Dante Giulio Valentino Lucchese Roussel tem 32 anos. Ele é conhecido como The Happy Psychotic Maniac e é incrivelmente parecido com Nathaniel Buzolic. Não se deixe enganar por seu sorriso angelical, ele é o diabo em pele de cordeiro.
「Everyone seems what you appear to be; few experience what you really are」
Nascido em uma família bem estruturada ao sul da Califórnia, sendo neto de italianos fervorosos e tementes a Deus, era de se esperar que o futuro dos Lucchese estivesse ligado completamente ao filho de Louis Roussel ------ um rico empresário que desposara a filha mais nova do Padrinho, como a maior parte de seus associados o chamavam à época. Era de se esperar, também, que Dante fosse calmo e controlado assim como o avô, que mantivesse a cabeça fria para qualquer uma de suas ações e que, em última análise, fosse o sucessor dos negócios da Cosa Nostra em plena costa californiana. Exatamente, a família católica, arrogante e pragmática escondia mentes escabrosamente terríveis e pouco confiáveis, afinal os Lucchese mantiveram um controle exímio sobre as criaturas dentro do grande braço mafioso, tanto de Nova York, quanto de Los Angeles, os destinos que figuravam no topo da lista dos mais sedentos por poder. Não eram meramente assassinos, estelionatários e corruptos que os procuravam, mas pessoas de bem ------ ao menos inicialmente. Eventualmente, o objetivo dos Lucchese se ligou à prática de ilícitos, e a família passou a se manter por meio, especificamente, dos crimes mais perversos. Tortura, esquartejamento, assassinato à sangue frio... Nada poderia pará-los. Roussel se envolveu com Giulietta, e a união trouxe benefícios à família, assim como um herdeiro a quem Pietro poderia chamar de futuro, no momento em que se aposentasse de todos os negócios familiares.
Dante cresceu no meio nada propício para uma criança fazê-lo, mas nunca demonstrou sequer um pingo de remorso ao conversar com o avô sobre as ações que os Lucchese mantinham. Giulietta via nele um pequeno Príncipe ------ referências ao livro de Maquiavel eram fartas na vida de Dante, de toda forma ------, tal como seu amante na época de juventude. Desde pequeno, o comportamento pouco regrado foi instigado pelo pai, sedento por uma prole forte o suficiente para que pudesse se destacar, no mundo da criminalidade ou na sociedade. Irrefreado, com pouco suporte paternal, Dante cresceu de forma desmedida, acreditando que seus atos nunca levariam a consequências imediatamente danosas para si, que ele era um deus em forma de pessoa e de que poderia pegar o que desejava sem sofrer represálias pelos seus atos. Com a adolescência e a introdução à Cosa Nostra, tornou-se cada vez mais volúvel, imprevisível e, por falta de palavra melhor, selvagem ------ animalesco e notório dentre os seus. A imprevisibilidade foi suficiente para que Pietro fechasse às portas do que encabeçava a Cosa Nostra para si, fazendo com que não só Giulietta, mas Louis, em última análise, renegassem o próprio filho. A mãe se tornou a consigliere do avô à medida que se tornava cada vez mais sábia em assuntos que pertenciam à organização criminosa enquanto aquele a quem Pietro deveria chamar de sucessor fora relegado um cargo, por falta de expressão melhor, ridículo.
Aos dezoito anos já havia matado mais delatores e pessoas de pouca confiança do que era capaz de contar, e não tinha sequer um pensamento sobre eles enquanto dormia como um bebê, enrolado em lençóis de pouco mais de três mil dólares. O que poucos sabiam era que, não fosse a profissão adequada à sua própria natureza predatória, Dante não se importaria de ceifar mais algumas vidas; não se importaria em torturá-las, fazer com que se arrependessem de viver. Tudo em nome de uma diversão mesquinha e perigosa. Tudo para manter um sorriso sardônico nos lábios psicóticos do Roussel. A polícia nunca o importara, não realmente; tampouco os olhares amedrontados dos comparsas com quem trabalhava ------ ele queria o controle da organização do avô, e ele o obteria, senão como empregado exemplar, ao menos como assassino exemplar.
Coletando o imposto do tráfico da cidade de Los Angeles, deveria ser apenas mais uma noite, pouco depois da completude de seus vinte e oito anos. Acabara de discutir sobre os devedores mais assíduos da família e o nome Córdova mantinha-se preso em sua cabeça enquanto fazia os traficantes da cidade pagarem, sendo eventualmente pego de surpresa por mais um drogado, os olhos azuis dele cada vez distantes. Por um momento, Dante sorriu, psicoticamente, ao se lembrar da imagem, de como uma vida poderia se moldar de acordo com a bel vontade de uma droga ------ uma droga que ele, ou a família dele, controlava. Naquela noite, degolara um dos traficantes como aviso de que não era uma boa pessoa a quem deveriam dever. O medo funcionava como o seu maior afrodisíaco, de toda forma. Os dias se passaram, e Pietro voltou a tocar no assunto dos Córdova, de forma que Dante não mais pôde se manter alheio ao assunto em particular; era simplesmente considerado como um ultraje que homens da máfia como eles não fossem capazes de lidar com as dívidas de uma família de riquinhos latinos, como eram, de fato, os Córdova. Desde então, tomou para si a missão de pesquisar sobre a família, e não poderia ficar menos alegre, se é que era capaz de uma emoção positiva, ao encontrar alguém no qual se interessara ------ depois de mirar os mesmos olhos azuis que ele encontrara, dias atrás, mais drogados do que um ser humano era capaz de fazê-lo.
