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@strydent
“As vezes até guerreiros imortais precisam de uma pausa, não seria diferente conosco. Aliás, o nome desse jogo é GO, eu costumava jogar com meu pai. Quer tentar?”
“Eu estou cheia de permanecer em pausa, J. Não bastasse ficar debilitada, estão todos me tratando como se eu fosse de porcelana! Mas, ok, já que não me deixam sair, podemos jogar. Quais são as regras? Vou tentar prestar atenção para não burlá-las.”
“yeah but tell me more about you”
@success5power
the blood on my hands scares me to death ♛♚ king and princess
O escorpionídeo peregrinava pela epiderme torácica, as pernas ambulatórias do artrópode deslizavam pela superfície sensível tingida pelo escarlate sanguíneo. As quelíceras animalescas devoravam o sangue, sugando-lhe a epiderme de forma análoga a um morcego. O aguilhão perfurou com astúcia a vítima, inoculando a toxina escorpiônica. O fluído insalutífero adentrou a corrente sanguínea, o efeito subcutâneo a substância fora a ardência avassaladora. O animália prosseguiu ao ataque, ceifando-lhe o líquido vital com astúcia. O término do ataque do bestial fora a colheita deste, o animal retirado do abdômen por uma força externa. Porventura, caso houvesse a inexistência de correntes para mantê-lo preso, Kyle teria usufruído da força e estratégia para evitar o ataque. Porém, o tirânico jaz moribundo após receber múltiplos ataques em sua extensão anatômica. O porquê do ataque era estrambólico ao líder da Human Crew, deixando-o aéreo sobre quem fora o autor do ato. A venda em seus olhos era o obstáculo, embora o riso oriundo de seu opressor fosse deveras familiar aos tímpanos. Entretanto, após degustar do ruído de seu próprio grito involuntário contínuas vezes, o Strynder não saberia discernir a diferença entre os sons. A incógnita usurpou de sua inteligência, metamorfoseando-o a figura de um débil. O homem conhecido por sua engenhosidade jaz mentecapto, alheio ao período em que fora submetido a péssimas condições. Quiçá era o ciclo de dois dias, pois ele pôde usufruir por um efêmero momento da ondulatória solar em sua face. O próprio estado fisiológico dava evidências de ser um curto período; entretanto, a equimose oriunda de equipamentos medievais era o indício de que o tempo fora aproveitado. Usufruía da queimação em sua derme, o vértice das cócegas espanholas parecia ter perfurado o tecido conjuntivo com eficiência. Torturando-o através da escavação em suas terminações nervosas. Entretanto, ainda que a dor acometesse cada centímetro de sua corpulência, Kyle não havia proferido uma única palavra sobre Callisto. Era óbvio o porquê do ataque, no entanto, o vestígio de decência que possuía para com Octavius fê-lo acreditar que ele não seria tão baixo. Kyle não era um ser iluso; mas prender o adversário para evitar qualquer defesa era deveras pusilânime. Todavia, aquela altura adágio algum possuía poderio. Até porque não era uma circunstância ordinária, tratava-se de um pesadelo. O cosmo onírico desfrutando de sua psiquê; tornando-o cativo a um cenário deveras realístico para poder discernir. Embora existam indivíduos capazes de distinguir o sonho da realidade, conforme fora titulado por Stephen LaBerge como “Sonhos Lúcidos”, Kyle não usufruía de tal habilidade. Portanto, como um ser trivial, ele estava à mercê da utopia. A dor era deveras realística para desconfiar, o episódio verossímil à realidade. Logo como ele poderia presumir? Afinal, a turbação era rudimento básico de sua sanidade. Ou a ausência do equilíbrio; porém, não caberia aquele momento circunscrever a linha tênue de suas patologias psíquicas. Pois após acolher um timbre familiar em seus tímpanos, Kyle despertou de seu desmaio onírico para retornar ao sonho. O pano úmido fora retirado de sua face, o tecido fora utilizado para desferir golpes em sua epiderme. Acordando-o para que a luz precária penetrasse o globo ocular, ousaria fechar os olhos. Porém, a imagem da irmã recebendo um tapa de Octavius fê-lo ignorar toda a fragilidade corpórea para impulsionar o próprio corpo para frente. “BIANCA!” Gritou com a voz moribunda, forçando-se a ignorar a temperatura altíssima ocasionada pelo veneno. “Octavius.” A arritmia cardíaca fora responsável pelo timbre trêmulo, o gênese do acúmulo de fluído em seus pulmões fê-lo inalar o ar com certa urgência. Ordenando à sua própria consciência para permanecer acordado; pois ele deveria ser a vítima de golpes, não a irmã. “Deixa-a. O seu objetivo é para comigo, portanto, não seja um covarde.” O sustentáculo jaz trêmulo, forçando-o a comprimir os dentes para a própria voz não sair anêmica. “Deixar-me à mercê da morbidez é à sua estratégia? A minha morte será sinônimo da morte de Callisto, portanto, sugiro que utilize o vestígio de inteligência para direcionar a atenção a minha pessoa.” Vociferou com prepotência, mantendo-se com os olhos abertos através de muito esforço. Desejava direcionar a voz a Bianca, contudo, som algum abandonava os lábios do líder.
