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@t-antoamor-blog
Nunca passa… Mas quase passa todos os dias.
Tati Bernardi.
Enfim te vejo! - enfim posso, Curvado a teus pés, dizer-te, Que não cessei de querer-te, Pesar de quanto sofri. Muito penei! Cruas ânsias, Dos teus olhos afastado, Houveram-me acabrunhado A não lembrar-me de ti! Dum mundo a outro impelido, Derramei os meus lamentos Nas surdas asas dos ventos, Do mar na crespa cerviz! Baldão, ludíbrio da sorte Em terra estranha, entre gente, Que alheios males não sente, Nem se condói do infeliz! Louco, aflito, a saciar-me D'agravar minha ferida, Tomou-me tédio da vida, Passos da morte senti; Mas quase no passo extremo, No último arcar da esperança, Tu me vieste à lembrança: Quis viver mais e vivi! Vivi; pois Deus me guardava Para este lugar e hora! Depois de tanto, senhora, Ver-te e falar-te outra vez; Rever-me em teu rosto amigo, Pensar em quanto hei perdido, E este pranto dolorido Deixar correr a teus pés. (...) Adeus qu'eu parto, senhora; Negou-me o fado inimigo Passar a vida contigo, Ter sepultura entre os meus; Negou-me nesta hora extrema, Por extrema despedida, Ouvir-te a voz comovida Soluçar um breve Adeus! Lerás porém algum dia Meus versos d'alma arrancados, D'amargo pranto banhados, Com sangue escritos; - e então Confio que te comovas, Que a minha dor te apiade Que chores, não de saudade, Nem de amor, - de compaixão.
Gonçalves Dias
— E o amor, tudo joia? — Que nada, tudo bijuteria.
Caio Augusto Leite.
Metade de mim é amor, e a outra metade é vazio. Metade de mim é você, e a outra metade sou eu. Metade de mim é felicidade, e a outra metade é tristeza. Metade de mim é desejo, e a outra metade é medo. Metade de mim te ama, e a outra metade também. Sem você sou só metade, e nenhuma metade me completa se você não estiver nela.
Cíntia Chaves
E eu não faço questão de esconder, o quanto eu amo cada defeitinho seu. Cada coisinha que te faz ser estúpido e ao mesmo tempo perfeito. Eu amo até os seus defeitos. Fazer o que se até todo nervoso você é mais lindo que os outros?
Tanto amor
Mas é que eu acredito no nosso amor. Mesmo sem chances de virar um lindo romance, ou de ao menos dar certo, eu acredito sabe? Porque é nosso, do nosso jeito, todo complicado e errado. É por isso que eu acredito, porque no meio de todos os clichês, eu achei você, pra me bagunçar.
T-antoamor
Meus versos nostálgicos talvez não virem música, o tempo que perdi escrevendo linhas e linhas talvez não tenha valido a pena, talvez as noites que passei em claro pensando em como seria cada momento nosso tenham sido em vão. Você não liga para os meus versos, não perde tempo lendo meus textos inúteis, e talvez não pense em mim tanto quanto penso em você. Mas eu te amo, até quando eu nego eu te amo, falo demais porque eu amo, sufoco porque eu amo, eu exagero porque eu amo, até nas brigas eu amo, da hora que acordo, até quando vou dormir. E esse é motivo, de ainda fazer versos nostálgicos, de ainda escrever textos inúteis e de ainda passar noites em claro.
Cíntia Chaves
observações no centro da cidade
Amamos com um amor, que era mais que amor.
Edgar Allan Poe
Seu olhar – vitrine dos meus melhores dias. Fica, eu digo. Me ajuda a matar o tempo até a luz voltar. Fica e come da minha comida. Pelo menos até a chuva acabar de cair. Deu agora na televisão que a cidade está debaixo d’água, mandaram ninguém se mexer. Consegue? Tenta, vai. Empresto uma toalha, uma camiseta G, um par de meias e a minha boca quente. Você já bateu recorde de permanência, de toda maneira. Vamos lá, fica, na minha geladeira tem o resto de um frango de padaria, a gente abre um vinho bom. Juro fazer rolinhos na sua franja até você pegar no sono. Aí você gasta um de seus preciosos sins e deixa pra depois mais um daqueles seus adeus, que, aliás, tem de sobra na sua bolsa de pano, sempre à mão, para casos de emergência. E eu me pergunto: você vai ficar porque está chovendo, ou está chovendo porque você vai ficar? Tanto faz. Se eu bem te conheço, basta me despedir usando a tática do me-liga-qualquer-coisa. Foi assim, desse jeito, que até hoje nenhum dos seus adeus durou para sempre.
Gabito Nunes.
Amor vem de amor. Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito.
Guimarães Rosa
Não adianta destrancar a porta e mantê-la encostada, ninguém vai entrar do mesmo jeito. Se quer receber visitas, plante flores, abra um sorriso, conquiste os amores e deixe a porta sempre aberta. Cada um tem o romance que merece, um coração bonito atrai outro coração bonito.
Caio Augusto Leite.
Lembra do que já fomos? Não precisa responder, eu sei que se lembra. Não tem como ter esquecido, não assim, tão rápido. Foram tantas madrugadas em claro, tantos assuntos esquisitos. Tantas brincadeiras, tantos sorrisos. Ainda me lembro da forma como me chamava e se eu fechar os olhos, eu consigo ouvir tua voz. Não sei como fomos nos perder no tempo. Não sei.
Querido John.
Frio na barriga só de te olhar.
Carvalho