* / ( logan shroyer, 22 anos, ele/dele ) não olha agora, mas acho que aquele é PHILIPPE LORRAN LOPEZ (thierry hector dubeaux), o SKELETON 03 da elite parisiense! sim, ele é PERFORMER e acho que tem VINTE E DOIS anos. as pessoas dizem que ele é PRESTATIVO e COMUNICATIVO mas que pode ser meio DISPERSO e PESSIMISTA às vezes. qual será o envolvimento dele no assassinato do richard?
— resumo: foi acolhido pela família lopez após sua família não aceitar seu jeito autêntico de ser (sua família descobriu histórico do computador onde haviam pesquisas sobre gênero e sexualidade. embora na época não tivesse respostas, atualmente Phill sabe que sua expressão de gênero é não conformista e é pansexual ). é uma pessoa queer e que ama se expressar através de suas vestimentas. é filho biológico dos dubeaux. atualmente trabalha como performer em uma casa de show, é drag queen há um ano e meio.
( 𝐁𝐈𝐎𝐆𝐑𝐀𝐏𝐇𝐈𝐄 )
abaixo do readmore encontram-se conexões requeridas para o desenvolvimento de phill. as conexões podem ser preenchidas por qualquer gênero, exceto as que tiverem indicação ao lado; podem ocupar mais de uma para mesclarmos!
SKELETON 5 sabe um de seus maiores segredos, o fato de ser filho dos Dubeaux. ( conexão da central )
SKELETON 10 tem crush secreto em Phill ( conexão da central )
SKELETON 19 tenta chamar a atenção de Phill, motivo a combinar. ( conexão da central )
Quando voltou para Paris sob a guarda dos Lopez, MUSE A tornou-se seu melhor amigo. É difícil para Phill mentir sobre seu passado para MUSE, mas é algo que se acostumou a fazer. Quando elu descobrir que havia sim segredos no meio da amizade, vai lhe perdoar? ( f/m/nb )
YOHAN e Phill estudaram na mesma escola na adolescência. Eles não se davam bem e carregam até hoje esse comportamento. O problema? Nenhum dos dois se lembra o motivo de se darem tão mal um com o outro na escola, mas claro, o orgulho não lhes deixa admitir isso. ( f/m/nb )
MUSE C é uma das pessoas que frequenta a casa de shows que Phill trabalha. Tornou-se cliente fiel pois todas as vezes que Phill se apresenta, ele ganha muitos drinks grátis, então MUSE acaba ganhando também porque eles dividem. ( f/m/nb )
Seu trabalho é algo que adora, mas, às vezes as pessoas não entendem direito quando Phill diz que é performer. Então quando contou em uma conversa descontraída à ZOÉ, elu não entendeu de primeira. Meses depois, Phill chamou-lhe para uma de suas apresentações e… o choque! “Como assim você é drag queen?” “Como assim você não entendeu, eu disse que era!” ( f/m/nb )
Ao contrário de MUSE E, Phill mudou muito desde a adolescência. Sua aparência realmente ficou bastante diferente (ele diz que o tempo lhe melhorou). Então quando encontrou com MUSE, elu não lhe reconheceu; contudo, MUSE não. Para elu, Phill era um completo estranho. É muito difícil para Phill não deixar escapar que lhe conhece da infância, ainda mais quando MUSE diz que ele parece familiar. ( f/m/nb )
Namoro onde terminaram em bons termos. Até hoje são amigos. ( 1 vaga f/nb e 1 vaga m/nb )
Namoro eles não terminaram em bons termos, muito pelo contrário. Sempre que estão sob o mesmo teto, acabam brigando. ( 1 vaga f/nb e 1 vaga m/nb )
One night stand… os três se envolveram após uma noite de bebedeira. Acordaram os três na casa de MUSE H. Todos concordaram que não ia acontecer novamente, mas recentemente MUSE I chamou Phill e MUSE H e sim, rolou de novo. ( f/m/nb )
MUSE J conheceu Pippa, eles acabaram tendo um encontro. Mas MUSE não sabe que Pippa e Phill são a mesma pessoa. ( f/m/nb )
E mais uma vez, Yohan revirou os olhos com a piscadela de Phillipe. Era insano ver o garoto tão feliz assim, odiava gente feliz demais – Ha! Encostados? E você acha que esse dinheiro é pra quem gastar? Só pode estar de brincadeira. Meus pais trabalharam pra que, por acaso? Pra ficar guardando esse dinheiro? Nada disso – Balançou a cabeça em negação – Patrimônio cultural? Fala sério, Phillipe, você é um mala mesmo. Já tô até cansado de ficar repetindo isso, vai toma logo esse sorvete e para de falar tanta besteira. Aliás, não sei como você consegue tomar essa porcaria, é horrível, todo mundo sabe que qualquer coisa que eles vendem pra turista é uma bosta. Se gosta tanto de sorvete assim, por que não vai numa gelateria decente? Ah, é, esqueci, você está preso aqui trabalhando.