Os fios opacos da ignorância ceifavam toda e qualquer possibilidade de compreensão. O entendimento jazia num patamar inalcançável por horas, excluindo a chance da mais nova de conectar alguma peça do quebra cabeça. Enquanto o sentido escapava-lhe pelos dedos como areia fina, impulsos nervosos percorriam metros e mais metros de tecido, sendo um dos seus objetivos trazer informações úteis para o uso favorável aos irmãos. Ao invés de cortarem a linha correspondente à sua existência, as Parcas pessoais de Stryder rompiam a linha de raciocínio, trazendo à sua consciência que era uma humana comum: logo, sentia dores como qualquer outra pessoa. A angústia física não poderia ser comparada com a mental, entretanto, pois o orgulho exibia ferimentos repulsivos e mais profundos do que os em sua carne. O grito amargo de seu irmão causou uma sensação parecida com a ardência insuportável de litros de álcool jorrando sobre uma lesão grave, e em poucos segundos, Bianca estava afogando-se em martírio. Seria ela a culpada por tamanho flagelo? Algo dentro de si respondia afirmativamente àquela pergunta. Algumas hemácias misturaram-se com a saliva que expelira aos pés de Octavius, em sinal de petulância. Registrar a fragilidade física do rapaz que supostamente a protegeria e o júbilo nos olhos do monstro que o impôs tal condição mexia com todos os nervos de Grace, deixando-a incrivelmente inclinada à enforcá-lo com as correntes que prendiam os seus punhos -- queria ouvir Mason implorando para ser deixado em paz. Quase cem por cento de seu corpo era preenchido por um equilíbrio imaculado, podendo transmutar-se em palha para alimentar o incêndio que a ira atiçava em situações de perigo como aquela. Porém, as chamas não eram capazes de se sobreporem ao medo, a única coisa que mantinha o mutante longe de ser um alvo. O parente era estúpido o suficiente para colocar-se na linha de tiro e arriscar o próprio pescoço para terminar o fútil sofrimento infligido à mais nova, quando deveria fazer justamente ao contrário. Poderia muito bem servir de distração por certo tempo, afim de alongar a existência do mesmo por míseros minutos se fosse necessário. Despedir-se do mundo era inevitável, todavia, a simples ideia de existir sem a forma masculina ao seu lado era tanto inaceitável como aterrorizante. “Não… Kyle, não!” Esse imbecil vai acabar se matando, pensou Bianca com seus botões. Chamar a atenção de um maníaco não era a melhor das estratégias, contudo, lá estavam os Stryder brincando de tênis de mesa, onde o Mason mais velho precisava ser atraído para ambos os lados. A morena encolheu-se com a possibilidade de ter que assistir um espetáculo macabro, onde os líderes de Nova York eram os atores principais e ela, a atriz coadjuvante que faria um papel dispensável na história. E, se o roteiro fosse tão nefasto como prometido, apenas um iria sobreviver tal peça. Para ter uma melhor visão das íris de Octavius, a mesma pôs-se sobre seus braços com alguma força, levantando parcialmente o tronco. “Não tenha a audácia de tocar no meu irmão, Mason, senão…” A ameaça soou falha pelo óbvio temor em sua expressão, intensificado pela aproximação repentina do mutante. Em um toque gentil, parte de seu cabelo foi colocado para trás da orelha, a ação sendo seguida por um sorriso de escárnio. “Ou o quê?” A falsa gentileza foi transformada em brutalidade, que combinada com um pouco de energia cinética trouxe o crânio da moça ao chão, impondo-lhe tontura e dor de cabeça. Alguns pontos negros dançavam em harmonia à frente de seus olhos enquanto o déspota erguia-se e retomava sua atenção para a forma masculina castigada, que um dia fora a representação de esperança para sua irmã mais nova.
