A carta da Morte tem aparecido bastante.
Vai fazer 1 ano que eu tive um encontro transformador com o Tarô, e desde o ano passado eu embaralho os meus decks em busca de respostas quase todos os dias.
Minha história com isso é outra, um tanto extensa, e me devolve ao meu Eu de 6 anos de idade, olhando para a carta A Força na sessão esotérica da Revista Veja. Aqui, trago apenas uma reflexão.
A carta da Morte, Arcano XIII, ou Arcano Sem Nome teve seu espaço na cultura popular em filmes, com mesas de videntes assustadoras, um take demorado de zoom-in na carta, e músicas sinistras ao fundo. A ignorância no roteiro de filmes antigos não se importava em passar o significado real das coisas. Ali era espaço para gerar entrenimento e causar pavor.
Por causa da fama, a carta veio por muitos anos sendo associada a significados negativos, ou de fato, a fatalidades.
Na versão de Marselha, vemos um semi-esqueleto com uma foice. Seus braços com a foice formam uma lemniscata, mas não vamos falar de simbologia profunda e Alta Magia agora. O destaque aqui são as figuras na paisagem estéril. Junto com mãos e pés decepados, vemos uma cabeça coroada, mostrando que ninguém, nem mesmo os reis, podem escapar da força imparável deste Arcano.
Na versão de Rider Waite com Pamella Colman Smith, vemos o Cavaleiro da Morte em seu cavalo branco, erguendo não um estandarte, mas uma bandeira preta com uma rosa branca, símbolo póstumo de transformação.
O céu é branco, o cenário é frio, e no horizonte um sol brilhante se põe entre dois pilares, que seguirão como caminho para a carta A Temperança.
Diferente da versão de Marselha, os personagens estão inteiros e não decepados. Diante da morte há um líder religioso (O Hierofante) clamando por misericórdia, uma mulher desviando o olhar para trás, e uma criança encarando a Morte com curiosidade. Em baixo do cavalo jaz um rei falecido, caído, com sua coroa jogada de lado.
Mais uma vez e de forma mais clara, ninguém escapa do Arcano XIII.
Durante toda a nossa vida, nos familiarizamos a com a ideia da morte física e vivemos diversas vezes as mortes de nossas versões que não cabem mais em nosso caminho.
Nosso Eu de 8 anos de idade morre. O Eu de 13 anos morre e o Eu de 22 tem o mesmo destino. E não de uma forma física, mas intelectual.
Se a imortalidade é a inércia do corpo, então aquele que não aceita a morte, vive eternamente em uma versão defasada de si mesmo.
Uma pessoa que está infeliz há 15 anos no mesmo emprego, não aceitou morrer para crescer. Um relacionamento conturbado de 3 anos não aceitou morrer para viver novas histórias.
Nós romantizamos as transformações de todo o nosso viver, comemorando aniversários, conquistas, promoções no trabalho e casamentos. E se eu te dissesse que na verdade estamos celebrando, nesses momentos, o enterro do nosso antigo Eu? Cada festa, um epitáfio, e as fotos são para nos lembrar de todos os momentos que passamos com aquele antigo conjunto de ideias.
Nos últimos meses, quando pedi clareza para as minhas angústias, A Morte pulou do baralho com muita constância. Em quase todas as tiragens, ela estava lá. A mesma resposta. E não demorou para eu entender que, no lugar onde estou, é o mais puro limite da minha transformação. De carreira, ideais e relacionamentos. A ideia me incomodou porque, como toda morte, dificilmente não será dolorosa. Mas com o baralho, esse oráculo maravilhoso que Deus me deu, a aptidão que herdei das mulheres da minha família e todo o conhecimento que acumulei sobre as energias e suas formas de manifestação nos símbolos arcanos, eu vejo.
Hoje eu sou oraculista. Hoje minhas meditações manifestam os quatro elementos e dançam com o espiritual nome Santo de Deus em sua essência, soberania e misericórdia.
Hoje minha avó Isabel, mãe de santo, me abençoa apenas para que eu tenha braços fortes para moldar o meu próprio destino. Hoje eu sei que, o fato de as minhas bisavós Lilian e Maria, também terem sido mães de santo, fortaleceram e estabeleceram os pilares espirituais que fundamentam de forma tão poderosa a união da minha família.
Eu sei que não pertenço a essa vertente espiritual, porque todas estas mesmas bisavós e avó já me levaram em seus barracões, e ouviram a mesma coisa: "esse menino pertence a Outro Divino". Mas entendo a importância do caminho que trilharam até a minha existência.
Este mês estou deixando para trás tudo aquilo que me prende, que eu demorei a enxergar, e que eu hesitei em mudar. É só mais um capítulo das grandes transformações que A Morte vem me cobrando nos últimos meses. Relacionamentos, pensamentos, e agora, lugares.
Eu e esse Arcano temos muito trabalho a fazer em 2026.
Se você for em uma consulta de tarô algum dia, não tema a morte. Vai doer, mas de fato, não será fatal.
Pergunte: "O que precisa morrer hoje na minha vida, para que eu possa ir além no meu viver?". Me agradeça depois.

