-- -- Você ao menos ouve o que fala, cara?’ fez uma careta. Não importava o quanto seus pais garantissem que o dinheiro da família podia ser gasto como os membros desta bem desejassem, que eles não se importavam com o que os filhos gastavam pois dinheiro era para isso mesmo, Philippe não sentia-se confortável em torrar a grana dos pais de forma exacerbada. Seria um hipócrita e mentiroso se dissesse que não fazia uso dos inúmeros cartões que possuía em seu nome, da sua poupança robusta; mas pelo menos também fazia seu próprio dinheiro, com trabalho e investimentos, não encostava-se no que os Lopez produziam, ele também tinha aprendido a se virar e lucrar. -- -- Não é de se admirar que muito dos bens do nosso país estejam começando a ficarem sucateados. Existem muitos idiotas como você por aqui, isso reflete no nosso patrimônio.’ o que era uma pena. -- -- Qualquer pessoa com o mínimo senso e inteligência para a cultura, enxerga isso. Mas não se preocupe, garanto que ninguém espera isso... de você.’ comentou, tomando mais de seu sorvete ao olhá-lo com um certo desprezo. -- -- Não são apenas as gelaterias famosas daqui que produzem sorvetes gostosos, saberia disso se provasse o que as pessoas têm a oferecer. Nem todo mundo é desocupado como você, cara.’ considerando que as irmãs dele eram extremamente esforçadas, Phill não sabia o que deu errado com Yohan.
infinitamente mais confusa, porém sorrindo, seguiu o amigo em direção ao bar. continuava admirada com a ambientação, sem saber onde prender a atenção primeiro. “bebidas grátis? uau, então você deve ser muito importante por aqui! pode pedir qualquer coisa doce pra mim. ah! e bem leve, não quero perder um minuto da noite.” sentando-se, logo passou a batucar os dedos na mesa, outro hábito nervoso que nunca conseguiu quebrar. ao ter o amigo próximo, quase explodia com a antecipação de vê-lo em seu próprio ambiente. matutava na cabeça o significado de ‘se montar’… estava falando de efeitos especiais? talvez trabalhasse no backstage com algo? ou então seria uma gíria para um tipo de dança? por deus, a curiosidade estava prestes a matar o gato. “bom, não quero te atrasar, então não se preocupe que estarei aqui te esperando e te assistindo, acho… boa sorte! ou então… quebre a perna?” afirmou em tom de dúvida enquanto levantava os dois dedões em sinal de apoio.