She’s beauty,
she’s grace;
she’s miss step-on-my-face.
Grace is just weakness
or so I’ve been t o l d
I’ve been cold, I’ve been merciless
but the blood on my hands scares me to death
maybe I’m w a k i n g u p today
@success5power
CHARACTER AESTHETICS BY MUSINGHELPS: SWEET CHILD.
“I know a girl who puts color inside my world.”
L E G A C Y – - what is a legacy? it’s planting seeds in a ( g a r d e n ) you’ll never get to see
the blood on my hands scares me to death ♛♚ king and princess
@success5power
O conteúdo que corria pelas veias de Bianca Stryder parecia estar se transmutando em pedra. Nem mesmo conseguia proferir algum vocábulo que possuía sentido, pois toda extensão corporal encontrava-se à mercê de chamas, uma força invisível que causava queimaduras de terceiro grau em seu interior. As chamas eram meramente figurativas, pois a mesma estava bem segura, dentro das paredes da Human Crew. O recente ataque de verdugos ao local fizera uma enorme lista de vítimas, e o nome da princesa estava entre elas. Embaixo de seu corpo febril, a cama usualmente macia tinha a mesma suavidade de mármore; a tensão em seus músculos e o pandemônio instaurado em suas sinapses garantiam o desconforto. Queria gritar, libertar-se das correntes que lhe mantinham presa ao inferno pessoal que o veneno de verdugo criava em sua cabeça. Aos observadores de fora, Stryder dormia tranquilamente -- um estado febril lhe causaria algum incômodo, mas nada demais -- todavia, as coisas iam além da aparência. Sempre possuiu uma imagem impecável em frente aos globos oculares alheios afim de respeitar o nome da família, e não era agora que falharia em sua missão, mesmo sem consciência do fato. Em seu âmago, uma atormentada Grace gritava, enquanto um carrasco lhe torturava. As visões hiper-realistas haviam se tornado sua companhia fiel nas últimas horas, atormentando-a de forma incessante. Um único nome saía de seus lábios secos e rachados, um único pedido para o seu anjo salvador. Em dezesseis anos de existência, o mesmo fora capaz de removê-la das situações mais inusitadas, sempre disposto a ajudar a alma inquieta da mais nova. Por que ele não lhe ajudaria daquela vez? “Kyle!” A voz saía quebrada, devido a falta de um dos elementos mais importantes para a sobrevivência humana. Bianca morria de sede, e continuava a perder água através do seu suor. Seu torturador passou a ter a face de Octavius Mason, o mesmo que tentara matar o seu irmão, e agora procurava acabar com a mais nova dos Stryder. Gritou de novo o nome do mais velho, e em retorno, ganhou um belíssimo tapa em sua face. A experiência era, no mínimo, insana. E, em dezesseis anos andando sobre o planeta, aquele foi o primeiro momento que desejou realmente estar morta.
@maiamitchell: Watch me
Sombrero Galaxy: Do you have a crush right now?
Yes. I crush my reflection in the mirror. boatos que a bia tem uma lista enorme de crush e que só cresce a cada dia
Equinox: What makes you calm?
Gummy bears/doces, ficar sozinha, tocar alguma coisa ou dançar.
Centaurus: Favourite holiday?
