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(vía https://www.youtube.com/watch?v=PMh2CGpJyHQ)
Bem vindos a South Padre.
"Oi mãe e pai... Aqui é a Katherine... É, acabamos de chegar aqui em South Padre. Sei que ainda estão bravos comigo por ter vindo, mas vocês sabem o quão animada eu estava para essa viagem, é o meu último ano! Quando chegarem em casa, por favor, me mandem uma mensagem ou tentem me ligar... Amo vocês. Tchau."
Assim que a menina desligou o telefone, arrumou suas coisas na cama e foi para a varanda de seu quarto de hotel, que dividia com sua melhor amiga do mundo Nakya. A vista era linda. Aquele ano, esperavam ir todos para Miami, mas o destino acabou sendo South Padre por uma diferença pequena de votos dos alunos.
Tudo estava sendo organizado pela direção da Universidade Estadual de Ohio e por parte de alguns alunos que se ofereceram para ser responsáveis pela viagem. Basicamente, a universidade só estava dando-lhes dinheiro para que pudessem correr pelados feitos loucos na viagem, transar feito animais e beber feito irlandeses. Nada muito incomum para os parâmetros da OSU.
1º Capítulo
Já estou acordada faz algum tempo, mas a luz forte do ambiente me impedia de abrir os olhos, e só aumentava a minha dor de cabeça, parecia que havia pequenos gnomos fazendo a festa dentro dela, o que não era nada bom. Pela terceira vez tento abri-los, mas a luz branca continuava, comecei a pensar que fosse a luz no fim do túnel e repetir para mim mesma, não siga a luz, não siga a luz, até ouvir de o outro lado alguém chamar meu nome, e pensar, já tenho conhecidos no além?
- Viviane? - a mesma voz me chama e eu a conheço, só não consigo me lembrar de quem a pertence.
- A luz... - resmungo baixinho apenas para quem está bem perto de mim ouvir, e automaticamente sinto a luz diminuir.
Abro os olhos devagar tentando me acostumar com a luz do dia, que agora era a única que estava presente naquele... Quarto de hospital? Abro os olhos completamente e me encontro com um par de olhos castanhos arregalados bem próximo de mim, ele me encarava como se eu estivesse acabado de ser ressuscitada.
- Como você está? - o homem dono de uma voz encantadora pergunta.
- Minha cabeça dói - digo colocando a mão onde doía e posso sentir a minha cabeça enfaixada, o que aconteceu comigo?
- Não coloca a mão - o mesmo homem as tira de cima do curativo - a enfermeira já está chegando.
- Você não é meu enfermeiro? - pergunto um pouco confusa enquanto sinto a minha cabeça latejar, ele estava vestido de branco, o que mais podia ser?
- Você não está se lembrando de mim? - ele me pergunta, mas parecia assustado.
- Devia me lembrar? - pergunto e ele levanta indo até a pequena mesa de cabeceira apertando um botão vermelho que até então eu ainda não havia notado, na mesma mesa havia um buquê de rosas e uma jarra de água pela metade.
- Aconteceu alguma coisa? - pergunto ao homem que agora andava de um lado para outro pelo quarto espaçoso que era ocupado apenas por minha cama a qual eu estava, a mesa de cabeceira, e um sofá de apenas dois lugares.
- Isso está errado - ele resmunga.
Eu fico calada o vendo resmungar, eu não o conhecia e não fazia a mínima ideia do que dizer, até a enfermeira entrar, ela era baixinha e tinha o seu cabelo grisalho preso em um coque firme, vestida toda de branco carregava um medidor de pressão em cima do ombro, e uma bandeja nas mãos.
- Acordou - ela se aproxima de mim sorrindo - como se sente?
- Minha cabeça dói - respondo novamente.
- Vou te dar um remedinho e você vai dormir como se não existisse dor alguma, vamos primeiro conferir a sua pressão - ela vem até mim colocando sobe o meu braço ao medidor, e faz uma cara boa, deduzo que esteja tudo bem.
- Sua pressão está em ordem, vamos ao remédio - ela organiza em sua bandeja um pequeno copo plástico que continha dois comprimidos e o copo de agua que estava em cima da cabeceira, no caminho que faz até mim o homem que ainda andava de um lado para outro pelo quarto, a para.
- Ela não está me reconhecendo - ele a sacode pelos ombros.
- Dê tempo a ela, o médico conversou com você, isso é totalmente normal – ela responde com uma voz calma como se aquilo fosse uma coisa rotineira.
- O que é totalmente normal? - minha cabeça doía mais ainda.