-- -- Não muito, todo mundo que se apresenta acaba ganhando coisas e geralmente enchemos mais a casa em dias de apresentação, então é só pra nos incentivar.’ explicou com um sorriso, além de ser sócio da boate, o que também ajudava bastante em conseguir as bebidas grátis, claro. Mas essa parte ninguém tinha ideia, então Philippe engolia as informações e colocava a culpa na boa vontade dos empregadores. Fazendo o pedido para a amiga, alertou que poderiam servir o que a garota desejasse mesmo que ele não estivesse ali pelos próximos minutos, apressado, apenas pegou um shot de vodca e tomou em uma golada só, fazendo careta ao sentir a queimação na garganta. -- -- Merci, ma chérie. Volto assim que terminar, hoje estou fazendo apenas uma!’ comentou alegremente, se afastando então para o camarim. Montar-se era algo que adorava fazer com tempo, mas hoje precisava correr. Às pressas, transformar-se em Pippa era quase como poder assumir uma identidade inteiramente nova, ainda que fosse apenas o jovem Lopez de sempre. Mas infinitamente mais confiante como drag queen, Pippa subiu no palco ao chegar sua vez e fez uma apresentação ao som de Body Parts de Courtney Act, uma de suas músicas favoritas pois tendia a elevar o público. Pippa terminou a apresentação ofegante, contente e satisfeita por mais uma vez fazer o que tanto amava. Mais do que isso, hoje tinha uma presença muito especial na plateia a quem não deixou de agradecer no microfone mesmo, dando-lhe uma piscadela, antes de fazer a abertura para a próxima drag. Entregando o microfone para quem vinha depois de si, desceu do palco e rumou para onde Zoé se encontrava. -- -- Agora sou todinha sua, quantas bebidas vou ter que tomar de uma vez pra te acompanhar sem ficar pra trás?
“Qual é o seu tesão com essa gentinha? É fetiche por acaso? Tô começando a ficar assustada.” E de fato, Corinne não entendia aquela insistência do outro em dar tanta atenção àquele tipo de pessoa. Tantas pessoas, ela inclusa, para ele bajular, e ele corria logo atrás dos pobr— turistas. Se ela não achasse que tinha algo de errado com ele e cada fibra do seu corpo dissesse que sim, já teria largado-o de mão. Porra de conhecer a nossa cidade, eles que se virassem sozinhos, não existiam mil e um sites falando tudo o que precisavam saber sobre Paria à toa. “Perfeito, apareça no horário.” Sorriu cordialmente, ignorando a sugestão alheia que viera ao final. De jeito nenhum ele faria stories no Instagram para atrair ainda mais pobr— turistas para a Mademoiselle. Corinne já estava por aqui. No entanto, ainda que a oportunidade de visibilidade da sua pessoa fosse tentadora, ela negou com a cabeça. “Não preciso de ajuda, tenho uma equipe preparada que faz exatamente isso. E eu já sou bem popular, influencer.” Ela gostava sim de atenção, mas vinda das pessoas certas, não da ralé de uma rede social. “E o que exatamente te faz pensar que eu lhe daria roupas exclusivas? Que atrevimento o seu.” Blefou. Se roupas exclusivas fossem o que abririam a porta dos segredos de Philippe, então ela lhe daria todas. “Talvez não Eloise, mas faça essa tentativa com Tina.” Despontou um sorriso maldoso quando mencionou a outra-estilista-e-irmã-de-Phill. Foi bom que ele estivesse longe quando a chamou de idosa, porque ela não teria reagido bem caso ele ainda estivesse próximo dela. Não deixou de rolar os olhos com isso. Enquanto o esperava, guardou o exemplar do livro que estava sobre o colo dentro da bolsa, pegando o celular em seguida para conferir as atualizações — mensagens desinteressantes, e-mails para responder, uma notícia sobre o assassinato do inútil do Richard… O de sempre, mas ela se recusava a ter que ficar aguardando o Lopez enquanto olhava para toda aquela quantidade de po— “Nem em pesadelo, que nojo!” Foi a sua resposta quando ele avisou que poderiam trocar de sorvetes caso ela não gostasse, estremecendo com a possibilidade de tomar um sorvete já lambido. Aceitou o seu de bom grado, provando-o em seguida. “Tem anos que eu não tomo um desses.” Comentou. “E com razão. É horrível.” Contraditoriamente ela deu mais umas três lambidas.