Decidiu que a menina, Camila, tornaria-se a sua prioridade, dali em diante. O caos perpassava todos os lugares onde Dante se encontrava, e não foi diferente com ela, com a cafeteria onde a encontrara pela primeira vez. Era doce, inocente e ingênua, incapaz de ver por detrás da máscara de bom moço divertido que Dante revestira, e aquilo bastou por algumas semanas para si. Inicialmente se apresentara com o próprio nome, charmoso e atencioso. Esperara que ela confiasse nele, que a jovem adolescente o entregasse seus segredos mais sujos, seus fetiches e desejos ------ tudo que a excitava e o que não fazia seu corpo tremer, fosse de raiva ou prazer. Estudou-a por anos a fio, mantendo-se como o desconhecido do café de onde aparentemente não saía de início, mas logo se tornando algo mais. O trabalho como coletor de impostos mantinha-se inevitavelmente monótono, de acordo com seus padrões, e Dante cada vez mais se via tragado pela vontade de cometer mais atos delituosos, causasse mais discórdia e dor a outrem, chamado esse que não negava ------ nunca negaria algo tão delicioso quanto aquilo, jamais. O que começara com uma simples coleta e uma simples curiosidade sobre a família da menina, se tornou uma obsessão à medida em que Dante não conseguia tirá-la da mente, entretanto.
Por quatro anos, preparou-a para seu destino final. Por quatro anos, ele a manipulou a se apaixonar por ele, a acreditar que era o homem certo, enquanto ela jorrava todo e qualquer segredo sobre os Córdova, como a família passava por dificuldades e como o irmão mantinha-se como um drogado longe de qualquer esperança de reabilitação. Por diversas vezes, ela o pediu que fosse conhecer os pais, mas Dante sempre negara, alegando que era muito nova ------ uma técnica sutil, mas muito eficaz, para inibi-la de qualquer outro pedido ------, de forma que nunca suspeitariam dele, ou saberiam seu nome quando ele a fez prometer que não contaria a ninguém sobre o relacionamento proibido que mantinham. Ele a fez se apaixonar, e então... Ele a sequestrou.
Doeria muito mais nela se confiasse e fosse traída, e seria muito mais prazeroso de assistir, de toda forma. Os Córdova poderiam estar passando por dificuldades, mas era de suma importância que o imprevisível Lucchese conseguisse mostrar ao avô que ele poderia ser tão calculista quanto ele ------ ainda que, por mais que em sua mente deturpada seu plano parecesse com algo calculado, e não com uma obsessão patológica por uma colegial, ele não fosse, sequer por um segundo, uma pessoa que merecia confiança. Giulietta por vezes o aconselhava, mas não era como se surtisse muito efeito, assim como o afetado a quem chamava de pai.
Dante era a epítome de uma bomba-relógio, prestes a explodir a qualquer segundo, e ele simplesmente adorava aquilo.
「Expect nothing other than being hurt, mia cara」
Transtorno de Personalidade Borderline: Transtorno de personalidade caracterizado pela tendência nítida em agir de modo imprevisível, sem consideração pelas consequências, com humor imprevisível e caprichoso, tendência a acessos de cólera e uma incapacidade de controlar os comportamentos impulsivos, tendência a adotar um comportamento briguento e a entrar em conflito com os outros principalmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados. O indivíduo apresenta também perturbações da autoimagem, uma sensação crônica de vacuidade, relações interpessoais intensas e instáveis e uma tendência a adotar um comportamento autodestrutivo, compreendendo tentativas de suicídio ou gestos suicidas.
Alcoolismo: O alcoolismo é uma doença crônica caracterizada pela tendência de beber mais do que o pretendido, tentativas fracassadas de interromper o consumo de bebidas alcoólicas e o consumo contínuo apesar das más consequências sociais e laborativas.
Transtorno Explosivo Intermitente: Esta doença é caracterizada pelo constante fracasso em resistir a impulsos agressivos, acarretando em ataques físicos ou destruição de propriedades, sendo que o grau de agressividade expressada durante um episódio é amplamente desproporcional a qualquer provocação ou estressor psicossocial desencadeante.O indivíduo pode descrever os episódios agressivos como "surtos" ou "ataques" nos quais o comportamento explosivo é precedido por um sentimento de tensão ou excitação, seguido imediatamente por uma sensação de alívio. Posteriormente, o indivíduo pode sentir remorso, arrependimento ou embaraço pelo comportamento agressivo.
Sadismo: Sadismo Sexual envolve atos reais (não simulados) em que o indivíduo sente excitação sexual infringindo sofrimento psicológico ou físico (incluindo humilhação) ao seu parceiro (a).








