Tenho-te antevisto no altar O ferro velho para antiquados moinhos Tenho pego tétano noite após noite Por beijar teus lábios com veemência Ultimamente tenho atravessado-te Em cânticos e outros corpos Tenho-te esperado na multidão Clamado teu nome como um feitiço Visto-me engasgo de palavras Retribuo algo que fora alvo Tos teus afagos entediados Parede aos teus suspiros desavisados Tens-me em transe alucinógeno Vagando em espelhos coletando cacos Reconstruindo-me em figuração ideal Tal qual uma versão que lhe agrade Fique assombrando-me por meses Eis que sou orfanato órfão Sem vossa presença Meus demônios platônicos infestam-me Afoguei-me em teus olhos densos Que transbordam, não em pranto Ma sim em tamanho teus olhos Pouco suportam estas pupilas dilatadas Esfinge, façamos um trato, Desvendo-lhe se provar-me Nu e desposto de qualquer mágoa A carne de meus lábios é um bom tira gosto A espera é dada em data ímpar A presença o aconchego e nós Somos a tríade e seus pares Emparelhados em simbologias de banquetes
Sinais, Simbioses e Simbologias - Pierrot Ruivo









