Conforme o atordoamento o deixou, percebeu o tom rubro que parte do rosto alheio assumira. Tentara engolir em seco, mas a boca encontrava-se seca e não conseguia desviar o olhar, apesar do grotesco sentimento de culpa que crescia em seu cerne. As palavras proferidas pelos trêmulos lábios femininos acomodaram-se em algum lugar de sua mente, ecoando pela mesma, doendo diretamente em seu peito. Fechou os dedos em punho, a maior parte de si dizendo que deveria fazer qualquer coisa para amenizar a angústia do momento, mas a menor parte tentava se ater ao pedido da garota. Tensionou os músculos ao seu limite, pronto para correr em direção a ela quando lhe desse um sinal verde para fazê-lo, tal era seu nível de preocupação. Ao final do mísero momento, que soou como um século, apenas observou-a aproximando-se. A face transformou-se em uma máscara de tristeza por um momento. ❝ — Eu não sei. ❞ Murmurou em resposta. ❝ — Posso… Posso te tocar? … Por favor? ❞
As palavras proferidas pelo outro lhe atingiram em cheio e tudo o que Kale conseguiu fazer em resposta foi esboçar um pequeno sorriso. Por um instante ela esqueceu-se completamente do ocorrido. O Oleg que estava em sua frente agora não parecia-se nem um pouco com o lobisomem que a atacara apenas alguns segundos atrás, mas ainda era uma parte dele. E aquilo era o que mais doía. Doía admitir que ela temia o que essa parte, selvagem e descontrolada, fosse capaz de fazer. “É claro que pode.”












