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Não havia outra reação além de surpresa quando Cindy se viu cercada de crianças ao seu redor. Crianças eram complicadas para ela. Por ter passado tanto tempo aprisionada e isolada do mundo havia muitas coisas que ela não entendia de moda, comportamento e até sociabilidade. Principalmente sociabilidade. Por isso, estava geralmente isolada em cantos ou conversando apenas com aqueles que ela se sentia mais confortável.
Quando notou que acabou entrando na área kids suas mãos começaram a suar. Estava ali, pois quando estava passando alguém pediu para ela ficar ali cinco minutos para ir ao banheiro e já se passavam mais de dez minutos e agora possuía uma legião de olhos brilhantes a encarando. "Eu...sou Cindy. A moça que irá explicar e brincar com vocês foi ao banheiro..." Os olhares confusos tentou fazer sinalização para o responsável por elas para avisar que precisava de ajuda. "Por favor, a responsável pela recreação foi ao banheiro...Não sei o que fazer."
Virgil parou na entrada da área kids, cruzando os braços ao observar a cena por alguns segundos. Uma mulher cercada de crianças, visivelmente desconfortável, pedindo ajuda… Aquilo não era algo que ele esperava ver no dia. "Bom, parece que achei o único lugar onde você não vai causar um desastre de proporções épicas." O tom veio carregado de ironia, mas não cruel. Ele deu alguns passos, parando a uma distância segura, como se ainda estivesse decidindo se entrava ou não no território hostil. "Virgil. Não nos conhecemos, mas já posso afirmar que esse não é o seu habitat natural." O olhar dele percorreu rapidamente as crianças, depois voltou para Cindy. "Relaxa, elas não mordem. Pelo menos, não sem provocação. Quer que eu salve você… ou deixo como um teste de sobrevivência?"
Por via das dúvidas, ela olhou mais uma vez por cima do seu ombro, relaxando quando sua visão mostrou que não havia mais ninguém procurando por ela. Sabia que as ordens eram para que os heróis não estragassem aquela oportunidade de ganharem alguns pontos com a população, mas não era como se Kara pudesse evitar não ser perseguida por confusões. ❝ Não é culpa minha se o idiota chamou a Supergirl de estúpida logo na minha frente, ❞ ela cruzou os braços, já planejando que se algum dia encontrasse aquele garoto pendurado em um ônibus escolar no meio de uma ponte desmoronando, ela deixaria ele ali para ser salvo pelo Flash. ❝ Ei, eu sou apenas uma fã defendendo a sua heroína favorita! ❞ Kara respondeu com um sorriso divertido no rosto, levantando as duas mãos como se não tivesse culpa do que havia acontecido alguns minutos antes. ❝ Kara Danvers. E a sua oferta foi aceita, desde que a gente passe longe de qualquer criança. ❞
Virgil ergueu uma sobrancelha olhando para ela como quem acabara de confirmar uma teoria antiga. "Claro, não é culpa sua, é que as confusões têm um radar próprio e você é o farol que as guia." A voz dele tinha um tom seco, mas não chegava a ser hostil. "E, sinceramente, se alguém teve a audácia de chamar a Supergirl de estúpida na sua frente, bom, espero que ele tenha plano odontológico." Ele deu um meio sorriso torto, mas não desviou o olhar. "Fã defendendo a heroína favorita, hein? Interessante como isso sempre acaba virando uma ficha de ocorrência." Virgil ajeitou a jaqueta, como quem marcava um ponto no placar mental que mantinha dela. "Certo, Danvers, oferta aceita, mas se aparecer uma criança, eu te deixo lidar com ela sozinho."
