perto.
Por mais que eu corra o risco de me tornar um disco arranhado a partir desta vírgula, volto a repetir: eu queria não sentir mais nada.
Já me disseram que o problema não é o sentimento, mas a falta de regulação do mesmo. Contudo, a energia gasta para que eu alcance essa meta é tão desgastante que me vejo por diversas vezes paralisada.
De um tempo para cá tenho desconfiado do fato de que eu adquiri a habilidade de desassociar de maneira voluntária apenas para que, mesmo de maneira artificial, as coisas deixem de existir ou fazerem o sentido que fazem. Se é que algo ainda possui alguma fração de sentido ou razão.
Vivo a simbiose entre lapsos de felicidade e ansiedade emocional gerada pela ilusão de pertencimento, e a contemplação da minha real condição em que de fato eu sou o que sou: solitária e objeto de conveniência.
No fundo eu não creio que as pessoas gostem genuinamente de mim. E se gostam, logo verão que de nada vale esse sentir e partirão. Pois todos partem, e caso eu deixe de ser funcional para o mundo, o mundo tão pouco permanecerá.
Talvez a realidade inerente não esteja atrelada ao fato de que eu deva deixar de sentir, mas sim aceitar que as coisas são como são, sem esperar nada que me gere falsas expectativas ou me coloque em distopias paralelas à minha condição.
Nayara Gilio Poloni













