Damn, Marissa, o que está acontecendo hoje? Eu estou vivendo num universo paralelo. Ãh, what? Eu não… Aproveito… Quer dizer… Eu sei o que é. Digo, maria chuteira. Temos algumas dessas também.
Eu acho que eu nem tenho mais primas vivas pra preferir, pra falar a verdade. É… Os Avery gostam de procriar, embora a maioria de nós vá morrer antes dos 30. Pra garantir que pelo menos alguém sobreviva. Quem sabe a maldição genética da minha família não atinja de repente e você fique viúva e com esse belo apartamento todo pra você? É, Hogwarts também foi… Boa comigo. Muito boa, não tenho do que reclamar. Não, não é demais, é bastante plausível, aliás. Rhys é… Angustiado. Só isso. O que na minha casa, nunca é uma combinação boa. Uh… É, algo assim. Minha irmã, ela era a mais velha, Lucille. Lucy era, uau… Viver na Avery Manor era bem solitário, sabe? Pelo meu pai, a gente passaria o dia todo trancado lá dentro. Então por um tempo, antes de Wilhelm e Rhys, eu só tinha à ela, e ela só tinha a mim. Quando eu fiz dezesseis anos, ela começou a ficar doente e… Bom, um ano depois, foi mais um dos inúmeros velórios que eu compareci. Ela era… Exatamente como a minha mãe. Tão igual que alguns meses depois foi a vez da minha mãe, a mesma doença. Sei lá, você é a médica, mas… Acho– Acho que também foi de tristeza. Enfim… Sabe quando algo acontece e você simplesmente sabe que nada mais vai ser a mesma coisa depois daquilo? Um dia eu acordei e minha mãe tinha morrido e eu sabia que nada mais ia ser a mesma coisa.
Estou doente. Deve estar afetando meu cérebro e a maneira como reajo a você. Acharia estranho se você não aproveitasse, a menos que você não gostasse de mulheres, o que está tudo bem, se for o caso, pois se eu fosse um jogador de quadribol gostosão, provavelmente, já teria tido um caso com toda bruxa bonita que aparecesse na minha frente.
Seria comemorar demais? Se eu fizer algum ensopado e você morrer já posso ficar com ele agora? Por que estou me acostumando demais a esse lugar para abrir mão. Juro que seu irmão me da arrepios parece que ele está sei lá abrindo minha alma querendo saber minhas intenções ou qualquer coisa assim, e tudo que eu realmente estava querendo era sair correndo toda vez que o vejo. Isso inclui a noiva dele, que não temos assunto nenhum em comum, e se eu tiver que ficar comentando sobre noivado vou acabar desmaiando de tédio. Sinto muito sobre sua irmã, de verdade, mas eu entendo. Quero dizer, não entendo, entendo, por que cada um tem a própria dor, mas esse sentimento. Em casa era totalmente diferente. Nós nunca ficávamos em casa. Minha mãe achava que era uma prisão ou coisa assim. Então sempre fazíamos piquenique ou íamos passear em parques. E tinha a floricultura dela. Adorava ficar lá enquanto ela trabalhava. O cheiro de flores, e a forma como ela sempre sabia qual flor cada cliente ia ficar feliz. Ela geralmente ficava triste quando minha tia mandava cartas, mas logo tentava tirar isso da cabeça, e meu pai...Ele amava minha mãe em uma intensidade que hoje em dia eu vejo como preocupante. E então veio o ataque, e minha mãe simplesmente me escondeu. Eu vi tudo. Meu pai havia saído para buscar sorvete, e eu só fiquei abaixada esperando que tudo passasse. Quando meu pai chegou...Ele não sabia o que fazer, ele se trancou no escritório. Só sai de trás da falsa parede quando os Hit Wizard chegaram, e eles mandaram uma coruja para o meu avô. Meu pai nunca mais saiu daquele escritório, nem mesmo para tentar pegar minha guarda de volta, e meu avô viu em mim uma forma de voltar a ativa e foi minha vez de ficar...presa. Meu avô conseguiu os direitos de tudo que era da minha mãe, inclusive a loja, e ele ameaça queimar tudo cada vez que eu piso fora da linha. Essa é a minha patética história, mas é horrível, e sinto muito pela sua maldição. Ou o que quer que aconteça espero que possa quebrá-la.