starter for @elecnora
onde: jardins.
Caminhava ao lado da princesa brasileira nos jardins, tentando ignorar a dor que sentia naquela tarde. Não deveria ter se exercitado mais cedo, mas Antoinette era teimosa; e agora preferia lidar com as consequências do que acabar perdendo a companhia agradável de Eleonora, estragando a conversa entre elas ao trazer o assunto do ataque. "O meu primeiro decreto como rainha vai ser tirar o Elizabeth do meu nome." O sorriso presente nos lábios converteu-se em uma risada amigável. "E o segundo extinguir todas as perucas pomposas da França." Ninguém precisava delas agora! Tudo bem, eram um símbolo na história da moda francesa, mas não tinham a mesma utilidade de outrora uma vez que a área de cosméticos tinha evoluído com o tempo. "Sabia que as perucas eram usadas para esconder a calvície dos reis? Parando pra pensar agora, eu deveria ter medo de ficar calva, deve ser de família." Brincou aleatoriamente, erguendo as sobrancelhas. Ficou surpresa com a revelação do nome da outra princesa, sentindo-se quase grata por ser uma Antoinette Elizabeth de Tudor e Bourbon. "Eleonora Maria Micaela Gaspar de Bragança. Caramba! Estou curiosa para saber quais os nomes dos seus irmãos. São todos assim?" Com o decorrer da conversa, sentia-se mais livre para falar com intimidade com a garota, que parecia não se incomodar com a falta de formalidade e pompa que a realeza exigia. Imaginava que poderia encontrar uma amiga em Eleonora; algo que, ultimamente, estava sendo difícil para Tony. Percebia a si mesma ficando mais desconfiada a cada dia que se encontrava perto de assumir o trono. A pergunta, embora invasiva, tinha o seu fundo de preocupação. Diante dos últimos acontecimentos, era natural que a princesa temesse pelos seus convidados — não conseguia imaginar o conflito político que um ataque a qualquer nobreza estrangeira desencadearia entre a França e o país convidado. E, bom, eles não podiam se dar ao luxo de inimigos. "Eu imagino." Mordeu a bochecha, anuindo com a cabeça. "Bom, eu acho que a Marjorie parece muito legal, mesmo que não se divirta mais tanto assim. Você tem sorte de tê-la como sua guarda e ela de tê-la como sua princesa." Tony aproveitou o gancho para fazer a sua própria confissão, um suspiro lhe escapando os lábios antes de começar a falar. "Eu não esperava o que aconteceu. Quero dizer, eu sabia sobre eles. Ninguém por aqui toca no assunto, mas eu saio bastante do palácio, então eu vi coisas, ouvi coisas... Conheci pessoas... Só não esperava que acontecesse comigo." Ela parou de andar, indicando um banco de madeira próximo às treliças de rosas brancas para que se sentassem. "Ainda não faz sentido para mim. Mas pode ser que eu esteja sendo narcisista. O que é uma pena, eu podia jurar que a França toda me amava." Fez uma brincadeira para aliviar a tensão da conversa, porém, o sorriso que despontou em seus lábios estava longe de ser genuíno.