— Nunca confie totalmente em alguém, Gil. Deveria ter aprendido isso comigo já. Então, suspeito de todo mundo e talvez quase o tempo todo. — Deu de ombros levemente, depois que ter arqueado as sobrancelhas ao observar a reação dele. Confiança era um assunto delicado para Selina. Ela queria que os outros confiassem nela, ao mesmo tempo que ela não se permita em retribuir esse sentimento. A hipocrisia. — Ainda não entendi o porquê de ter concordado com isso. Se era o seu dia de folga, dava a responsabilidade para a outra pessoa. Às vezes... Acho que você gosta de se meter nessas situações com outro objetivo, mas qual seria o de agora?! — Era uma pergunta mais para ela do que para ele, visto que a moça o encarava tentando entender o que poderia estar guiando por trás de suas ações.
Os olhos dela deram uma rápida olhada pelo ambiente, enquanto soltava um leve suspiro. — Talvez poderiam dar um jeito de equilibrar as coisas. Poderia funcionar, eu acho. Como se heróis também ganhassem um salário... Só se for com a outra parte de trabalho. Mas... os professores deveriam ser mais reconhecidos. Você é um ótimo professor, Gil. Sinto orgulho de você. — Kyle estava sendo sincera. Havia poucos momentos em que ela se sentia confortável para demostrar afeto, e aquele contexto era um deles. Considerou a possibilidade dele precisar daquelas palavras, ao pensar sobre a forma como as pessoas olham para os professores. Em segundos depois, sua expressão se transformou para uma que aparentava maus desconforto com o assunto. Selina sabia da importância, mas isso não significava que ela procurava fazer. — Não preciso de análise, Virgil. Estou bem... Quem não ficaria bem nesse universo?! — Cruzou os braços, desviando o olhar para a movimentação do ambiente ao seu redor. — Sinceramente, não sei porquê eu vim. Pensava que ia ter alguma resposta quando chegasse aqui, mas até agora... Nada. — A cabeça dela estava uma confusão de pensamentos. Esperava que pudesse encontrar uma luz, aparentemente, não era isso que acontecia.
Virgil recostou-se levemente na cadeira, cruzando os braços, mas sem tirar os olhos dela. "Selina, você me dá conselhos sobre confiança com a mesma frequência que respira, mas não acha curioso que, no fundo, você só quer que as pessoas façam o oposto?" O canto da boca dele puxou num quase sorriso. "Não se preocupe, eu suspeito de todo mundo e até de você, principalmente de você." Ele deixou o silêncio se estender por alguns segundos, antes de completar: "Sobre o meu dia de folga... Bom, digamos que ficar em casa assistindo reprises não é exatamente o meu estilo e, sim, talvez eu goste de me meter nessas situações. Não porque eu esteja atrás de respostas, mas porque, no caos, às vezes as coisas fazem mais sentido." Virgil inclinou-se um pouco para a frente, o olhar fixo nela.
"E eu agradeço o elogio. Vindo de você, vale mais do que um salário. Mas, já que estamos falando de trabalho… talvez a parte de professor seja fácil, a parte difícil é lidar com alunos que juram estar “bem” quando não estão." A última frase veio carregada de ironia, mas com aquele peso que deixava claro que ele não comprava a desculpa. Ele soltou um leve suspiro, desviando o olhar por um instante. "Quanto às respostas às vezes elas não estão no lugar, estão na pergunta errada que você continua fazendo."
talvez fosse o fato de, por muito tempo, donna ter sido a única criança em themyscira por tanto tempo. ou até mesmo fato que a alcunha maravilha determinava àquela que jurava sua força a defender as mulheres e as crianças da crueldade do mundo dos humanos. qualquer que fosse o motivo, ela ainda sorria boba e adorava estar cercada de crianças quando podia. “gosto de acreditar que em um mundo ideal todas as crianças despertam o melhor em nós.” um sorriso adorna a face de donna o momento que ela diz isso, chacoalhando um pouco os ombros como se deixasse sair algo muito confortável de sua mente. “então é bom ver que estamos começando um adulto de cada vez, uma criança de cada vez.” ela balança a cabeça em uma moção de concordância, virando o rosto sutilmente para acompanhar a proposta do outro. naturalmente ela nunca se acovardaria de um desafio. mesmo que o destino fosse um pouco improvável. “pois eu vou levar em consideração as suas palavras de serem bons meninos e aceitar. talvez se eu tirar algumas cartas da manga, possa surpreender” donna estica a mão livre na direção de virgil, pronta para fincar esta proposta. “espero que ainda tenham tortas de cereja na área de alimentação, porque assim que eu vencer vai estar me devendo uma.” ela solta um riso abafado e amigável.
