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pippalor
Uma das coisas que mais adorava era levar seus amigos para o clube. Mostrar sua arte e um pouquinho do que amava fazer tornou-se uma forma de compartilhar uma parte de si que demorou bastante a ter orgulho. Atualmente, amava e se orgulhava, mas o processo que o levou até ali foi árduo. Faltava alguns bons minutos para sua apresentação, nem sequer tinha feito a maquiagem ainda, estava com as roupas que chegou pois o pequeno atraso de uma das artistas terminou mexendo completamente na programação. Foi por isso que, quando Zoé chegou no clube, Phill acabou indo encontrá-la com suas roupas comuns. Ao avistá-la, um sorriso largo apareceu em seus lábios, rapidamente driblando a multidão que viera ver os shows e que agora curtia o intervalo dançando na pista. – – Engraçadinha.’ soltou uma risada divertida, aproximando-se para abraçá-la e deixar os três beijos costumeiros de cumprimento em seu rosto. Achava hilário quando a mulher brincava sobre desconhecer o que fazia, mas tinha identificado isso como uma indireta para convidá-la para uma apresentação. Afinal, o que mais poderia ser? – – Eu vou entrar em meia hora! Ainda nem estou pronto, eu sei. Mas eu agora consigo montar em poucos minutos.’ orgulhou-se da facilidade. – – Vamos, vou te mostrar no bar porque aí você consegue bebidas grátis por minha conta pra me esperar até o fim da apresentação, que tal?’
infinitamente mais confusa, porém sorrindo, seguiu o amigo em direção ao bar. continuava admirada com a ambientação, sem saber onde prender a atenção primeiro. “bebidas grátis? uau, então você deve ser muito importante por aqui! pode pedir qualquer coisa doce pra mim. ah! e bem leve, não quero perder um minuto da noite.” sentando-se, logo passou a batucar os dedos na mesa, outro hábito nervoso que nunca conseguiu quebrar. ao ter o amigo próximo, quase explodia com a antecipação de vê-lo em seu próprio ambiente. matutava na cabeça o significado de ‘se montar’... estava falando de efeitos especiais? talvez trabalhasse no backstage com algo? ou então seria uma gíria para um tipo de dança? por deus, a curiosidade estava prestes a matar o gato. “bom, não quero te atrasar, então não se preocupe que estarei aqui te esperando e te assistindo, acho... boa sorte! ou então... quebre a perna?” afirmou em tom de dúvida enquanto levantava os dois dedões em sinal de apoio.
coriyoon
“Não, eu não posso receber o lote de cashmere na segunda, eu preciso, no máximo, para amanhã! Você não pode fazer isso comigo, você tem alguma ideia de quem eu sou? Não me importa que o tempo está ruim para voar! Que venha remando, andando, se teleportando para o meu ateliê senão eu—”
“Ótimo, meu celular descarregou. Me empreste o seu. Preciso fazer ameaças.”
“ameaças assim tão cedo? não recebo nem um bom dia?” anunciou entre risos. tirou o celular do bolso e colocou na mão direita de corinne, assim como um copo térmico em sua esquerda. mordiscou um bagel enquanto observava a amiga carinhosamente, como se não parecesse completamente letal no momento. “meu sexto sentido me dizia que você estava precisando da sua bebida favorita agora. antes de continuar a gritar, me conte quem é a vítima e respire um pouco!”
yhnyoon
Yohan estava exausto de um longo dia fazendo absolutamente… Nada. Era assim que passava a maioria de seus dias, para não dizer todos, e isso era por vários motivos. Mas o mais óbvio era que ele não fazia a menor ideia do que fazer consigo mesmo. Vagava de bar em bar, parques, cafés, para tentar se ocupar. Resolveu encerrar seu dia num pub, que não era nem um pouco seu estilo, mas os bons lugares de Paris já estavam acabando. Pediu uma cerveja e jogou-se num dos bancos próximos ao balcão do bar. O lugar estava lotado, e o único lugar vazio era ao seu lado, que não demorou para ser ocupado por muse – Só não conte pras minhas irmãs que eu estou aqui – Murmurou, ao ver o rosto conhecido.
zoé era totalmente contra beber fora de situações emergenciais, essas que categorizava em: muito estresse, muita tristeza ou muita felicidade. no entanto, ultimamente um drink parecia muito mais convidativo do que um analgésico diante as enxaquecas, cada vez mais costumeiras. portanto, decidiu terminar o dia com um pouco de álcool e petiscos demais para uma bela noite de sono. estava prestes a pedir outro copo de cerveja quando se surpreendeu com a presença de yohan (por mais que locais como aquele eram quase habitat natural do garoto). “me dê um bom motivo para não fazer isso. por acaso você não deveria estar aqui?” o tom era leve, mas a preocupação com seu bem estar era genuína.
