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Você tem uma galera?
Nunca me senti sozinha, mas o tempo foi passando. Na escola nunca me senti isolada ou abandonada, sempre tive companhias. Sempre fui a pessoa que chamava o aluno novo que estava isolado pra sentar perto, era do time de basquete, então além da minha sala eu tinha contato com pessoas de outras turmas, amigos de amigos, etc...
Porém quando o assunto das meninas era sobre os meninos eu me isolada naturalmente, sempre me senti um patinho feio, sempre achei que menino nenhum olhava para mim (apesar de hoje uma amiga confessar que todos queria ficar comigo), então não era um assunto que me deixava confortável. Aí já era hora de procurar outra turma onde esse assunto não rolasse e eu não me sentisse mal.
Ainda bem que sempre existe alguém com os mesmos interesses. Ou não...Veja... Tenho amigas dessa época até hoje, o problema é que elas são como eu. Não sabem manter o contato e ser presente fisicamente. Somos do tipo que precisam ser arrastadas para a vida social, nenhuma de nós é do tipo que arrasta.
Na faculdade era só eu e mais uma mulher na sala, o resto dos alunos eram todos homens. Não que eu não fosse amiga da garota, eu era, mas era naquele contexto, naquela época, naquele tempo, querendo ou não, a gente tem os amigos de classe, amigos de balada, etc... Os caras, com a mentalidade ridícula que muitos tinham, não se aproximavam pela amizade. Passei metade do curso namorando com um cara da sala (que conheci quando fazia outro curso com ele), então já não se aproximavam de mim por conta disso, quando chegou a outra metade e eu estava solteira, nenhum se aproximou para virar meu BFF. No caminho, muitos se surpreenderam e viram que “até que eu era legal”. A questão é que sempre fui na minha, trabalho-faculdade-casa-trabalho-faculdade-casa. Se não tem alguém para me tirar da rota eu acabo ficando presa no mesmo caminho e nada acontece.
Preciso me tornar a pessoa que toma a iniciativa e se aproxima, a pessoa que não espera ser lembrada mas a que lembra. O problema é que tenho medo da rejeição. Nunca ousei comemorar meu aniversário em algum lugar pois sempre acreditei que ninguém apareceria, sempre tive esse medo. Sempre achei que ninguém gostasse de mim a ponto de sair de casa para me ver e comemorar algo comigo.
Por anos (época da faculdade) tive um namoro nada saudável que me afastou das pessoas e as afastou de mim, acho que por isso acabei perdendo a fase mais importante para a construção dessa vida social que hoje eu sinto falta. Se eu fosse casar amanhã eu não conseguiria preencher o altar com madrinhas e bancos da igreja ao mesmo tempo.
O que me resta, já que isso tanto me incomoda, é me mexer e mudar a situação. Então, bora mudar.
More life | jasonjko
Todos precisamos de cura, quer percebamos isso ou não. Apenas por estarmos vivos, temos feridas. Mesmo que não tenhamos nem mesmo uma cicatriz física...
Go’el - World of Warcraft (Marés da Guerra)
Happy Valentine’s
“Uma lenda dos bantus trazidos da África para o Brasil conta sobre o demônio Tizim, que come os corações e bebe o sangue dos casais que encontra na mata. De acordo com a lenda, o rei Nzinga descobriu que sua esposa o estava traindo com um guerreiro. Furioso, o rei acendeu uma fogueira e sacrificou animais no fogo para falar com o diabo-da-fumaça. Pediu ajuda para matar o guerreiro e foi transformado numa grande besta de pele negra e olhos verdes sobrenaturais. O diabo moldou-lhe os pés para correr mais rápido, as mãos para cortar a carne e a cabeça para morder e quebrar os ossos e beber o sangue. Correndo como uma fera e exalando a fumaça por onde passava, o rei Nzinga encontrou a rainha e o guerreiro na mata e comeu seus corações e bebeu seu sangue, mas, enganado pelo diabo, não pôde mais voltar ao normal.
Essa lenda está preservada ainda em Angola, no Congo e na República Democrática do Congo, bem como em alguns países de destino para escravos saídos dessas regiões, como o Brasil, no interior de Minas Gerais e em Goiás, e em Trinidad e Tobago. O nome Tizim (do bantu T'zim) significa “o Bebe-Sangue”.
Há poucos anos a lenda do Tizim foi adaptada para justificar os casos de mortes de animais domésticos nas fazendas brasileiras. Nelas as mortes são atribuídas ao Chupa-cabras, que mantém ainda muitas das características do Tizim. “
Cantada vs. Elogio
A maioria acredita que a mulher tem responsabilidade em casas de estupros, é o que diz a pesquisa do Ipea.
“Por trás da afirmação, está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então, as mulheres que os provocam é que deveriam saber se comportar, e não os estupradores. A violência parece surgir, aqui, também, como uma correção. A mulher merece e deve ser estuprada para aprender a se comportar “ dizem os pesquisadores
O fato é o machismo é uma merda e as pessoas deveriam praticar o bom senso.
Homens com assédios absurdos, cantadas ridículas e invasivas e estupros sendo defendidos e justificados pelas roupas das mulheres. Mas se esquecem que nem usar uma burca evita um estupro.
Cantada não é elogio, a grande maioria não se sente elogiada, se sente invadida, constrangida e acoada, tira o sossego, a gente se sente humilhada. É pedir demais mais educação?
Assédio e cantadas ridículas acontecem independente da roupa que se usa, acontecem independente de você achar uma mulher bonita ou não... basta ser mulher.
O homem que faz isso não te olha, ele te come com os olhos, é nojento. Ser chamada de “cavala”, gostosa, delícia no meio da rua é constrangedor. Nos da vontade de voltar pra casa e tomar um banho.
Eu particularmente, e acredito que outras mulheres também, se sentem mal por passar próximo a um grupo de homens que ficam ainda mais babacas juntos.
Outra coisa que me faz sentir mal é quando estou na balada com prima ou amigas e o caminho para o banheiro se torna completamente desconfortável pois os caras entram na sua frente para que você não passe, passam a mão no seu cabelo ou te seguram pelo braço. E a roupa não importa.
O Afeganistão é considerado o país mais perigoso para mulheres, seguido por Congo, conhecida como a capital mundial do estupro, Índia e Paquistão. Vai dizer ainda que a roupa é a culpada de tudo? Será mesmo que se cobrir, usar lenços, e burca resolve o problema?
Que tipo de homem não sabe se controlar ao ver uma mulher? Vi gente comparando o estupro com o fato de usar um celular ou carro caro e não querer ser roubado. Gente, roubar também é errado, ninguém quer ser roubado, você não quer ser roubado, a mulher também não quer ser estuprada.
Podem achar mimimi ou besteira, mas homem nenhum sabe o que é ser assediado por alguém fisicamente mais forte e que pode te causar danos físicos, vocês não sabem o medo que a gente sente ao passar por situações como essa, especialmente se estivermos sozinhas voltando tarde de qualquer lugar.
Elogios válidos são os dos meus pais, meus amigos e amigas, e namorados. Elogio válido é aquele que vem das pessoas que eu amo, não de um completo desconhecido no meio da rua.
Olhar com respeito e admiração é uma coisa, uma “visão de raio-x” é outra completamente diferente.
Parecia que as coisas ficariam bem, mas era só o início do fim de tudo.