Quando você para pra pensar, “o que é ser mulher no século XXI”, o que vem a sua mente? Imagino que, a maioria dos seus pensamentos, não incluem coisas boas, né?!. Podemos facilmente ligar a vida de uma mulher hoje, com uma flor. Já notaram que, quando uma flor é arrancada, ela não dura muito? Pode até durar, mas murcha? Já observarão o que acontece com elas no outono?
Temos raízes. Raízes como sendo fortes, desde o princípio, como também possuímos história, como sendo violentadas, desde a época da colonização do Brasil, com os índios. Sempre fizemos muito mais pelo os outros, do que para nós, e não só no passado. Quantas mulheres tiveram que usar pseudônimos em suas obras e criações, para serem valorizadas? Quantas mulheres foram mortas, para termos os direitos que usufruímos? Quantas mulheres já foram violentadas e mortas só hoje? Quantas mulheres, mesmo o homem sendo culpado, se voltaram contra a outra? Foram machistas com a outra? Aonde, durante toda a nossa história, perdemos a empatia por nós mesmos? É estranho achar que, antigamente, fazíamos mais pelas as outras, do que hoje né?
Somos flores. Arrancadas pelo o homem, para terem algo lindo por perto, e o pior, se trata de homens no geral, porque aquela mulher que faz parte da nossa história, também nos arranca, mas somente com o desejo de nos matar, com análises e críticas, alimentando a rivalidade criada pelos homens. Como pode uma flor, querer arrancar outra flor? Somos feitas para sermos cultivadas, em nossas infinitas formas e jeitos. Por favor, não nos dê mais padrões para seguirmos, temos que saber que somos lindas do jeito que somos, e que cada uma, tem seu jeito de desabrochar. Reguem-nos com novas culturas, novas leis, novos pensamentos para suas crianças, façam com que a gente floresça, permitam nos reproduzir, exercer direitos básicos como o de ir e vir, sem que sejamos mortas, violentadas, assediadas. Queremos poder trazer mais primaveras, espalhar a nossa beleza, seja ela qual for, pelo o mundo. Mas parece que vocês querem nos ver e cultivar um outono, que parece não ter fim.
Dependemos de nossas raízes para sobrevivermos. Queria poder dizer que, nos mulheres somos flores por conta da nossa lindeza, que as pessoas nos cultivam e se aproveitam de nossas qualidades corretamente, que a nossa “fragilidade” em cair, dura somente três meses a cada ano, e que nos valorizam. Geralmente, o que as flores tem em comum, são os cheiros, nós mulheres, temos história. Histórias do nosso primeiro assédio, abuso ou estupro, isso quando temos idade para nos lembrar e contar. Flores compartilham umas com as outras, espaços com campos floridos, nós compartilhamos “ensinamentos de sobrevivência”, para um dia ter a chance de ter um espaço no mundo, e infelizmente, neles estão inclusos saberes dos quais, o sexo oposto, já deveria ter aprendido e evoluído junto com elas. Todo o dia, a cada minuto, uma flor se cai, sem ter a chance de florescer novamente.
Esse não é um texto bonito, é um texto real. Juro que era pra ter sido um texto lindo, mas é sobre aquilo que não deveria ser pedido, súplica pela as nossas vidas, pois a cada dia que se passa, nos consideramos verdadeiras sobreviventes, e somos, é só você olhar o nosso passado e o nosso presente, tudo o que temos que aguentar de todo o mundo. E mesmo fazendo de tudo, somos julgadas por todos, padronizadas, quando a verdade é que temos diversos valores, e quando você mulher, descobre isso, que você foi aprisionada porque tem valor, que consegue dar conta de tudo sozinha e que nada vale mais do que a sua liberdade, você começa a quebrar regras que foram impostas a você, e percebe como isso é bom. Esse foi um texto para falar de nós, pra mostrar que, pode vir o que tiver que vir, nós aguentamos. De criança à adulta, seremos resistência, pois como popularmente já dizem, “até no lixão, nasce flor”.
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