Philippe fez uma careta para a forma como Corinne falava sobre as pessoas. Uma das coisas que lhe incomodava na elite era como viam os que não possuíam condições monetárias eles. Por passar um par de anos no orfanato e ver com o quão pouco as pessoas sobreviviam, tinha uma visão diferente. Ainda mais que os Lopez, apesar de serem ricos e extravagantes como qualquer outra família podre de rica, compartilhavam um pouco daquela atenção de ter o pé no chão. -- -- Tratar as pessoas com educação e ser gentil com elas sem dar importância para a quantidade de zeros que alguém tem na conta não deveria ser visto como fetiche. É o mínimo.’ respondeu. -- -- Eu já estive do outro lado, sei bem como é.’ simplificou, embora nunca dissesse realmente quantos anos passou do outro lado. Philippe sempre cuidava de ser superficial sobre esses detalhes, ainda mais com a mulher ao seu lado, já que a conhecera ainda quando eram crianças. Uma risada escapou-lhe e ele assentiu. Ter uma equipe para cuidar do instagram pessoal era... Dieu! Não tinha nem palavras para isso. -- -- Certo, senhorita influencer. Lembre que na maioria das vezes, os turistas trazem dinheiro pra gastar por aqui e você pode tá perdendo clientes por ignorar a existência deles.’ alertou, embora soubesse que a quantidade de pessoas ou melhor, a quantidade de dinheiro que a boutique de Cori já movimentava, não fazia diferença o dinheiro de um ou dois turistas. -- -- Fico extremamente machucado em saber que você não tem planos futuros de fazer alguma roupa inspirada em mim, Cori.’ fingiu lamentar, subindo a mão livre para o centro do peito. Adorava as peças que eram feitas na Mademoiselle, a ideia de ter alguma exclusiva era de lhe roubar o fôlego. -- -- Ora, Tina já me dá roupas exclusivas, sou o irmão favorito dela.’ atirou-lhe uma piscadela, disparando uma risada com a indignação alheia. -- -- Todos nós já colocamos a boca em locais piores do que um sorvete lambido, qual é a do choque?’ brincou, apreciando o próprio doce. -- -- É horrível e você continua tomando? Monsieur Leroux tem o melhor sorvete da região, está pegando pesado.’
– E essa positividade doentia sua deve ser óoootima de aturar – Aquela era uma das coisas que irritava Yohan mais profundamente em Phillipe. Aquele sorriso constante, alegre, sempre de bem com a vida. Disposto a oferecer um sorvete por uma trégua. Não era possível que alguém fosse tão feliz assim o tempo todo – Trabalhar? Não, graças ao bom Deus, eu não faço a menor ideia do que é isso. E sinceramente, nem você deveria. Você só faz isso porque gosta de fingir que é parte do povo, Phillipe. Como você mesmo disse, ninguém parou de comprar vinhos, e com a fortuna da sua família, você não precisaria trabalhar um único dia – Rolou os olhos longamente, como se a mera ideia de ter um trabalho fosse algo para se debochar, no mundo de Yohan – Conhecer essa porcaria de ferro com cheiro de urina e cheia de cocô desses poodles ridículos ao redor? Francamente, bom gosto não é democrático mesmo. Até fiquei com pena de você, e como sou misericordioso… – Esticou a mão para o homem com o carrinho de sorvetes e comprou um, antes de estendê-lo para Phillipe.
