Tempo
Sempre tive muito tempo. De alguma forma eu entendia que o relógio corria sem parar para todo mundo, mas que você podia deixar a pilha gastar às vezes. Congelar o tempo pode trazer muitas vantagens, mas acompanha muita dor. Burlei algumas regras pra me adaptar a como a esteira seguia o rumo sem se preocupar se estávamos no mesmo fluxo, em como tudo sempre parecia menor, mais fácil, quando se tratava dos outros.
Eu nunca precisei que o tempo passasse pra crescer. Com a rotação construí barreiras infinitas, à prova de tudo aquilo que pudessem tentar atirar contra mim. Mas o escudo do lado de fora não me salvou do que tinha dentro.
Algo aconteceu entre uma pausa e outra, algo nesse circuito infinito me fez muito pior do que eu gostaria de ser. Cresci tanto, mas algo em mim ainda está pequeno. Eu não posso voar com as minhas próprias asas, não consigo chegar muito longe enquanto não me deixar cair.
Eu não sei se você sabe quem você é até perder quem você é. E eu perdi tanta poeira da minha estrela que não consigo mais brilhar. Eu parei o tempo mais uma vez hoje, para que pudesse parar o que estava crescendo em mim.






