Se eu choro é porque sou humano, pois o choro é a consequência da despedida. Se eu rio é porque me sobram alegrias pelos momentos que passei ao lado de quem gosto. E hoje, como prova do que digo eu choro, eu rio, eu grito, eu clamo porque, primeiramente, eu sou gente e carrego em meu peito cada sorriso, cada lágrima, cada palavra e cada olhar que passou por mim nesses últimos quase três anos e também sou, principalmente, um saco de sentimentos que foi se enchendo mais e mais a cada dia que se passava. Eu sempre estive no fundo, como um ninguém, às vezes nem reparado, mas eu não me importava. Por quê? Porque eu registrava em minha memória os jeitos, trejeitos, manias e frescuras de cada um, de quarenta e uma outras pessoas que passeavam e me mostravam o que significa ser gente. E hoje, se me perguntarem, eu sei de cor cada nome, cada sobrenome e a personalidade de cada um, porque a vida nos faz não querer esquecer disso. Quem sabe eu não fui aquilo que todos esperavam, mas eu fui aquilo que eu queria ser e aquilo que eu devia ser, e, diga-se de passagem, não há algo melhor do que ser eu mesmo. Eu suportei as loucuras de cada um e relevei as vezes em que momentos inoportunos apareciam para me enfurecer, porque eu sou assim e serei assim até o (quem sabe) fim. Eu ri quando todos riram, chorei quando todos choraram, abaixei a cabeça quando foi preciso e me fiz de menor quando queria que o outro mostrasse seus talentos. Porque acima de qualquer coisa, aquele grupo envergonhado que se juntou pela primeira vez, sem saber os defeitos e qualidades do outro, hoje anda como um só, como se tivesses nascido do mesmo útero, na mesma hora e no mesmo lugar. Porque de Fernandas, Larissas, Bárbaras, Filipes, Abinadabis, Franciscos, Marias e Antônios, tantos nomes, tantos jeitos e tantos outras dezenas de amores, nós nos tornamos apenas um. Uma sala, uma família, uma única fonte. E não temos um nome, uma cor, uma raça, uma religião. Nós somos o Um que se completa e se respeita de uma forma fenomenal e que, apesar dos desentendimentos, no final acaba se perdoando e brincando como criança. E assim nós nos enveredamos em nossa jornada, com rumos diferentes, mas com aquela pequena lembrança de tudo o que aconteceu. E que possamos gritar de corpo inteiro e alma batida que nós seremos infinitos e que a nossa alegria não será roubada por uma simples despedida.