Para provocar-lhe mais com seu bom humor, Philippe deu-lhe uma piscadela com o olho direito. Podia estar tenso com os acontecimentos da morte de Richard e o que isso levantava para a elite, podia estar chateado com a diminuição de seus horários na boate, mas não deixava isso transparecer. Afinal, havia problemas bem maiores em sua vida e, mesmo assim, ele não desejava externar nada. -- -- Não precisar trabalhar não significa que todos nós conseguimos aturar a ideia de sermos encostados usufruindo da fortuna de nossos pais.’ embora não admitisse, parte de seu desejo constante de estar sempre em movimento, vinha do desejo de mostrar aos pais adotivos que eles não erraram em lhe acolher; assim como também podia facilmente dizer que era aquele velho ditado que seus pais biológicos costumavam dizer: mente vazia é a oficina do diabo. Ocupar-se com trabalhos era sua maneira de distrair-se. -- -- Aí que você se engana. Mesmo que eu trabalhe, nunca me encaixaria de fato no povo.’ tinha muitas regalias e privilégios, sabia disso, não era então um lugar que gostaria de tentar ocupar. -- -- Mas acho que isso também é algo que você não entenderia.’ encolheu os ombros, descartando facilmente a ideia de aprofundar-se no assunto. -- -- É triste que realmente parece que somente as pessoas de fora dão valor aos nossos patrimônios culturais.’ lamentou porque sabia bem que Yohan não era o único que pensava daquela forma, afinal, talvez viver sempre tão perto do monumento quebrasse um pouco da magia que as outras pessoas viam. Mas a atitude alheia de comprar-lhe o sorvete realmente lhe fez soltar uma gargalhada alta, aceitando o doce de muito bom grado. Estava quente e se havia algo que Philippe adorava, era sorvete. Nunca recusava isso. -- -- Ora, merci, Yohan. Viu só? Doeu, por um acaso?’
os passos do homem continham inquietação. apesar de sua sexualidade, a casa noturna ainda era um local que frequentava por gostar do ambiente. e, felizmente, nunca correria o risco de sair igual seus colegas da elite tarados para cima das dançarinas ou dançarinos. aquela era sua primeira festa desde o assassinato de richard, não queria manter o low profile igual acabou sendo indicado a fazer. o remington sentia necessidade de engolir um pouco de álcool e esquecer dos problemas que colocaram nas costas da elite por uma mísera noite. antes mesmo de chegar ao balcão, acabou sendo abordado por pippa que não demorou para retirar um sorriso de yvon. — você sabe que não te negaria. ❞ apenas fez o sinal para o bartender, que logo reconheceu seu rosto e se afastou para fazer a bebida que costumava tomar, jäger ginger. sua atenção voltou inteiramente a pippa. — estou de bom humor hoje. dessa vez quem irá te puxar para dançar, sou eu. ❞ se aproximou do bar para pegar sua bebida. — mas isso não significa que não preciso de umas boas doses. ❞
O sorriso foi retribuído ao ver que o convite fora aceito. Pippa inclinou-se contra o balcão assim que retornaram para que Yvon pudesse pegar a própria bebida. -- -- E o que foi que te deixou de bom humor a esse ponto?’ indagou com uma curiosidade divertida. Embora muitos não estivessem ligando para o que aconteceu nos últimos dias, a elite parisiense estava tensa; não importava qual família você pertencesse, todos estavam sob a mira ainda mais ardilosa da mídia e agora sob a desconfiança dos oficiais. Isso inquietava-lhe, sim, mas montada daquela forma? Sempre sentia-se confiante. -- -- Acho que todos nós precisamos, mon cher. Eu mesma ainda tenho que tomar pelo menos mais três desses pra relaxar.’
Não era incomum que quando queria sair para alguma casa noturna, costumava montar-se. Pippa era uma figura alegre, gostava de divertir-se e de frequentar locais como a Chateau. Tirando a própria casa de show onde trabalhava, aquele era seu ambiente favorito. Os funcionários lhe conheciam e não hesitavam em preparar seu drink favorito assim que Pippa encostava no balcão para flertar com alguém que estava servindo as bebidas no momento. Dessa vez não foi diferente, pelo menos não até que notasse a figura de Yvon. O sorriso coquete enfeitou seus lábios pintados de batom, pegando seu martini, dirigiu-se até ele. -- -- Olha quem temos aqui...’ tombou a cabeça para o lado enquanto pegava a azeitona da bebida para levar até os lábios. -- -- Me acompanha numa bebida?’