Halloween, for sure! Tem algo melhor do que se fantasiar e pedir doces por aí?
bianca stryder + social media
We cannot get grace from gadgets. Understood? I’m gonna stop make these jokes, I swear.
i know i’m supposed to follow the rules, but being reckless is much more interesting ♛♚ king and princess
O prestígio do dissimulo fora uma dádiva genética entregue a Kyle Stryder; o primogênito pródigo e prodígio de Amélia era razão de orgulho à família. Havia ostentado a película da perfeição durante vinte e quatro anos; ou seja, não era um miserável prosaico que não compreende a extensão de seu privilégio. O Stryder possuía plena ciência de quando usá-la ou não, portanto, quando o propósito era manipular a outrem o mesmo executava com perícia e perspicácia. Não usufruía dos valores ordinários de compaixão ao próximo, pois quando o escopo era manter a família a salvo não há misericórdia em seu âmago. Clemência era inexiste em seu vocabulário, logo a mísera hipótese de perder a irmã fora motivo de avivar o espírito traiçoeiro em seu cerne. Não mediria esforços em recuperá-la; tê-la novamente em seus braços. O Stryder seria capaz de matar a qualquer ser, pois a linha tênue entre a razão e o desequilíbrio seria destruída para dar morada ao patológico. Porventura, ninguém poderia recuperá-lo. Apenas a morte seria capaz de ceifá-lo e submetê-lo a podridão helminta, entretanto, era possível vencer o óbito para usufruir da própria solidão e luto. A questão principal era: A ausência da irmã poderia desequilibrá-lo. Dar jus ao título de buraco negro, pois ele iria sugar cada criatura e espírito - seja ele agradável ou não - para o seu âmago. A própria luz não seria capaz de derrotá-lo, pois partícula alguma iria sobreviver a cólera de Kyle. E, não. Não seria necessário gozar de uma mutação para destruir a todos, afinal J. Robert Oppenheime havia criado a bomba anatômica para tal fim. Portanto, se há real misericórdia que rege Nova Iorque a única dica para a sobrevivência da raça humana ou mutante seria não provocá-lo. Há um propósito por trás de tudo, logo a única exigência para preservar o pleno juízo seria não testar o limite da paciência de um Stryder. Em particular o primogênito da agora família devastada, afinal ele era capaz de fazer qualquer coisa para manter o jogo a seu favor. O antídoto à sua manipulação jaz diante de seus olhos, porém. O cronômetro de sua bomba relógio. O ser capaz de mantê-lo em harmonia e desestabilizá-lo. O verdadeiro paradoxo. Bianca era à sua antítese. Ele era gélido e mortífero e ela térmica e graciosa. Porém, há momentos que ambos têm comportamento análogo a ímãs constituídos de mesma carga. Àquela hora em específico ambos apresentam tal conduta. A repulsão recíproca de forma temporária em prol de divergências; porém, seria impossível não ter tal comportamento. Ela era o último vestígio familiar que possuía, pois era deveras utópico contemplar a ideia de que Amélia voltaria. Portanto, era o responsável por mantê-la viva. Não era uma responsabilidade ocasionada pela catástrofe apenas, mas era literalmente o responsável legal da irmã em prol do sumiço vitalício da figura materna. Não haveria ninguém para protegê-la, porque seria incerto e demente confiar a vida da única irmã nas mãos de outrem. Então seria impossível ocultar a repulsa em seu âmago para com ela, porém, não era o repúdio análogo ao desprezo entregue a um adversário. Mas a aversão pelo agir impulsivo da Stryder, não era uma sinestesia racional usufruída por si. Era incapaz de odiá-la, mas ostentava de um sentimento colérico para com a ação feminina. Era deveras contraditório tal conduta, afinal a irmã estava no gênese da adolescência. Em outra circunstância não estaria possuído por tamanha ira, mas agora o desaparecer temporário poderia ser sinônimo de morte. O grupo oposto ao seu não era o único inimigo, pois há inúmeras criaturas impossíveis de serem compreendidas pela lógica de força superior ao poderio de Mason e sua escória. A Human Crew não era composta por indivíduos fracos, caso contrário, o domínio de Callisto Mason não iria existir. Mas a questão era que a força e estratégia não era capaz de ressuscitar uma carcaça destituída de alma. Usufruía de um exército à sua mercê; contudo, não haveria absolutamente ninguém para trazê-la de volta.
