A mente de Sirius estava em todsos os lugares possíveis. Desde que havia visto Andromeda na enfermaria algo nele despertou. Por mais que o sobrenome Black pudesse estar sendo riscado de sua alma, a prima era uma das poucas pessoas em sua família que ainda demonstrava gentileza e compaixão com ele, e tudo isso fez não só com que ele, mas com que todos os outros ficassem alerta.
A falta de respostas, a ressaca e todo o sentimento de culpa da noite anterior eram tão fortes no maroto que precisou de um tempo sozinho para entender o que estava acontecendo com sua mente e coração.
Por mais que ele não demostrasse muito sua cabeça era extremamente racional. Sirius tinha boas notas, e também tinha ótimo desenvolvimento em feitiços. Por uma época em sua vida achou que se fosse um ótimo estudante sua mãe o reconheceria mesmo não tendo ido para a Slytherin. Grande erro dele.
Mesmo assim, não desistiu. Não conseguia falar direito com James, Remus ou Peter. Suas inseguranças estavam o afastando dos melhores amigos e isso era um caminho perigoso.
Geralmente haviam dois lugares onde se podia buscar por respostas. A biblioteca e a sala precisa. Imaginando que todos os outros estariam focados no primeiro decidiu ir atrás do segundo. Já havia frequentado por tempo o suficiente com os melhores amigos para entender que a sala era exatamente o que precisava.
Assim como sempre fez o caminho conhecido. Sentia falta do mapa, mas ele ter parado de funcionar também era algo extremamente estranho. Outro detalhe que precisavam organizar. Se ele fosse pego poderia desenrolar com seu carisma, mas no momento seu caminho estava vazio. Como se até fosse magia.
Sem preocupações entrou ali, e para sua surpresa a sala estava sem nada. Era estranho. Nunca havia presenciado isso. A sala sempre lhe dava alguma coisa.
Estar completamente vazia era uma novidade. Andou um pouco mais para frente e para sua surpresa notou que não era o único com aquela ideia. Será que a pessoa que havia chegado primeiro precisava do espaço vazio? De paz? Não sabia como cada um estava reagindo. "Quem está aqui?" Começou a perguntar, mas não parecia ser ouvido. Na realidade o som parecia nem se propagar, o que era estranho. A pessoa na realidade não estava sozinha. Duas formas apareceram em sua visão, mas os sons não eram ouvidos.
O vislumbre fez com que ele reconhecesse a sombra que estava ali. "James." Suspirou ao reconhecer a fisonomia que havia decorado a tantos anos. "James? Quem está ao seu lado? Ah, que bom que é você." Porém, conforme se aproximava o som ainda não fazia sentido, e James parecia...diferente. Era o mesmo cabelo, óculos, a figura, mas seu rosto. Não, o rosto não era de seu melhor amigo. Ao seu lado também havia uma figura parecida, alguns traços, mas era totalmente diferente.
Não estava de ressaca ou vendo coisas, mas o porquê do som ou não estar sendo ouvido. Ou James não estar respondendo? "James." Tentou mais uma vez e sentiu todo seu corpo sendo puxado para trás. Bateu na parede, mas a figura de Minerva apareceu ao seu lado. "Professora Mcgonagall, James está lá dentro. Precisamos tirar ele de lá." A primeira coisa que pensou foi no melhor amigo, ele não poderia ficar preso.
"Eu acabei de ver James no Salão Comunal, Sirius." Seus olhos saltaram. "Não, professora. Acabei de vê-lo lá dentro, e mais alguém." Estava suplicando que não estava mentindo. Acompanhou a professora com um peso em seu coração. O que estava acontecendo? O melhor amigo estava bem? Por que seu rosto estava tão diferente? Eram tantas perguntas, e a cabeça de Sirius estava prestes a explodir, mas ele só descansaria após relatar tudo ao diretor conforme a professora explicou.
Ele precisava ver o melhor amigo, e certificar que ele estava bem. Após tanto o diretor quanto a professora provarem que James estava longe da Sala Precisa aquele tempo todo o peso tomou conta do peito de Sirius que desabava na poltrona no cabinete do Diretor. "Eu juro, James estava lá comigo, eu o vi, mas ele não me escutava." Explicou novamente. "Não estou mentindo ou bêbado. Podem ver minhas memórias." Ofereceu aos responsáveis, e respirou fundo.
A dor de cabeça pegando o melhor dele, provavelmente, teve uma contusão ao bater na parede, mas tudo que ele precisava agora era relaxar um pouco os olhos e descansar. Estava com muita dor e o corpo precisando de paz. Apagou ali mesmo enquanto era levado para a enfermaria.