“Foi o que eu disse… Difícil de entender?” Ela piscou diversas vezes como acompanhamento da questão, simulando uma inocência caricata que, em verdade, ela não possuía, mas que funcionava como uma compensação porque ela não podia se dar ao gosto de ser desagradável com Phillipe. Daí ela riu, para dizer que estava brincando. Não podia afastá-lo. Não podia perdê-lo de vista. Precisava estar presente e acompanhá-lo — e o motivo? Ela dava um milhão de euros para quem soubesse responder a pergunta. “Tenho noção do quanto o ócio é irritante, por isso sempre me ocupo. Mas você podia arrumar outras coisas para fazer. Por exemplo… Eu sei como você adora a boutique, que tal me fazer companhia uns dias lá? Tem algum tempo que não apareço. Você pode negar fotos com turistas por mim, assim eu saio como boazinha.” A fama dela de antipática com turistas não era tão grande coisa para que ela evitasse brincar com isso. “Talvez a Eloise queira.” Repuxou os cantos dos lábios suavemente ao mencionar a irmã mais velha. Sinceramente não fazia ideia se ela fazia o tipo de ser sugar mommy. “Nossa, que ético você, quem te ensinou?” Solevou as sobrancelhas, uma careta impressionada. “Sorvete? Por acaso temos cinco anos de ida— Tá, tá, pega logo.”
-- -- Sim, considerando que principalmente a gente que mora por aqui, deveríamos incentivar mais as pessoas a conhecerem nossa cidade.’ declarou em defesa própria. A risada alheia, no entanto, fez-lhe ver que caíra em uma brincadeira, fazendo-lhe bufar baixinho, estreitando seus olhos delineados com lápis preto em retaliação por alguns meros instantes. -- -- Um convite direto da própria Corinne Yoon?’ subiu a mão para o centro do peito em surpresa e admiração. Duas de suas estilistas favoritas, Cori e Tina, pessoas que Phill não perdia a chance de acompanhar quando podia pois adorava estar perto de mentes tão criativas. Admirava o trabalho de ambas. -- -- Convite aceito! Amanhã passarei por lá então. Tenho o resto da semana bem livre durante o dia, um saco. Mas agora acho que vou me ocupar melhor. Você quer que eu tire algumas pra postar até nos meus stories?’ sugeriu em diversão, soltando uma risadinha baixa. -- -- Meus seguidores iriam adorar vê-la de maneira mais descontraída.’ garantiu. -- -- Eloise não me daria roupas exclusivas, daria?’ argumentou, erguendo as sobrancelhas antes de oferecer-lhe um sorriso, começando a dar alguns passos para trás, ainda olhando-a. -- -- Pare de agir como uma idosa, relaxe um pouco, mademoiselle.’ não perdeu a chance de fazer o trocadilho com o nome da boutique dela. Philippe não demorou tanto, após ser atendido, pediu logo as duas casquinhas para aliviar o calor do dia quente e retornou rapidamente para o lado da mulher, dessa vez sentando-se ao seu lado no banco, cruzando as pernas para poder desfrutar tranquilamente de seu doce, entregando-lhe um dos que trouxe. -- -- Espero que goste, caso não, podemos trocar.’ embora já estivesse passando a língua para provar o próprio sorvete.
– Mal tenho tempo pra ser cordial com quem eu gosto, menos ainda com quem eu não gosto, né, seu mala – Quando os dois se encontravam, era um festival de rolar de olhos e comentários ácidos. A verdade é que Yohan e Phillipe nunca haviam se dado bem, e embora Yohan fomentasse essa briga desde o primeiro dia, ele não conseguia se lembrar exatamente o que havia levado a ela. O que importava é que os dois já estavam longe demais na antipatia mútua para tentar mudar isso – Trégua? Pra que uma trégua? Eu acho que a gente funciona muito bem assim – Disse impaciente, bufando – E você tá fazendo o que aqui? Anyway, eu sempre soube que a Torre Eiffel era um lugar brega, mas achei que fosse mais uma coisa de turistas do que de locais.