A vil hipótese de contemplá-la morta graças à sua própria irresponsabilidade – de deixar a saída autônoma de Bianca ser de fácil acesso – originou o ímpeto súbito de socar a parede atrás de si. A exigência corpórea era atenuar a fúria de seu ser; portanto, o ato de desferir o golpe em uma estrutura inerte e de concreto fora a única solução disponível em seu arsenal. Caso contrário, a fúria iria dominá-lo e tornar o sustentáculo corpóreo de Kyle Stryder à mercê da cólera. Entretanto, o ato não estava nem perto de extrair toda a adrenalina de seu ser. Não fora a saída da irmã a única razão para deixá-lo desta forma, mas ao contemplá-la machucada por mãos anônimas à sua sabedoria era ultrajante. O desejo era enforcar a criatura em específica até vê-la desfalecer em seus pés, porém, o regozijo não seria possível por não saber quem fora o autor do ato. A dúvida alastrava o seu âmago; todavia, havia um vestígio de razão em sua psiquê. Não poderia ser um membro da própria Human Crew, caso contrário, o indivíduo estaria decrépito àquela hora. Só poderia ser um elemento da escória de sobreviventes. A miserável conexão com o semblante criado por seu cérebro fê-lo procurar distância da parede. Não era necessário converter à sua cólera a uma “criatura” inerte; mas sim a um ser vivo que seria receptáculo de toda a mágoa e fúria que há no âmago do Stryder. O ser em específico era Callisto. Não iria devolver a prática violenta na mesma moeda, afinal não era um bárbaro. Mas iria destruir cada sinapse que há no cérebro da mesma, o retorno de Callisto seria constituído por uma criatura possuída pela síndrome de Cotard. Não era um bárbaro ou um déspota, visto que era superior a qualquer título medíocre imposta em outrora pela raça humana. Por obra do sucumbir dos humanos, Kyle iria reescrever o destino da estória. A manipulação jaz a seu favor, portanto, há mais poesia em contemplar uma criatura à mercê da morte psíquica do que entregar Callisto submissa a hematomas. Não era o vilão, pois é o seu papel como justiceiro aplicar à justiça. Contudo, a definição de lei iria sofrer o acréscimo de suas mãos mortais. Haveria um novo código civil, a começar pelo direito de destruí-la para poder destruí-los. Uma única ação sua iria ruir o império da Cosmic Freaks. Portanto, fora com esta reflexão imaculada em seu cérebro que a atenção havia retornado à irmã. Uma nova maldição irá circundar a antiga cidade mais populosa dos Estados Unidos, pois agora só há um único ser majestoso. Kyle Stryder. Com o próprio poder que possuía, o mesmo há de decretar uma nova norma vigente. Um ser molestado ou morto na Human Crew seria sinônimo da morte de oito pessoas na Cosmic Freaks. Um sorriso invisível contornou os lábios metafóricos do líder, que envolveu a irmã em seus braços no próximo instante. Não havia o porquê discutir com o sangue do seu sangue. Para Bianca conquistar à sua liberdade era necessário deixar Nova Iorque segura, portanto, àquela era o seu novo desígnio. “A nossa família não será destruída sem a nossa autorização. Eu não irei permitir.” Sussurrou de forma fraterna próximo ao tímpano esquerdo da irmã mais nova, voltando-se a ela com um visível olhar de preocupação em suas íris.
A preocupação efêmera fora transformada em uma ligeira risada de escárnio, que cortou os lábios masculinos para preencher o silêncio monótono de sua parte. Não poderia conter a imprudência de Bianca sem prendê-la; portanto, para não deixá-la à mercê do tédio em um calabouço metafórico, logo seria necessário consertar a cidade para deixá-la mais segura para à sua morada. “Você é tão criativa, Stryder.” Chamou-a pelo sobrenome de forma séria, o olhar incrédulo mais uma vez recaindo a ela. “Avisar é sinônimo de precaução, pois se você desaparecer uma equipe de busca irá trilhar o último caminho que você percorreu. Entretanto, se você sai sem avisar nós não poderemos sequer encontrar o seu corpo.” Forçou o teor gélido e cortante em seu timbre, revirando os