I'm not one of your demons, am I? ; Liam and Megan
Liam caminhava ao lado da irmã, sem tocá-la. Aquilo o frustrava. Normalmente, após algo como aquilo, ele iria andar abraçado a ela, protegendo-a mesmo ali, onde tinha certeza que ela estaria a salvo, mas não naquele dia. Ele lembrava-se bem do quanto se sentira envergonhado de como falara com Megan na segunda feira. No mesmo dia, logo após sair do quarto da menina Liam sentira a vergonha e o arrependimento crescendo dentro dele, e parecia que nunca iria acabar. Claro que ele poderia ter pedido para o motorista ir busca-la, ou deixar que sua mãe fizesse isso, mas ele se sentia na obrigação de buscar a menina, de mostrar que mesmo com ela pedindo que ele não mais se importasse com ela, e ele afirmando que finalmente tiraria aquele peso das costas, Liam não conseguia não pensar na menina. Não conseguia não se preocupar. Megan era um dos poucos pesos que ele carregava com prazer em suas costas.
— Eu teria entrado ali mesmo sozinho se eu tivesse certeza que qualquer uma de vocês estivesse lá. — falou, depois de saírem do quarto. Demorara a responder a menina porque não sabia o que dizer. Não sabia como explicar a ela que não importava o que acontecesse com ela, ou qualquer uma das outras duas, Liam não mediria esforços para estar com elas ou salvá-las ou qualquer coisa que precisasse ser feitas. Ele amava as três meninas, cada uma de uma modo diferente, mas as amava. Nunca precisara por aquele sentimento em palavras, primeiro porque não era bom naquilo e segundo, porque fazia de tudo para que elas percebessem aquilo em suas ações. Talvez Liam fosse o mais carinhoso de todos os quatro garotos do coven. Não se importava mesmo em abraçar as meninas, beijá-las, demonstrar todo o amor que sentia por elas em público, porque já passava tempo demais escondendo seus sentimentos ruins, achava-se no direito de mostrar pelo menos os bons. – Você sabe disso. – continuou, ainda falando baixo, ainda se controlando para não passar o braço ao entorno dos ombros da menina e puxá-la para si.
Quando Megan falou daquela forma sobre o carro, Liam abriu um sorriso e ergueu uma sobrancelha. – Ninguém me disse que eu não podia. – falou, já andando para o lado do motorista, porque ele nunca deixaria a menina dirigir, não depois do que ela passara. Ele sabia que ela estava brincando e isso o deixava mais aliviado. Talvez Megan não estivesse tão magoada com ele, afinal. Talvez eles pudessem voltar a ser como antes algum dia. Mas ele não estava satisfeito com o talvez, por isso, assim que a menina se acomodou no banco do passageiro e ele se viu já a caminho de casa, Liam deixou todo o seu orgulho de lado e, sem olhar para a menina de imediato, falou: — Desculpa. – ele nunca sentira tanta vergonha de algo que dissera ou fizera em sua vida. – Eu não devia ter falado aquelas coisas par você, Meg, não devia mesmo. – falou, voltando o olhar para ela, apenas por um segundo, apenas para mostrar que realmente sentia muito pelas coisas que falara.
— É meu, deveria ser explícito que não pode pegar, tocar ou usar. — respondeu ao irmão, ainda implicando e sorrindo. — É o meu bebê. — brincou. Era bom estar assim com ele, esquecer-se do que havia acontecido dias antes. Definitivamente Meg gostaria de esquecer cada palavra que tinha dito ao irmão, assim como gostaria de esquecer todas as frases dolorosas que havia deixado a boca dele. Nenhuma palavra havia machucado-a tanto, com tamanha intensidade Megan sabia que só tinha doído porque tais palavras eram de Liam, e este simplesmente era a pessoa mais doce que a menina conhecia, e eu nunca imaginaria que algum dia os dois pudesse ter uma briga daquela dimensão. Mas tiveram, e as feridas deixadas pela discussão ainda doíam, e embora depois do acidente Megan tentasse não pensar muito em tal fatídico dia, era meio impossível, pois fora algo que abalara a relação deles.
Entrou no carro sem dizer mais nada e colocou seu sinto de segurança. O tempo pelo qual o estranho silêncio se estendeu fora deveras desconfortável. A loira gostaria de dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas sinceramente, não fazia ideia do que falar naquele momento. Ainda pensava a respeito quando ouviu o soar da voz do irmão. Olhou para o irmão, observando-o dizer as frases que completariam a palavra solitária. — Está tudo bem, Liam. — respondeu, suspirando. — Eu também te disse coisas horríveis, e me arrependo muito. É claro que você cuida de mim e se importa, assim como eu me importo e tento cuidar de você. É assim que funciona, somos irmãos, e existem poucos laços mais fortes do que este. — disse para ele, sentindo a voz um pouco embargada. A verdade estava presente em cada uma das frases proferidas por ela. Amava o irmão mais do que qualquer outra pessoa no mundo, e tinha certeza que era rara a ligação extrema que possuíam. E apesar de todos os segredos que guardava, confiava plenamente no garoto.
