Virgil sorriu de leve, admirando o entusiasmo e a sinceridade dela, sem deixar transparecer muita intimidade, afinal, ainda estavam se apresentando. "Acho que você tem um ponto." Respondeu com um tom cuidadoso, mas amigável. "Um adulto de cada vez, uma criança de cada vez, é uma forma simples, mas poderosa, de pensar nas coisas." Ele estendeu a mão para encontrar a dela, num gesto educado, ainda medindo o terreno. "Cartas na manga e torta de cereja, hein?" Disse com um sorriso descontraído. "Se eu aceitar sua aposta, espero que esteja pronta para uma boa surpresa." Virgil lançou um olhar para a área de alimentação, depois voltou a olhar para ela com um leve brilho de curiosidade. "Espero que o local tenha mesmo essas tortas, não quero perder essa aposta." Completou, deixando a conversa aberta para ela responder.
Virgil soltou um sorriso sincero ainda se acostumando com o ritmo da conversa, tentando manter o tom leve apesar da formalidade que ainda pairava entre eles. "Sabe, não é todo dia que você encontra alguém que encara o mundo com esse tipo de esperança, a não ser pela minha amiga Selina." Disse, olhando para Donna com um brilho de respeito.
Depois de meia hora cumprimentando, tirando fotos, dando autógrafos e realizando qualquer outra interação que vinha no pacote de herói, Natalia precisou se afastar. Precisava de um pouco de silêncio, precisava de um pouco de ar — e esse era o motivo pelo qual procurava por uma área isolada no evento. Só não percebeu que a área era isolada justamente por ser voltada para crianças. "Você é a pessoa mais animada que eu vi nessa feira, sem dúvidas." A ironia vinha em forma de brincadeira, conforme encostava as costas e a bota na parede. O polegar e o indicador, escondidos em um entrelaçar de braços, se tocavam em um toque apaziguador. Algo em ser o centro das atenções parecia errado, então aquela tentativa de conversa era só Natalia ignorando os olhos em si. "Há quanto tempo você não dorme?"
Virgil soltou uma risada baixa, divertida com o comentário da jovem, e apoiou-se casualmente na parede ao lado dela. "Se eu contar, você não vai acreditar." Respondeu com um sorriso meio torto, esfregando a nuca. "Faz uns dois dias, no máximo." Ele olhou para o rosto dela, tentando captar se ela estava falando sério ou só provocando. "Esse tipo de evento não é muito minha praia, sabe? Prefiro quando posso ficar fora dos holofotes, sem essa pressão toda." Virgil deu um suspiro, misturando cansaço com um toque de sinceridade. "Mas você parece lidar com isso como se fosse parte do ar que respira. Eu admiro isso." Ele arqueou uma sobrancelha, em tom mais leve: "E você? Quanto tempo dura sua bateria antes de precisar recarregar?"
Reconheceu Virgil da mesma forma que reconhecia a maioria das pessoas: pelos movimentos. Era mais fácil para ele achar um nome pelo tipo de postura do que por rosto. Rostos, nomes... Tudo isso era tão efêmero. Mas tivera contato recente suficiente com Virgil para não esquecer quem ele era, e nem que ele era um bom colega de profissão.
— Hoje é dia de ficar de babá, Hawkins? — Perguntou se aproximando, num deboche amigável. — Como vai ter tempo de tietar os heróis que você gosta assim?
