Come and dance /Do ~Yekun~ yeh
Há uns dias atrás um homem estranho apareceu em sua frente. Um tipo extremamente curioso. Um tipo que faz perguntas demais e que nunca parece estar satisfeito com resposta alguma. Essa era a segunda vez que o encontrava e a sensação de já tê-lo visto anteriormente não passava.
Não era um sentimento bom. Era péssimo.
Devia fazer uns vinte anos que já não mais interagia diretamente com os humanos, afinal, as músicas que não a deixavam zonza tocavam em pequenos bailes da saudade e “crianças” não são exatamente o tipo de público que esses lugares possui como alvo, logo, Sophie ficava em um canto simplesmente observando os senhores de sua idade dançando com a incrível elasticidade de quando eram adolescentes. Sophie queria tanto poder estar ali no meio que seus desejos foram atendidos pelo homem curioso. Pensou em dar as costas e sumir, afinal… Se ele notasse sua frieza corporal ela teria de matá-lo. Não, matar não era o problema! Ele apenas era maior e provavelmente com maior força física que ela. Porém se fugisse o homem só ficaria mais curioso e, no dia que voltassem a se ver, faria ainda mais perguntas! Por isso decidiu fazer o que ele queria. Sophie sempre poderia usar a desculpas do “deve ser o ar da noite que fez minha pele ficar gelada” que todos ainda acreditariam. Não? E além disso… Como adormecer seu lado que adorava jogos?!
— Tudo bem, só não pise em meus pés enquanto tenta me acompanhar.
Com suas mãos geladas nas dele Sophie realizou incríveis passos para quem usava altos saltos, realizou perfeitos giros e mostrou ter uma perfeita elasticidade nas pernas para aquelas danças! Algo que não se vê muito nos dias de hoje, principalmente em crianças. Seu cabelo escuro e seco voava como uma rebelde cauda de pavão, suas saias giravam como uma flor que desabrochava e murchava a cada vez que mudava a direção de seus giros. Ela por ela teria pulado diversas vezes sobre o homem e até feito-o sustentá-la no ar. Em décadas era a primeira vez que Sophie tinha um tipo de diversão humana!
Infelizmente era com um conhecido pouco amigável.
Se bem que não fazia mal deixá-lo vivo? Deixar um sujeito tão divertido como aquele morrer seria uma perda irreparável para o mundo cinza de Sophie.
Pena que ele ainda era estupidamente alto próximo dela. Aquele homem de fato não pisou nos pés do cadáver sorridente, muito pelo contrário! Basicamente sapateara sobre os pés dele e de quem mais chegasse perto.
É, talvez Sophie estivesse enferrujada.
@hoshi-ix