próprios olhos após contemplar tamanha imprudência. “Eu não quero vê-la morta, Bianca. Você deveria ter pelo menos levado uma arma.” Afastou-se complementarmente do contato físico, conduzindo as mãos agora limpas aos fios escuros que compunham o próprio cabelo. “Eu não posso pôr um GPS em você porque não temos sinal, logo faça o favor de avisar alguém da próxima vez que for sair.” Suspirou de forma longa, expelindo não apenas o gás carbônico, mas a frustração de vê-la tão fiel ao utópico. Contudo, como poderia tirar o vestígio de esperança que há na corpulência da irmã? Não poderia alimentar ideias fictícias à Bianca, pois o mesmo possuía plena consciência de qual seria o próprio desfecho. Não estava preocupado àquela hora com o seu sucumbir ou não, mas sim com a segurança da irmã. Portanto, o mesmo expôs um singelo sorriso melancólico nos lábios. “Nós não sabemos o dia do amanhã, Bianca.” Extraiu toda a frieza de seu timbre, retornando a ostentar o nuance afetivo em sua fala. “Eu não posso protegê-la para todo o sempre, mas agora eu tenho o controle para mantê-la à salvo. Os tempos não são prósperos, eu não posso mantê-la presa no condomínio. Mas se há algo que posso pedir a você é responsabilidade. Andar com um revólver é a nova era. Finja que o revólver é a sua internet e teste os limites da sua pontaria.” Deslizou os dígitos pelo bolso para retirar um revólver e mostrá-lo para à irmã. “Ele será o seu melhor amigo agora. Leve-o para todos os lugares que você for. Use-o quando não houver mais solução.” Estendeu a arma à irmã, aguardando-a acolher o objeto. “Irei ensiná-la a usar. “ Refletiu em voz alta; observando mais uma vez os ferimentos da irmã. “Transforme a minha vida em um inferno diante dos meus olhos, speedy.” Sorriu finalmente, beijando a testa da irmã no próximo instante. “Antes de ajudar ou contatar mais pessoas é necessário cuidar de você. Deixe-me dar um jeito nesses hematomas. Irei pegar gelo. Será necessário trancar à porta e as janelas?” Questionou com um singelo sorriso. “Eu não irei sufocá-la apenas não suma mais. Eu estou pedindo, por favor. Eu não quero perdê-la também, Bianca.”
Não era difícil ouvir as pequenas engrenagens que compunham a máquina rotacionarem em seu próprio eixo, movimentando as sinapses alheias em cadeia, perpetuando a agitação por mais uma rodada. Não precisava ser uma especialista também para perceber a cólera que preenchia cada milímetro cúbico das veias de Kyle, circulando ao lado de hemácias e plaquetas. A origem de tal sentimento não era desconhecida: partira de um receptáculo cujo cheio de veneno encontrava-se. Bianca era uma seringa repleta de conteúdo nocivo, e não hesitara em expeli-lo direto na circulação do mais velho. Entretanto, a reação negativa das células do outro fez com que suas próprias desenvolvessem algo tão perigoso quanto - culpa. Percebia a merda que havia feito, e pretendia consertá-la - não deixaria o próprio irmão remoendo a amargura até não restar um traço de sanidade em seu cérebro. Vestindo os trajes de um paradoxo em forma humana, iria fornecer o antídoto para que o mesmo voltasse a enxergar claramente, através de uma ou outra promessa e sorrisos calorosos. Iria combater raiva com amor. Se não funcionasse, forçaria Kyle a engolir paz. A capacidade de descer com a alma de Stryder até o inferno precisaria ser uma via de mão-dupla, ou seja, deveria aprender a elevá-lo aos céus se pretendia continuar com o seu livre arbítrio. Quanto tempo demoraria para tal, impossível dizer. Dezesseis anos se passaram até o momento - que ainda sofrera com influência externa - e mais dezesseis poderiam se passar até aprender a certa dosagem de desespero. Queria apenas se divertir, sentir-se amada e protegida - não causar um infarto no irmão mais velho, longe disso - Kyle precisava ter um músculo forte, que aguentasse o tranco de ser um líder numa sociedade em colapso. Prejudicá-lo daquela maneira seria uma jogada desleal, e nem mesmo Callisto era tão baixa.
