A Pillow of Winds | Sturgis & Emmeline
Desde o dia em que Sturgis mostrou o primeiro sinal de ser um bruxo – e esse era um dia do qual o ravenclaw lembrava-se perfeitamente. À luz da lareira, na sala de estar da família, o pequeno Podmore ansiava por ler o novo livro que seus pais disseram que lhe dariam de presente de Natal e que, no momento, estava bem escondido no armário do casal. O garoto, depois de implorar para que os pais dessem logo o livro, fechou os olhos enquanto sentava emburrado na frente do sofá. Sentia o calor que emanava da lareira acesa, a vontade de ler o livro crescendo dentro de si e, junto com tudo isso, algo novo. Quando abriu os olhos novamente, teve tempo de um breve vislumbre de um embrulho de um livro voando pelas escadas e vindo em sua direção. Então, finalmente seus pais lhe explicaram que Harold Podmore era, na verdade, um bruxo e que trabalhava no Ministério da Magia e que, obviamente, Sturgis também seria um bruxo. Crescendo em meio a crianças trouxas, o moreno sempre se sentia excluído quando era a hora de Educação Física na escola em que estudava. Não era bom em nenhum esporte. Não tinha agilidade para futebol, altura para basquete, coordenação motora para rúgbi, força para vôlei. Mas isso tudo mudou quando Sturgis foi apresentado ao esporte dos bruxos – quadribol. Era como se tivesse nascido para aquilo. Por ser magro e de altura mediana, conseguia movimentar-se com precisão na vassoura e até mesmo manusear o bastão de um beater. Era aquilo que ele queria. Durante três anos depois de entrar em Hogwarts, o ravenclaw treinou sem descanso para melhorar suas habilidades no esporte, até que finalmente conseguiu uma vaga como beater no time de sua Casa.
Naquele momento, montado na vassoura enquanto sobrevoava o campo de Quadribol de Hogwarts, não havia espaço para sentir-se nostálgico com acontecimentos passados, nem arrependimentos e lembranças da sua vida como trouxa. Tudo que conseguia era sentir o vento soprando em seu rosto, uma das melhores sensações que já experimentara na vida. O propósito de estar voando naquele dia era diferente que os normais. Não era por conta de nenhum treino comandado pela capitã do time, Septima Vector, nem por treino próprio. Estava ali por um pedido de Emmeline Vance, que queria aprender a voar. Sem ao menos esperar um batimento cardíaco depois de ouvir o desejo da garota, Sturgis prontamente se voluntariou para ensiná-la. E ali estava ele, esperando a ocupante de seus pensamentos desde praticamente o segundo ano em Hogwarts, e ela nem desconfiava disso. Deu uma pirueta no ar, sentindo o mundo virar de ponta cabeça e a gravidade e o vento deixarem seus fios morenos para cima (ou baixo, se o referencial for o chão) e, quando voltou ao normal, avistou a colega de Casa na entrada do campo. Era involuntário sorrir quando ele a via, algo que não conseguia controlar. Era só vislumbrar as feições conhecidas e delicadas que seus lábios faziam questão de cumprimentá-la – não da forma que Sturgis gostaria, infelizmente, mas com um singelo sorriso.
- Estava quase me perguntando se você viria mesmo – confessou, por fim, depois de descer com a vassoura para a frente dela. Era consideravelmente cedo naquele domingo e um sol tímido ameaçava fazer-se presente, mas, sendo um fim de semana de visitas a Hogsmeade, havia uma possibilidade de Emmeline ter desistido das aulas da voo para aproveitar o vilarejo – e Sturgis não a culparia.