Virgil soltou uma risada baixa antes mesmo de se virar completamente. Reconhecia aquele tom como reconhecia o som da própria descarga elétrica. Irritante e familiar na medida certa. "Olha só, o mestre do sarcasmo condescendente apareceu pra inspecionar meu turno de serviço comunitário." Virou-se de vez, cruzando os braços com um sorriso preguiçoso. "E eu achando que você tava ocupado copiando os movimentos de alguma celebridade pra variar o repertório." Ele inclinou levemente o queixo para a multidão à frente, cheia de crianças e jovens com olhos brilhando diante de capas, escudos e hologramas.
"Alguém tem que garantir que esses pirralhos voltem pra casa com histórias boas e não com traumas, ou pior: com adesivo de time de herói reacionário colado na mochila." Depois, lançou um olhar de canto para Tony, um brilho de provocação nos olhos. "Mas se quiser me ajudar a manter a ordem, tem um garotinho ali convencido de que consegue imitar qualquer um só vendo uma vez. Achei que você fosse adorar a coincidência." Ele piscou e riu.
Ela evitava usar as suas habilidades quando não estava usando o uniforme, mas aquela era uma emergência. Não demorou muito tempo para que conseguisse perder o segurança de vista, ele provavelmente tinha algo mais interessante para resolver do que aquela disputa juvenil. Com uma preocupação a menos, a jovem logo identificou um rosto conhecido, voltando a usar sua velocidade normal para alcançá-lo antes que pudesse mudar de lugar. ❝ Eu acabei de discutir com uma criança sobre quem ganharia em uma luta, Supergirl ou o Flash. ❞ Kara disse sem nem mesmo cumprimentar o rapaz, deixando de lado toda a questão de um segurança ter sido chamado para resolver as coisas quando parecia que ela e o menino iam trocar socos. ❝ Me diga que você apostaria todo o dinheiro que você tem na Supergirl?! ❞
Virgil foi pego completamente de surpresa quando a garota praticamente materializou-se à sua frente, falando como se já estivessem no meio de uma conversa intensa. Ele precisou de um segundo inteiro só pra acompanhar o ritmo. "Uau, ok. Você claramente leva debates de playground mais a sério do que qualquer um que eu conheça." Disse, com um sorriso desacreditado, mas genuinamente divertido. Ele ajeitou a mochila no ombro, como quem precisava se preparar para a energia dela. "Então você discutiu com uma criança, sobre quem ganharia numa luta entre Supergirl e o Flash e agora tá aqui me pedindo apoio moral?" Assoviou baixo, balançando a cabeça com leveza. "Não vou mentir, essa é uma abordagem inédita, mas tudo bem, gosto de gente ousada."
Virgil olhou pra ela por um segundo, como se considerasse seriamente a pergunta. "Olha, se eu tivesse que apostar, colocaria meu dinheiro numa garota que apareceu do nada, derrotou um segurança com pura determinação, ela é você? Porque se não for eu fico com Flash." Sorriu de lado e deu de ombros, estendeu a mão, amigável. "Virgil Hawkins. Tour pela feira em troca de debates aleatórios incluído no pacote, caso você esteja interessada."
— Então, é mais?! Virgil, não sabia que você era tão galinha assim. — O sorriso em tom de diversão ainda permanecia em seu rosto. — Ok, você tem um ponto. Essas crianças não tem nada de parecido na personalidade com você... Hoje não deveria ser, sei lá, o seu dia de folga?! Embora eu sei que professores não têm nenhum dia de descanso. Que profissão hein. — Como se as suas também fossem tranquilas. Complementou em seus pensamentos, enquanto suspirava rapidamente. Selina sabia que conciliar uma vida civil com a de heroína era desafiador e, muitas vezes, desejou desistir, mas por alguma razão, ainda permanece nos dois ramos. — Bem, a prefeitura poderia usar um dinheiro que investiu aqui para investir nas escolas também, não acha? Então, ser professor seria uma escapatória dessas duas opções? Cuidado, amigo, ainda posso te analisar. — Quando estava fora do consultório, ela tentava também não fazer o outro trabalho, mas era difícil sair desse papel de terapeuta quando várias pessoas soltam frases instigantes. — Vou deixar você adivinhar. —
Virgil levou a mão ao peito em falso choque, o sorriso abrindo no rosto. "Galinha? Selina, agora você está me confundindo com outro super aí, daqueles que vivem mais na internet do que nas ruas." Ele riu, sacudindo a cabeça, antes de ajustar a mochila nos ombros que, claro, estava carregada de papéis e provavelmente os brinquedos das crianças. "E pra sua informação, hoje era meu dia de folga. Mas sabe como é... ouvir que ia rolar uma feira de heróis, cheia de crianças impressionáveis e adultos mal-intencionados, e eu pensei: “é agora que minha ansiedade vai ganhar forma física”. Fez uma pausa dramática, os olhos indo até o palco montado com luzes piscando em excesso e uma faixa torta dizendo inspiração para o futuro.
