Desprendendo os olhos do café fumegante, se deparou com um enorme espelho na pilastra à sua frente, refletindo tudo à sua volta. Se encarou – outra ilusão – reparou nas cicatrizes internet de outros sentimentos violentos como este. De intensidade e rapidez direta e avassaladoramente proporcionais, que a tomaram por inteiro, a mesma necessidade que sempre voltava. Por mais que desistisse, negasse e se contradissesse, sempre voltava ao mesmo acerto desacertado. Entrega total, dedicada à pessoa errada e quanto mais perigoso maior a ânsia de possuir. Sobrevivera, sobreviveria, mas cedendo cada vez mais – a única coisa que temia mais que seus sentimentos destruidores era não sentir. A passividade diante da própria alma rasgada, acreditando protege-la em mais uma ilusão. Cada gota era a prova pulsante de que ainda sentia, de que ainda vivia, de que ainda se salvaria. Quando não caíssem mais, aí sim seria o fim. A esperança teria acabado. Quando não mais ouvisse as músicas que retumbavam tempestade em seu peito e quando essa tempestade não mais a lembrasse de cada fracasso até então. Tudo perderia sentido. Com o último gole de café veio a percepção do suor em seu buço, iria para casa, se deitaria no chão gelado e à meia noite escreveria. Ditaria roteiros inteiros do que não foi e acreditaria que, no fim, ainda viveria isso com outro. pvj https://www.instagram.com/p/CoEGVJIsFjz/?igshid=NGJjMDIxMWI=