Não pode evitar de encolher o corpo com a súbita ação de Kyle. Aquele aperto significava que havia sido realmente perturbado pelo sumiço momentâneo da presença de sua herdeira. “Melhor mesmo, Kai. Nós somos a única certeza que temos.” O tom sério não combinava com as feições usualmente divertidas de Bianca, contanto, lá estava ela, preocupada com o seu futuro. Entretanto, a sua metade se encontrava em uma equação pior: ser coagido a liderar uma empresa ou uma cidade em ruínas, não era difícil reconhecer tal fato. E por isso, abraçou-o como se fosse o último dia de ambas vidas. Precisava acreditar naquela promessa, entretanto, os vocábulos proferidos por Kai começavam a lhe parecer parte de uma utopia. Um sorriso orgulhoso apareceu em sua face - não devia demonstrar tal semblante de fronte a uma bronca, contradizendo a expectativa dos mais velhos sobre si. Estava pronta para apertar o nariz do mais velho em sinal de carinho, mas não contava com o súbito distanciamento: havia sido daquele jeito por boa parte de sua infância - quando conseguia se divertir um pouco com o irmão, os adultos o puxavam de volta para o mundo real. Logo, a petulância transmutou-se, virando uma carranca não tão pesada. “Hora de desenvolver um novo sistema de localização. Você sabe como sou esquecida.” Fazer piadas enquanto andava em uma corda bamba era um de seus fortes, e segurar sua grande língua podia ser comparado a um dos doze trabalhos de Hércules. Um suspiro acabou escapando por seus lábios cansados por tanta mudanças de tom. “Daqui para frente, vou avisar a você e a Jessica onde eu estou indo. Quer que eu jure de dedinho?” As duas sobrancelhas se levantaram assim que a morena proferiu a pergunta infantil, entretanto, a expressão divertida foi logo substituída por algo mais… ofendido. “Está vendo essas mãos? Não foram feitas para segurar um revólver.” Acenava-as bem na frente dos globos oculares do irmão, esperando que o cérebro afiado do outro interpretasse bem aquela imagem. Logo, revirou os olhos ao escutar a propaganda sobre o objeto. “Sabe o que aconteceu em 1969? Isso mesmo, o festival de Woodstock, com uma grande presença de jovens que cultivavam o amor livre e a paz. O que aconteceu com esse tempo? Bianca segura flores, Kyle segura coisas que podem vir a machucar, sempre foi assim.” Porém, sua vida não era mais um jardim de infância, onde só tinha permissão para usar tesouras sem ponta.
“Mas a melhor amiga que eu tenho agora é a garota-satélite. Não vou substituí-la por metal, Capitão Planeta.” A relutância não parecia um caminho a se seguir - pois Kai era farinha do mesmo saco de Bia, logo, tão teimoso quanto -, levando Bianca a aceitar o objeto. De primeira, o toque com o metal frio e pesado foi rejeitado por lhe causar arrepios. Seu rosto estava organizado em uma expressão no mínimo, cômica. Quando segurou a arma de forma mais firme, sentia-se no mínimo ridícula. “Posso usar como peso de papel?” A pergunta tinha seu fundo de verdade, até porque, não queria andar com algo amarrado à cintura que poderia causar a morte de alguém. “Não sei se fico contente por estes treinos com armas nos unirem ou tristes pelo número elevado de balas que eu vou gastar durante o processo.” Bianca deu de ombros, fazendo questão de deixar o objeto em sua cabeceira. “Arcos são mais elegantes, entretanto, o que eu não faço para te agradar.” Nada, a resposta veio em mente. Contudo, manteve o sorriso caloroso. “Não me dê ideias.” Conseguiu soltar uma risada curta de puro júbilo, pois aquele contato físico significaria o fim da briga imbecil entre os dois filhos de Amelia. Por fim, jogou-se em sua querida cama, retornando para o tão adorado conforto. As sílabas ditas por seu irmão foram suficientes para uma onda de energia pulsar por seu corpo, dando Bia a força necessária para atirar um travesseiro na direção do mesmo. “Você é debochado para cacete, sr. Stryder.” A garota mostrou a língua antes de aconchegar-se nos restantes sacos de espuma. “Me traga gelo e alguma notícia boa. Faz bem à minha pele.” Por um momento, manteve o sorriso no seu rosto, antes de proferir uma resposta ao apelo de Kyle. “Pare de me tratar como se eu fosse seu chaveiro, que pode se perder num estalar de dedos. Sabe meu nome e meu sobrenome, isso já deveria ser motivo suficiente para que você se sinta, no mínimo, menos aterrorizado. E, se isso não conta, posso lhe oferecer minha palavra à você: Kyle Stryder, eu prometo que sua irmãzinha não vai sumir. Palavra de escoteira.”