"E olha, você tem razão. A grana dessa feira daria pra reformar pelo menos umas dez escolas e ainda sobrava pra colocar Wi-Fi decente nas salas. Mas quem se importa com educação quando se pode distribuir chaveiros com o rosto de heróis e vilões?" Virgil sorriu de canto, mais contido dessa vez, e olhou para ela. "E ser professor... não é escapatória. É resistência, Selina. É tipo ser herói, só que sem capa, sem salário decente e com uma fila de adolescentes que acham que sabem mais que você. E às vezes... sabem mesmo."
Ele apontou de leve para ela, quase num gesto brincalhão. "E cuidado você também, você fala como quem analisa todo mundo, mas... quem te analisa?" Fez uma piscadinha rápida e virou o rosto, rindo antes que ela pudesse responder. "Mas vai lá, vou adivinhar. Você está aqui pra tentar lembrar por que ainda vale a pena lutar por isso tudo. Acertei?
Selina estava encostada em uma parede, olhando as suas redes sociais, enquanto saboreava um milkshake de baunilha cremosa que havia pedido. Não estava se sentindo tediosa, mas aos poucos, a vontade de permanecer no evento estava diminuindo. Estava começando a considerar que tinha conseguido o que queria, embora não soubesse o que era. Então, quando levantou seu olhar, reparou em um rosto familiar notando todo o ambiente depois. Aproximou-se em silêncio, com uma das mãos na jaqueta de couro e apenas abriu a boca quando tinha chegado perto: — Não sabia que o grande Virgil solitário tinha virado pai de... — Olhou para as crianças, contando quantas tinha e voltou sua atenção para ele. — Cinco de uma vez. Já pagou a pensão de cada, colega? —
Virgil só precisou ouvir a primeira metade da frase pra saber quem estava chegando. Ninguém mais conseguia fazer uma provocação soar como uma carícia com garras, ele virou o rosto devagar, com um sorriso preguiçoso, e inclinou o corpo para o lado, como se estivesse recebendo um soco que já conhecia bem. “Cinco? Por favor, Selina, me dá um pouco de crédito. Se fossem meus mesmo, estariam usando moletom roxo e ouvindo hip hop educacional desde o berço." Ele cruzou os braços, sem esconder o sorriso divertido que crescia no canto da boca. “Mas não, ainda não sou pai, só professor, o que significa que tecnicamente, eu pago pensão sim. Todo mês. Chama-se salário e some inteiro em papel, tinta e brinquedo educativo.” Fez uma pausa dramática, como se pensasse respeito, depois acrescentou, com um olhar mais suave: “Eles são bonzinhos, no fim das contas, me mantêm com os pés no chão e me impedem de virar um cientista maluco ou um vigilante com complexo de salvador... sabe como é.” Olhou pra ela de cima a baixo, analisando o milkshake como se fosse uma pista de personalidade. “Agora me diz você: esse milkshake aí é tédio disfarçado ou só vício mesmo?”
tinha acabado de comprar um desses espetinhos de frango em uma das tendas na área de alimentação quando percebeu a onda de crianças passando por ela e indo até a área infantil. — woah, espero que todos eles consigam andar no brinquedo do krypto. — donna comenta de forma gentil. a decoração daquele espaço é lúdica, uma forma interessante como optaram pela linha animais heróis e não todas as crianças que colocaram uma máscara para salvar o mundo. — você é o professor das crianças que acabaram de entrar? — ela se aproxima de virgil, ainda com um sorriso no rosto. — quer que eu tire uma foto deles depois? eu consigo mandar o arquivo. não é a minha melhor câmera, mas por enquanto está dando conta de tudo que dá pra fotografar aqui. — donna termina de mastigar uma última parte do frango antes de partir o palito do espetinho em dois, colocando na lata de lixo reciclável mais próxima.
