em dúvida se devia participar do evento promovido pela cidade, astrid surgiu praticamente como uma confirmação ou sinal de que o guitarrista não perdera tempo ao sair de casa como era de praxe todos os anos, e exatamente com a garota habituando o mesmo cenário de derrota na barraca semelhante, sorrindo em resposta assim que percebido e tomado por uma série de lembranças quando mais novo e tímido. a ligação era assustadora, impossível de ignorar por mais que tentasse em meio de brigas calorosas parecendo apaziguadas por enquanto, torcendo para que o período não terminasse tão cedo, estava o aproveitando. —— como se eu estivesse com medo. não cantando vitória, mas vamos acabar com vocês. —— os lábios se curvaram um pouco mais, assumindo a posição observadora e rotineira que não se desfez quando que a outra falou audaz, quase o tirando do eixo se a resposta na ponta da língua não estivesse o salpicando com o tom de provocação semelhante. —— nesse caso acho melhor eu ajudar. você sempre foi ruim nisso. —— tirou as mãos dos bolsos, assumindo a posição por trás que, não sabia se para sua infelicidade ou o contrário, o permitia sentir o cheiro dos fios adentrarem as narinas de maneira doce, escorrendo os olhos sobre a garota de quem tocou ambos os braços e a cabeça se acomodou ao lado da semelhante, tão perto que caso ambos virassem o mínimo que fosse, provavelmente sentiriam a respiração quente um do outro atravessando as faces. —— mira no centro. —— sussurrou, também fechando um dos olhos para ver se buscavam o angulo certo, a corrigindo ligeiramente antes do dedo impulsionar o tiro.
O riso que escapou, apesar de debochado, era confortável. Se há um mês, uma versão de seu futuro tivesse dito à ela que estariam implicando um com o outro como se nunca tivessem deixado de fazer isso, depois da escola, Astrid encontraria certa dificuldade em acreditar nas próprias palavras. Felizmente, vivia no presente, e a realidade era melhor do que poderia ter imaginado. “Você se acha muito espertinho, Adam Hopper. Devia tomar mais cuidado, tô armada.” Provocou-o, os cantos dos lábios moldando um sorrisinho sagaz quando as mãos apontaram a arminha de plástico do tiro-ao-alvo na direção do Hopper. Eram competitivos, a Sveen mais do que gostaria de admitir —— e com bom termos na relação ou não, acabariam se enfrentando dentre algumas horas. “Para. Não sou tão ruim assim.” O riso nasalado acompanhou as palavras mentirosas; Adam a conhecia bem o suficiente para apontar com convicção que Astrid era, de fato, horrível no jogo. Se voltou para a barraquinha no momento em que constatou que ele se aproximava para ajudá-la com a mira, o estômago embrulhando ao, de repente, senti-lo tão perto. Ficou parada, em completo silêncio, enquanto Adam ajeitava a posição de seus braços, o peito subindo e descendo num ritmo que parecia acelerar à cada batida do coração. Da última vez que tinham estado assim, com os rostos tão próximos que poderiam tocar os lábios, a respiração dele cheirara à álcool —— e os dois se prepararam para uma de suas infinitas brigas. Agora, era diferente; o aroma do perfume do amigo era intoxicante, familiar, e bom.
Foi difícil seguir a instrução dada, vez que as íris azuladas queriam se fechar e absorver completamente o momento, mas Astrid se forçou a limpar a garganta, e aprumou os ombros. “No centro, ok.” Murmurou, concordando com a cabeça antes de impulsionar o tiro junto com o dígito delicado, e assistir ao seu primeiro acerto. Soltou um gritinho animado, afastando-se do Hopper apenas para que pudesse vê-lo de frente; a arminha do jogo sendo deixada para trás, sobre a tábua da barraca. “Consegui o urso?” Franziu o nariz, colando um sorriso largo nos lábios. Levou os braços até as laterais do pescoço dele, juntando os corpos mais uma vez. “Espero que sim.”