- Você sofreu uma pancada forte na cabeça, a sua memória pode ser afetada em coisas mais recentes, ou até mesmo em coisas mais antigas, nada que não vá ser regulada com o tempo - a enfermeira me explica colocando sobe mim a bandeja, e o homem que agora posso observar o quanto ele era bonito, parecia não acreditar em suas palavras.
- Não - ele grita um pouco alterado e o lado esquerdo da minha cabeça lateja, fazendo com que eu involuntariamente faça uma careta de dor.
- Se não se importa, peço que se retire do quarto e a deixe descansar, ela precisa disso - sem pestanejar ele deixa o quarto sem nem olhar para trás, quem é ele?
Eu não entendia o que estava acontecendo, como problema de memoria? Eu realmente não o conhecia de lugar algum, não havia problema, ele era um total desconhecido, e isso basta.
- Ele passou toda a noite aqui ao seu lado, esperando você acordar - a enfermeira diz e eu me livro dos antigos pensamentos.
- O que?
- Seu namorado, ele passou a noite com você desde que chegou aqui, ele parece gostar muito de você.
- Namorado? Do que você está falando? Há quanto tempo estou aqui?
- Não muito, você chegou ontem ao anoitecer – ela pega uma prancheta que estava no bolso do seu jaleco com a minha foto 3x4 e começa a escrever algo - e quanto às outras perguntas acho melhor você descansar e se preocupar com isso depois, tome os remédios – faço o que diz colocando os dois comprimidos sobe a língua e os engolindo com a ajuda da água.
- Agora durma, se você acordar ou acontecer algum problema, pode tocar a campainha e eu estarei aqui.
- Espera - digo e ela se vira novamente.
- Ele é o meu namorado?
- É o que todos dizem - ela me da um sorriso tranquilizador e sai fechando a porta, me deixando sozinha naquele ambiente totalmente desconhecido e com a cabeça repleta de perguntas.
Eu permaneço ali, tentando lembrar-me dele a todo modo, mas eu não consigo, é como se não houvesse arquivos em minha memória, ou tivessem sido apenas apagados. Passo alguns minutos forçando a cabeça até cair no sono, em um sono profundo, sem sonho, apenas focando em um par de olhos castanhos desconhecidos.
~ ~ ~ ~
Acordo horas depois com vozes vindo do meu quarto, eram pessoas conversando e pareciam bem animadas pelo tom de voz, conversavam bem perto da minha cama, e eu me forço a abrir os olhos, mesmo ainda estando com sono.
-Oi – digo com uma voz fraca e as duas pessoas que estavam no quarto se viram para mim.
- Ai meu Deus, nós não queríamos te acordar – uma garota alta e branca dos cabelos arroxeados diz, e essa eu reconhecia, eu me lembrava dela, Stéfany.
- Se você não se lembrar de mim eu juro que mando fazer uma lavagem cerebral em você – um garoto diz do outro lado da cama em um tom de voz alto de mais para a minha cabeça.
- Você podia falar mais baixo sabia? E sim Diego, eu me lembro de você.
- Ainda bem – ele me abraça fazendo meus ossos estralarem – o Will está bem mal por você não se lembrar dele.
Will... Então é esse o nome dele?
- Por favor, se for o homem dos olhos cor de mel não tente me fazer lembrar-se dele, porque eu simplesmente não consigo.
- Tudo bem, só viemos saber como você está.
- Minha cabeça parou de doer, e fora o peso do curativo nela, me sinto pronta para uma partida jogo de futebol – eles sorriem.
- E o seu pé? – Diego pergunta e puxa o lençol deixando a mostra o meu pé também enfaixado.
-O que aconteceu com o meu pé? – pergunto enquanto ele o aperta e eu sinto pequenas dores.
- Você não se lembra?
- Não, na verdade não lembro também o que aconteceu com a minha cabeça e nem como eu vim parar aqui – eles se entre olham e ficam pensando no que dizer até um homem que dessa vez não era o “Will” entrar, ele devia ser o meu médico, usava um jaleco branco, e um terno por dentro, parecia jovem demais para já ser formado em medicina, tinha um cabelo bem preto puxado para trás, e olhos tão azuis como enormes safiras preciosas.
- Soube que teve problemas com a memória – ele começa dizendo – como se sente?
- Bem – respondo tentando me sentar na cama e ele me impede.
- Continue deitada, não vamos forçar nada até eu te examinar.
Ele coloca uma lanterna em ambos os olhos, e tenta ouvir os meus batimentos cardíacos, ficamos um bom tempo nisso, até eu ficar cansada de respirar fundo.
-Você parece bem – ele diz – o seu raio-x e exames não declararam nenhuma anormalidade.