Deu uma risadinha contida, cruzando os braços enquanto esperava a confusão atingir o brinquedo do Krypto, o tipo de caos que ele já conhecia bem. Quando a voz surgiu ao lado, ele virou o rosto com um sorriso fácil, do tipo que já vinha naturalmente sempre que estava entre gente gentil. “Sim, eles são meus, não meus, mas são meus alunos. Pelo menos até às cinco da tarde ou até um deles resolver escalar alguma coisa que claramente não deveria ser escalada.” O sorriso ficou mais largo por um instante antes de suavizar, com ternura nos olhos ao olhar de novo para as crianças. “São bons garotos. Inteligentes, curiosos e barulhentos na medida certa é otipo de turma que faz você querer ser melhor, sabe?” Ele olhou de volta para ela, os olhos agora brilhando com um pouco de humor. “E olha, se você conseguir tirar uma foto sem ninguém fazendo careta ou correndo fora do enquadramento, eu te pago um café ou uma sobremesa, ou os dois, você escolhe.” A provocação veio com um meio sorriso e um levantar de sobrancelha, nada intenso demais, só o suficiente para ver se ela entrava no jogo.
Virgil caminha devagar pelo pavilhão central, onde uma multidão se aglomera diante de hologramas e armaduras que custam o triplo do orçamento de sua escola pública. Camiseta preta simples com e um blazer cinza claro, estava com um sorriso constante no rosto, era o tipo de presença que é calma e acessível. Um grupo de crianças da escola onde leciona anda com ele, usando mochilinhas coloridas e segurando fichas para a “Área Kids dos Heróis”. Elas o seguiam como se fosse um irmão mais velho ou melhor, como o tio legal que explica como as coisas funcionam sem tratar ninguém como burro. "Eu vou deixar vocês ai, mas eu tô aqui fora de olho em vocês."
POV: Now that don't kill me, can only makes me stronger
Virgil estava deitado no sofá da sua pequena cobertura, o corpo meio enrolado numa manta surrada, a cabeça repousada sobre o braço dobrado. A cidade pulsava do lado de fora com sirenes distantes, motores e vozes carregadas. Mas lá dentro, no silêncio da noite, sua mente decidiu não descansar.
No sonho, ele caminhava por um beco estreito, sujo e mal iluminado apenas por uma lâmpada oscilante que lançava sombras duras contra as paredes grafitadas. O cheiro era forte de fumaça, ferrugem e um toque amargo de adrenalina. De repente, uma voz, uma voz que cortava a névoa da memória. Era ele mesmo, jovem, idealista, com olhos brilhando de esperança. “Você não pode salvar todo mundo, Virgil.” Mas ele queria?
A cena mudou rápido. Agora ele estava sozinho, no topo de um prédio, olhando a cidade em chamas ao longe. Os punhos cerrados e com o corpo tenso. O vento cortava a pele como se quisesse arrancar o que restava de inocência dentro dele. Um rosto, um jovem rapaz que não lhe parecia familiar surgiu se juntando a ele, Virgil tentou perguntar ele precisava de alguma coisa, mas o som de sua voz morreu em sua garganta. O céu se abriu em uma tempestade de luzes vermelhas e azuis, uma sirene que não silenciava nunca.
Acordou arfando, o suor frio grudado na pele. O coração martelava como se fugisse do peito, por um momento, o anti-herói se permitiu sentir a dor, o peso e a perda de uma pessoa que ne conhecia. Ele então se levantou, enfiou as mãos nos bolsos e virou o rosto para a janela. A cidade continuava lá, fria, indiferente e ele, mais uma vez, pronto para caminhar nas sombras.
