— How I met your mother.
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@still-lovingy0u
— How I met your mother.
Não foi falta de amor.
Foi orgulho demais pra um sentimento que pedia cuidado.
Eles nunca foram do tipo que voltam fácil,
que pedem desculpa sem engolir seco,
que abaixam a guarda sem sentir que estão perdendo alguma coisa.
E talvez por isso tenha doído tanto.
Porque entre o que sentiam
e o que conseguiam demonstrar,
sempre existia um espaço…
ocupado pelo ego.
Nenhum dos dois era indiferente.
Mas aprenderam a parecer.
Como se fosse mais seguro sustentar a própria posição
do que admitir que ainda importava.
E aos poucos, foram se afastando assim
não por falta de vontade de ficar,
mas por excesso de dificuldade em ceder.
É estranho…
como duas pessoas podem se perder
não porque deixaram de se amar,
mas porque nenhum dos dois quis ser o primeiro
a amar sem defesa.
No final, o silêncio venceu.
Não porque era o que eles queriam…
mas porque foi o que o orgulho permitiu.
Talvez o problema nunca tenha sido falta de sentimento.
Talvez tenha sido intensidade demais…
dois jeitos fortes, duas vontades que não sabem recuar,
dois orgulhos que, sem perceber, começaram a falar mais alto do que o próprio amor.
Porque quando a gente sente muito,
também reage muito.
E, às vezes, no meio de tanta certeza de si,
a gente esquece de cuidar do coração do outro.
Não foi de uma vez que as coisas mudaram.
Foi aos poucos. Foi em cada palavra dita sem pensar,
em cada silêncio que virou distância,
em cada momento em que ceder parecia perder.
E no fundo… nenhum dos dois queria perder.
Mas também nenhum soube parar a tempo.
O orgulho pode disfarçar o que ainda existe.
Como se fosse mais fácil sustentar a postura
do que admitir que ainda importa.
E talvez ainda importe.
Só que agora tudo parece mais difícil,
mais pesado,
como se entre o que a gente sente
e o que a gente demonstra
existisse um abismo.
E mesmo assim…
algumas histórias não se desfazem por falta de amor,
Mas se perdem no meio de tudo aquilo
que ninguém quis baixar primeiro.
Eles ainda estavam ali.
Sentados um de frente pro outro, como tantas outras vezes, mas dessa vez havia algo diferente, não era silêncio, era cansaço. Um cansaço fundo, daqueles que não vêm de um dia ruim, mas de tudo o que foi se acumulando sem descanso.
Nenhum dos dois queria brigar.
Mas também já não sabiam mais como não ferir.
As palavras, que antes aproximavam, agora pareciam sempre chegar tortas.
Os olhares, que antes entendiam tudo, agora desviavam… a comunicação que antes existia e funcionava, hoje parece não existir mais.
Era estranho… porque ainda existia algo ali.
Algo vivo, pulsando, insistindo em não morrer.
Mas ao mesmo tempo, havia rachaduras demais.
Eles se lembravam do começo, não com saudade leve, mas com um peso silencioso. Como quem sabe exatamente o que já foi… e percebe que não sabe mais como voltar.
Não era falta de amor.
Era o desgaste.
Era o acúmulo.
Era a sensação de estar tentando, tentando, tentando… e ainda assim não conseguir fazer dar certo.
Em algum lugar dentro deles, existia a vontade de ficar.
Mas também começava a nascer, quase sem querer, a necessidade de parar de doer e o desespero em se livrar.
E ali, entre o que ainda sentiam e o que já não aguentavam mais,
eles permaneciam
não por certeza,
mas porque terminar também exige uma força que, naquele momento, nenhum dos dois tinha.
O mais difícil não é o fim.
É quando ele ainda não aconteceu,
mas já começou.
Quando os dois ainda estão ali,
ainda se falam, ainda se veem, ainda se chamam pelo nome…
mas alguma coisa essencial já se perdeu.
É um tipo de luto estranho, quase invisível.
Porque ninguém foi embora de fato
mas também ninguém está realmente ficando.
As encontros diminuem,
os toques mudam,
os silêncios se alongam mais do que deveriam.
E, no fundo, os dois percebem.
Mesmo sem dizer.
Percebem que estão assistindo, em tempo real,
algo que um dia foi vivo…
ir se apagando aos poucos.
Não há um momento exato em que tudo quebra, só uma sequência de pequenas despedidas disfarçadas de rotina.
Um cuidado que já não vem.
Uma palavra que não é mais dita.
Um gesto que se perdeu.
E o mais cruel… é que ainda existe amor.
Mas já não existe mais força suficiente pra sustentar o que ele pede.
Então eles ficam ali, por mais um tempo…
não porque acreditam que vai voltar a ser como antes,
mas porque terminar de vez
é admitir em voz alta
aquilo que o coração já entendeu em silêncio.
Eles quase não se reconheciam mais.
Não era algo visível de fora, eles ainda ocupavam os mesmos espaços, ainda sabiam os gostos um do outro, ainda tinham memórias suficientes pra preencher qualquer silêncio.
Mas por dentro… parecia que estavam sempre um passo desencontrados.
Era como se tudo tivesse ficado sensível demais.
Qualquer palavra pesava.
Qualquer ausência machucava mais do que deveria.
E, ainda assim, nenhum dos dois conseguia ir embora.
Não por esperança.
Mas porque, em algum lugar, ainda doía imaginar o outro sem estar ali.
O amor não tinha acabado, ele só já não sabia mais cuidar.
Cansados, eles começaram a se poupar…
de conversas, de tentativas, de profundidade…
E foi assim, aos poucos, que foram ficando rasos.
Não houve um fim exato.
Nenhuma grande decisão, nenhum adeus definitivo.
Só um afastamento lento, quase imperceptível de como duas pessoas que se amam,
mas já não conseguem mais se alcançar.
“Eles nunca vão ficar. Eles prometem mas nunca ficam.”
— American Horror Story. (via recontador)