Era óbvio que encontraria fantasmas do seu passado no festival das lanternas. Não só o evento era um tributo para alguém que poderia ser considerado um fantasma para quase todos, a cidade ( pequena, por sorte ) se reunia sem faltar uma alma viva. Mesmo aqueles que não saíam de casa, ou que não tinham tempo para fazer nada além de trabalhar, como a própria Celeste, poderiam ser vistos numa barraquinha atirando anéis em garrafas de vidro, buscando mais um copo de bebida, ou apenas rindo e conversando com conhecidos de longa data
Ela respirou fundo, sentindo o cheiro de caramelo e pipoca e chocolate quente perto de onde havia parado para atender uma ligação do hospital. Uma barraca de doces, claro, o aroma das especiarias flutuando na brisa da noite e quase a convencendo a tirar o cartão da carteira e levar a barraquinha inteira para casa. Desligou a ligação, confirmando que voltaria ao hospital depois da janta para conferir os arquivos de um paciente internado, e ao guardar o aparelho móvel na bolsa, finalmente pôde sucumbir ao seu redor de novo. Percebeu a presença de @augustandthebeastinside não muito longe. Por alguns segundos, ficou parada sem saber se deveria aproximar-se ( como se realmente estivesse vendo fantasmas ) afinal, por mais amigos que tivessem sido um dia, não se falavam há tantos anos que seria, no mínimo, estranho aparecer puxando assunto como se ontem ele tivesse aparecido em sua festa de aniversário temática da Hello Kitty, e não mais de uma década atrás.
Porém, foi automático. Ela se viu caminhando até o antigo amigo e começando com um simples: “Oi.”