Ah, VIRGIL HAWKINS, as pessoas realmente gostam de falar sobre você pelas costas. Não acredita em mim? Já ouvi rumores de que é CRIATIVO e IMPULSIVO, o que realmente não deve ser uma surpresa para um ANTI-HERÓI. A vida não fica mais fácil aos VINTE E SETE anos, nem mesmo quando é a cópia de JUAN PAIVA Mas não se preocupe STATIC SHOCK, em breve, tudo ficará mais claro.
⚡ Uma noite, ao encontrar seu amigo Wade nas docas, e foi convidado a se juntar a sua gangue, uma gangue rival apareceu e uma guerra de gangues se seguiu. A polícia logo chegou e, ao lançar uma lata de gás lacrimogêneo para acabar com a briga, a lata atingiu uma plataforma contendo barris de um mutagênico experimental, fazendo com que os barris inflamassem e explodissem, toda a área do cais e seus ocupantes foram expostos a um estranho gás roxo que vazou dos barris. Como resultado dessa exposição acidental a esse mutagênico em um evento mais tarde conhecido como Big Bang, Virgil ganhou a capacidade de controlar e manipular o eletromagnetismo e usa esses poderes para se tornar um super-herói chamado "Super choque".
⚡ Já não é mais o garoto impulsivo de Dakota City. Agora é um herói experiente, formado em engenharia elétrica, e trabalha como professor de ciências em uma escola pública. Ele leva uma vida dupla: educador de dia, vigilante à noite. Após anos enfrentando crime, corrupção e tragédias pessoais, ele se tornou mais cauteloso — mas ainda sente o peso do passado.
⚡ Três anos atrás, durante o colapso das realidades, Virgil perdeu o controle de sua eletricidade em um ataque contra um grupo hostil. O que era para ser uma contenção virou destruição. Ninguém inocente morreu, mas o mundo viu nele uma ameaça. Não foi julgado, mas foi condenado pela opinião pública. A partir daquele dia, ele percebeu que não podia mais ser o herói idealizado de antes.
⚡ Hawkins agora dá aulas em uma escola pública no centro de Tenebrae, com uma jaqueta escura, olhar atento e presença firme. À noite, porém, Virgil continua ativo — mas fora do radar, longe das manchetes. Ele não responde a chamados oficiais, não segue protocolos. Ele faz o que precisa ser feito, do jeito que acha certo. Um justiceiro elétrico que age no limite da moral. Um anti-herói que se recusa a ser apagado.
⚡ Sarcasmo afiado, sorriso contido. Virgil não perdeu o senso de humor — só o usa com mais cautela agora. A leveza de antes deu lugar a uma ironia cortante, usada como escudo contra a dor e as decepções. O coração ainda no lugar certo, mas com as mãos sujas. Ele continua querendo proteger os outros, mas deixou de acreditar que seguir regras é sempre o melhor caminho. Às vezes, justiça exige decisões duras. E ele está disposto a tomá-las, mesmo que custem sua imagem. Desconfiado. Depois do acidente e da maneira como foi tratado, Virgil passou a confiar pouco nas pessoas. Ele observa mais do que fala, testa os limites antes de se abrir. Mas uma vez que alguém ganha sua confiança, ele é leal até o fim.
HABILIDADES: Virgil pode gerar, absorver e controlar eletricidade. Ele a usa tanto de forma ofensiva, quanto defensiva. Usando campos eletromagnéticos, ele consegue voar sobre superfícies metálicas (como seu disco de metal). Ele se move rapidamente no ar e pode flutuar ou planar com grande controle.
FRAQUEZA: Em áreas com distorção magnética ou blindagem tecnológica, sua percepção e controle sobre a eletricidade podem ser prejudicados, tornando seus ataques instáveis.
INSTITUIÇÃO: Titãs