- Isso significa que eu vou poder sair daqui?
- Não até amanhã, você deve passar a noite em observação caso as dores de cabeça voltem – ele anota algumas coisas na mesma prancheta que a enfermeira estava antes e levanta a cabeça sorrindo para mim.
- E agora você tem mais visitas – o médico diz e sai dando espaço para a última pessoa da face da terra que eu imaginaria entrar naquele quarto.
- Pai?
- Minha filha – ele vem até mim – que susto que você deu no seu babo.
- Pai, eu estou bem – ele me abraçava forte demais me fazendo sufocar.
- Eu precisava ver isso de perto.
- Você veio da Itália para ver apenas um pequeno machucado na minha cabeça?
- Não na verdade – ele sorri fraco – Vim para Califórnia tratar de negócios, há dois dias na verdade, mas quando fui te procurar na faculdade me disseram que você estava no hospital – ele suspira – o que aconteceu com você?
- Na verdade – eu gaguejo – eu não sei bem o que aconteceu.
- Como assim não sabe?
- Ela está com problemas de memória senhor – Diego diz perto do seu ouvido, e presumo que eles já se conheçam, então deixo de lado o momento de apresentações.
- Como assim problemas de memória, mas você lembra do seu babo não lembra?
- Lembro sim pai, mas eu não sou a pessoa adequada para te explicar isso, você pode falar com o médico, ele será bem atencioso.
Diego e Stéfany logo saíram do quarto me deixando sozinha com o meu pai, contei a ele alguns acontecimentos da faculdade, na verdade apenas o que eu conseguia me lembrar, e como estava curtindo fazer moda, o lugar que era incrível, e a praia paradisíaca que era a vizinha a casa dos meus amigos. O meu pai sempre foi um bom ouvinte, apesar do seu tempo curto éramos muito próximos, costumávamos jogar golfe, esquiar, e íamos muito a uma cafeteria vizinha a nossa casa na Itália, ele costumava me contar histórias da minha mãe, e o quanto nós éramos parecidas, meu pai tinha olhos azuis, e o cabelo um pouco mais claro que o meu, e apesar de aparentar os seus 45 anos era muito bonito, não tínhamos muitas semelhanças físicas, eu não conheci a minha mãe, até por que ela morreu logo após o meu nascimento, história ao qual eu não gosto de lembrar, mesmo tendo insistido muito para o meu pai contar, então sempre acreditei que era realmente a sua cópia, como ele dizia.
(PAI)
-E você não está namorado? – ele pergunta e aperta a minha barriga.
- Eu não sei, quando eu acordei tinha um homem bem bonito aqui na minha cama, dizem que é o meu namorado, mas eu não consigo me lembrar dele.
- Você não se lembra? Deve ser uma barra pra ele...
- Eu não sei pai, eu já tentei de tudo e não me lembro, não sei o que fazer – falo bocejando.
- Você devia dormir, esses remédios servem para você descansar.
- Quando eu acordar você vai estar aqui?
- Vou sim minha princesa, apenas durma – ele passa a mão na minha sobrancelha como era costumado a fazer quando eu era pequena.
- Pai, não me chama de princesa, por favor.
- Por que não?
- Eu não sei, eu não sinto uma coisa boa, essa palavra ecoa na minha cabeça como um pesadelo, mas sei que em dias irei me lembrar do por que – eu sentia fome, minha barriga roncava como se fizesse semanas que eu não ingeria nada, mas o sono me venceu primeiro, e eu adormeço na cama com meu pai fazendo carinho em meu rosto.
~ ~ ~ ~
O domingo chegou com um tempo fechado, chovia do lado de fora e a mesma enfermeira do dia anterior trocava o meu curativo da cabeça, fazendo dessa vez um bem menor.
-Quando eu vou conseguir me lembrar de tudo em?
- Dê tempo ao tempo querida, não se preocupe com isso – ela termina o curativo e deposita uma tapinha em meu braço.
- Eu não sei... – eu olhava para fora da janela e a chuva me trazia certa melancolia.
- Seu pé ainda dói? – ela se sentou na ponta da cama e começa a retirar o curativo dele.
- Só se forçar – ela retira toda a faixa do meu pé, e quando levanta para coloca-la no lixo vejo o meu tornozelo roxo, e até um pouco inchado.
- Só queria me lembrar do que aconteceu comigo.
- Como eu disse, dê tempo ao tempo.
Ela termina de dizer e os meus amigos entram no quarto, todos andando com a exceção de Diego que estava de cadeira de rodas.
-O que aconteceu com você? – pergunto com certo espanto.
- Nada – ele levanta em um pulo – isso aqui é para você.