-- -- Vai ver por isso ninguém te atura, nem as que supostamente deveriam gostar de você.’ retrucou rapidamente sem perder a chance. A irritação que Yohan conseguia despertar em si era incomoda demais. O fato de sequer lembrar-se como diabos isso começou era desconfortável para si, mas também não podia dizer que se importava. O rapaz sabia ser tão insuportável que Philippe não precisava de motivos antigos para a antipatia para com ele, tinha motivos atuais. -- -- É cansativo ficar brigando com você, tenho coisas mais interessantes pra fazer.’ desdenhou com o balançar da mão direita. -- -- Ao contrário de você, existem pessoas que gostam de trabalhar e de serem úteis. Então estou trabalhando, você conhece essa palavra?’ zombou. -- -- As pessoas de fora da cidade às vezes não conhecem a torre de perto, sei que pode parecer estranho pra você, mas nem todo mundo tem grana pra conhecer os pontos famosos do mundo.’
zoé checou a própria imagem refletida na tela do celular pelo o que lhe pareceu a vigésima vez em cinco minutos. continuava a mesma, não importa quantas vezes insistisse em olhar, mas o movimento mecânico era levemente mais efetivo em lhe acalmar do que observar as luzes e cores vibrantes do clube, que misturadas com ansiedade, estavam começando a deixá-la tonta. sua maquiagem naquela noite não se diferia muito do que costuma optar em seu dia-a-dia, com exceção de que agora ostentava um pouco de glitter nas pálpebras. olhando ao redor, para todas as maquiagens e vestimentas elaboradas com cores capazes de refletirem a milhas de distância, sentia-se demasiadamente mal vestida. mas, em sua defesa, é incrivelmente difícil se preparar para um evento com apenas a palavra “performer” servindo de guia. quando @pippalor lhe respondeu orgulhosamente que era esta sua profissão, zoé amaldiçoou sua curiosidade impulsiva; poucos momentos em sua vida sentiu-se tão envergonhada quanto no momento em que admitiu não fazer a mínima ideia do que se tratava. por sua sorte, philippe, cuja maneira grandiosa com que se carrega sempre intrigou zoé, foi extremamente gentil em lhe oferecer um convite para descobrir com seus próprios olhos. temendo se humilhar ainda mais perto de desconhecidos, suspirou fortemente ao avistar o colega. “ei, philippe! que bom que te encontrei. queria dizer que mal posso esperar pra ver… uh, seja lá o que será que verei!”
Uma das coisas que mais adorava era levar seus amigos para o clube. Mostrar sua arte e um pouquinho do que amava fazer tornou-se uma forma de compartilhar uma parte de si que demorou bastante a ter orgulho. Atualmente, amava e se orgulhava, mas o processo que o levou até ali foi árduo. Faltava alguns bons minutos para sua apresentação, nem sequer tinha feito a maquiagem ainda, estava com as roupas que chegou pois o pequeno atraso de uma das artistas terminou mexendo completamente na programação. Foi por isso que, quando Zoé chegou no clube, Phill acabou indo encontrá-la com suas roupas comuns. Ao avistá-la, um sorriso largo apareceu em seus lábios, rapidamente driblando a multidão que viera ver os shows e que agora curtia o intervalo dançando na pista. -- -- Engraçadinha.’ soltou uma risada divertida, aproximando-se para abraçá-la e deixar os três beijos costumeiros de cumprimento em seu rosto. Achava hilário quando a mulher brincava sobre desconhecer o que fazia, mas tinha identificado isso como uma indireta para convidá-la para uma apresentação. Afinal, o que mais poderia ser? -- -- Eu vou entrar em meia hora! Ainda nem estou pronto, eu sei. Mas eu agora consigo montar em poucos minutos.’ orgulhou-se da facilidade. -- -- Vamos, vou te mostrar no bar porque aí você consegue bebidas grátis por minha conta pra me esperar até o fim da apresentação, que tal?’
“Não acredito que você tá pagando mesmo de guia turístico. Você realmente não tem noção do quão besta fica fazendo isso? Sem maldade nenhuma, mas apontar e contar história não é o seu talento.” Debochou, castigando-o com um beliscão no queixo, mas não estava sendo realmente séria. Ao menos Phillipe estava trabalhando e isso era digno de nota, no entanto, ela não seria ela se não tirasse uma da cara dele. “Eu virei a sua sugar mommy e não fiquei sabendo? Paga você.” Só rindo mesmo para ela lidar com aquele pedido vindo do mais novo. Corinne não fez menção nenhuma de que ia comprar o sorvete, pelo contrário, apenas se ajeitou mais no banco em que estava sentada lendo. “Por que você não pede para uma das professoras? Tem uma olhando pra cá agora mesmo.” Apontou com o queixo para cima do ombro dele.
