hey it's me again
É meio doido mesmo pensar que abandonei essa "rede social" só em 2019 mas cá estou de novo escrevendo e reencontrando as postagens que continuam sendo "eu". Essa sensação de pertencimento e ao mesmo tempo auto-reconhecimento que acho que só essa plataforma me permitiu e abriu espaço o suficiente para que enxergasse aqui um espaço livre para viver minha adolescência.
Não é por acaso que vim para aqui em 2011, logo após ter assistido o último filme da série Harry Potter e precisa encontrar alguns espaço para compartilhar os sentimentos que urgiam com o término de uma série que acompanhei. As urgências da adolescência. Mas os gifs, os comentários, as cenas do filme me traziam conforto. Era uma pequena dor de perda, não a primeira, mas uma das que me marcaram, de sentir que algo encerrou.
E cá estou 10 anos depois voltando, provavelmente para utilizar esse espaço pelo mesmo motivo em que permaneci antes. Por ser o meu espaço seguro, onde não tem as mesmas dinâmicas das redes sociais, onde eu não compartilho com amigos nem com conhecidos nem com ninguém e onde ninguém está interessado em produção deu uma vitrine de conteúdo. Talvez um pouco do que procurei no twitter onde me senti livre o suficiente para largar minha insatisfação com o governo, para falar comigo mesma, com as minhas fantasias e para me permitir me sentir triste, triste com conflitos internos, com medos do passado, com a desesperança do futuro. Mas aquele não era o espaço. Lá não é seguro.
Então eu resolvi voltar. Assim como um adolescente que volta a escrever em um diário pois não tem com quem compartilhar. E confesso, já foram várias tentativas traumáticas de manter esse tipo de produção, pois meus pais faziam questão de procurá-los e acabar com qualquer pedaço de privacidade que já senti que tive, hoje eles não estão mais aqui para isso. E bom, isso também é parte do motivo para eu ter voltado.
Muita coisa aconteceu nesse intervalo entre abandonar essa rede, iniciar a vida adulta e assumir responsabilidades que caíram no meu colo sem que eu estivesse preparada. Provavelmente eu use desse espaço para reencontrar essas histórias, um pouco no intuito de documentá-las, mas para além disso, para elaborar e me permitir ser e me expressar como sou e da forma que faço melhor: sendo uma pessimista disciplinada.
O espaço para isso não tem sido mais também com quem está a minha volta, já que tem machucado a quem amo. Não muito diferente de como era antes, quando permanecia horas nesse espaço. Mas se antes aqui era o espaço onde pude expressar e me encontrar com minha sexualidade, construir o que entendo como "minha estética", que continua uma bagunça, mas também é reflexo do que sou, e onde pude ter contato com pessoas que carrego até hoje como amigas e outras que vejo hoje, como parte importante das minhas primeiras experiências.
Volto para fazer o processo retrógrado, não para buscar experiências novas, para para analisar as antigas em busca de tornar essa minha ótima pessimista sobre o futuro menos dolorosa. Para mim e por quem amo. Por que eu sei que os tenho machucado. E a partir daqui a deixa para o próximo texto: "Por que o futuro me aterroriza?"