durante todos os seus anos de vida como uma chantelle, uma das lições mais valiosas aprendidas por zoé talvez tenha sido a de segurar as lágrimas em momentos importunos. se bem que é bem difícil imaginar essa situação como algo menos; um jantar com os remingtons preencheria zoé pré-casamento arranjado de felicidade, mas agora, observando todos os sorrisos astuciosos nos rostos familiares, gostaria de correr sem olhar para trás e soluçar como havia feito nos dias anteriores. olhar diretamente para o rosto de @yvon-jacques fisicamente a machucava, mas obrigava-se a observá-lo do lado oposto do salão, esfregando sal na ferida. afinal, merecia essa dor. sabia estar sendo completamente injusta com o amigo, se é que ainda possuía o direito em lhe chamar assim, ao afastá-lo quando mais precisavam estar juntos. mais do que medo, toda a situação a cercava de uma solidão avassaladora, como se não pudesse confiar em mais ninguém, e yvon entenderia isso como ninguém. oras, talvez estivesse sentindo o mesmo. com passos vacilantes, se dirigiu até o homem, disposta a tentar destruir a barreira que construiu sozinha. “bela noite, não acha? a seleção de massas está simplesmente extraordinária.” iniciou, com o que esperava ser um tom leve e um sorriso tímido.
saintceci
“E eu não queria acreditar quando me contaram que isso tinha virado um parque de diversões…” — murmurou sucintamente afastando as lentes grossas dos óculos enquanto fazia uma checagem de cima a baixo do muse que havia se esbarrado com a loira despropositadamente. “Tem como olhar para onde anda, ou é difícil?” — Suas expressões ríspidas e sua voz carregada de sarcasmo exteriorizavam de seus lábios vermelhos com uma certa inconformação, até porque preferia ficar calada naquele momento para não evaporar suspeitas de um possível envolvimento com a morte de Richard.
que tipo de pessoa tenta equilibrar quatro pastas de papéis com dois copos de café e pensa conseguir voltar até a empresa intacta? zoé teve que segurar um grito de surpresa no momento da colisão, mas pelo menos o líquido quente da cafeína não queimou a si mesma ou a azarada alma à sua frente. por pouco. “mil perdões! dia corrido, em alguns momentos a gente tenta ter super poderes pra facilitar as coisas, mas acho que minha habilidade especial é só ser desastrada mesmo.” reforçando o aperto nos copos térmicos e tentando ajeitar o cabelo com as mãos ocupadas, deu um trêmulo suspiro. com um sorriso amarelo, ofereceu: “você se machucou? aceita um café, talvez?”
zoé checou a própria imagem refletida na tela do celular pelo o que lhe pareceu a vigésima vez em cinco minutos. continuava a mesma, não importa quantas vezes insistisse em olhar, mas o movimento mecânico era levemente mais efetivo em lhe acalmar do que observar as luzes e cores vibrantes do clube, que misturadas com ansiedade, estavam começando a deixá-la tonta. sua maquiagem naquela noite não se diferia muito do que costuma optar em seu dia-a-dia, com exceção de que agora ostentava um pouco de glitter nas pálpebras. olhando ao redor, para todas as maquiagens e vestimentas elaboradas com cores capazes de refletirem a milhas de distância, sentia-se demasiadamente mal vestida. mas, em sua defesa, é incrivelmente difícil se preparar para um evento com apenas a palavra “performer” servindo de guia. quando @pippalor lhe respondeu orgulhosamente que era esta sua profissão, zoé amaldiçoou sua curiosidade impulsiva; poucos momentos em sua vida sentiu-se tão envergonhada quanto no momento em que admitiu não fazer a mínima ideia do que se tratava. por sua sorte, philippe, cuja maneira grandiosa com que se carrega sempre intrigou zoé, foi extremamente gentil em lhe oferecer um convite para descobrir com seus próprios olhos. temendo se humilhar ainda mais perto de desconhecidos, suspirou fortemente ao avistar o colega. “ei, philippe! que bom que te encontrei. queria dizer que mal posso esperar pra ver... uh, seja lá o que será que verei!”
Sana ✿ Graduation (Special Version)
I’m homesick all the time … I just don’t know where home is. There’s this promise of happiness out there. I know it. I even feel it sometimes. But it’s like chasing the moon - just when I think I have it, it disappears into the horizon.
Sarah Addison Allen (via quotefeeling)