-- -- Fica besta alguém demonstrar as belezas de nossa cidade para aqueles que não vivem aqui? Ainda mais... crianças!’ fez discretamente um sinal com a cabeça para a direção do grupo de alunos empolgados em tirar fotos. -- -- Meu talento infelizmente não pode ser usado com mais frequência essa semana, tem noção do quão entediante é ficar sem fazer nada?’ dramatizou um pouco, aproveitando o beliscão no queixo para fazer um biquinho discreto antes que acabasse por rir. -- -- Se virasse e eu não fosse avisado, eu ficaria extremamente triste de não poder desfrutar das regalias que isso me traria.’ brincou, dando-lhe uma piscadela. Philippe não se deu ao trabalho de olhar por cima do ombro principalmente por saber de qual professora Cori falava, considerando que ignorou cordialmente os flertes discretos da profissional. -- -- Ora, pois eu não posso tomar um sorvete com pessoas que estão me pagando pela minha hora, posso? E eu queria tomar com você.’ declarou. -- -- Se eu comprar pra nós, você me faz companhia?’
Torre Eiffel era uma porcaria para turistas e desocupados. Yohan não gostava muito de porcarias, aliás, era um grande fã de tudo aquilo que era considerado fino e elegante, e aquele empilhado de metal com certeza não era. Mas, as coisas divertidas naquela cidade estavam se esgotando e ele definitivamente preferia aquilo do que ficar em casa onde suas irmãs que tanto amava podiam encontrá-lo e cobrá-lo sobre suas responsabilidades, coisa que não amava tanto assim – Fala sério, Phillipe, você continua um mala mesmo – Yohan rolou os olhos longamente quando o loiro interagiu com ele. Paris era uma cidade pequena quando se tratava de encontrar conhecidos, principalmente da escola – Eu, pagar alguma coisa pra você? Que foi? As pessoas pararam de comprar vinho, você faliu e agora tá precisando de esmola pra comprar sorvete?
Encontrar com Yohan sempre era um desagrado tremendo para Philippe, mas além do fato de não poder começar a discutir com o outro em um horário de trabalho e na frente de seus empregadores, havia também agora os olhos da mídia e dos oficiais; desde a morte de Richard, tentava o máximo manter-se a passar despercebido. -- -- Você nunca ouviu em ser cordial com as pessoas que conhece?’ disparou, revirando os olhos. -- -- Sugerir que você pague algo era uma tentativa idiota de oferecer uma trégua, mas pelo visto não vale mesmo a pena.’ desdenhou. -- -- No dia que as pessoas pararem de comprar vinho, pode aceitar que o fim do mundo chegou.’
“E eu não queria acreditar quando me contaram que isso tinha virado um parque de diversões…” — murmurou sucintamente afastando as lentes grossas dos óculos enquanto fazia uma checagem de cima a baixo do muse que havia se esbarrado com a loira despropositadamente. “Tem como olhar para onde anda, ou é difícil?” — Suas expressões ríspidas e sua voz carregada de sarcasmo exteriorizavam de seus lábios vermelhos com uma certa inconformação, até porque preferia ficar calada naquele momento para não evaporar suspeitas de um possível envolvimento com a morte de Richard.
Se pudesse voltar alguns segundos, Phillpe não teria se distraído com um dos artistas que tocavam na praça se isso pudesse evitar o encontrão que teve com a mulher a sua frente enquanto andava de patins. Sempre que encontrava um deles, um certo misto de melancolia e irritação tomava conta de si. Uma mágoa, sim, mas como seus pais adotivos diziam: precisava seguir em frente. Foi por isso que o loiro forçou-se a oferecer um sorriso para ela. -- -- Désolé. Definitivamente não era minha intenção esbarrar assim em você.’