- Pra mim? Eu não preciso de uma cadeira de rodas.
- Não force o seu pé – a enfermeira diz sorrindo e terminando, ela parecia tão satisfeita com o seu trabalho que me pergunto se comigo também será assim.
- Eu não estou invalida, posso muito bem andar.
Tento levantar, mas só de apoiar o meu pé no chão ele doía.
-Ta, talvez eu precise – Diego sorri e vem até mim com a cadeira, e com a sua ajuda eu sento nela e calço a minha bota para não ter mais nenhum tipo de fratura.
- Que horrível sensação – comento com Diego que me guiava pelos corredores enquanto eu carregava minha bolsa sobe o colo.
- Mas eu adorei, da pra fazer varias acrobacias, vê – ele me roda pelo corredor vazio e solta a cadeira que apos rodopiar bastante quase bate em uma porta de vidro, mas antes de acontecer ele a pega fazendo uma enfermeira que passava pelo local soltar um gritinho agudo.
- Nunca mais faça isso – eu grito levantando o meu dedo indicador e tentando me recompor para ele que sorri.
Ele me leva ainda na cadeira até o estacionamento onde o meu pai estava em seu carro a minha espera, mas do outro lado estava o meu carro, sempre chamando atenção pela sua cor.
-Por que você está com o meu carro? – estremeço ao ouvir o baralho da chuva caindo sobe a cobertura de alumínio do estacionamento, como se fossem trovões, o que eu sempre temi.
- Digamos que eu perdi a chave do meu...
- Como? – ele me olha com um sorriso cínico e eu me arrependo de ter feito essa pergunta.
- Quer saber, não me conta não – digo sorrindo, imaginando mais ou menos o que aconteceu.
Vou até o carro do meu pai sozinha, colocando força nos braços para mover a cadeira, quando me aproximo ele sorri para mim e pega a minha bolsa colocando-a no banco da frente.
Entro no banco de trás do carro com a sua ajuda, ocupando os três assentos para poder deixar a minha perna reta fazendo com que meu tornozelo doa menos.
O carro sai lentamente do estacionamento e consigo ver o mesmo homem de nome Will encostado em um carro olhando para mim, ele vestia a mesma roupa do dia anterior e automaticamente eu fecho as janelas, de dia, de noite, a qualquer horário os olhos daquele homem me chamava atenção, parecia pegar fogo, era em um tom eletrizante como se pudesse ver a minha alma apenas com um olhar.
-Tudo bem filha? – meu pai pergunta me encarando pelo retrovisor.
- Eu não sei...
- É ele não é?
- O que?
- O seu namorado, o homem que estava encostado em um carro olhando para nós, ele já estava ali há um tempo.
- Eu não sei pai, eu não sei – digo e o carro deixa o hospital, fazendo caminho pela cidade deserta por causa da chuva.
~ ~ ~ ~
Ele me leva para a casa dos garotos, lá seria o melhor lugar para ficar, a faculdade poderia não ser tão apropriado pela quantidade de escadas a mais que teria que subir, talvez eu me candidatasse para a chapa e apoiasse a colocação de elevadores para os quartos dos últimos dormitórios.
-Você tem certeza que quer ficar aqui, eu estou em um hotel de... – eu o interrompo.
- Não pai, aqui está ótimo – sorrio e lhe dou um beijo na bochecha.
- Quando você vai embora? – pergunto.
- Ainda tenho alguns assuntos para resolver, tenho um voo marcado para daqui a duas semanas.
- Você vai passar mais duas semanas aqui?
- Ao que tudo indica sim.
- Ah pai – eu o abraço junto com o banco de motorista – eu senti tanto a sua falta.
- Eu sei meu amor, eu estou aqui não estou? Vai ficar tudo bem.
- Eu não sei...
- Você devia tirar essas palavrinhas da boca.
- Eu não sei – digo sorrindo dessa vez.
- Me promete que vai parar de dizer isso e que vai ficar bem? – ele começando a frase sorrindo e a termina serio.
- Eu prometo, agora me ajuda a sair daqui.
Saio do carro, e apoiando em seus ombros eu adentro a casa, meu pai parecia maravilhado com a paisagem que tinha dali, que era realmente linda, e com o tempo nublado, a praia parecia uma obra prima.
-Vai ficar bem? – ele pergunta quando paramos na porta.
- Vou pai, já disse – sorrio.
Ele me da um beijo no topo da cabeça e sai voltando para o seu carro, que provavelmente devia ter sido alugado.
Abro a porta e logo me deparo com todos sentados no sofá assistindo alguma porcaria na TV.
-Você demorou a chegar, achei que tivesse esquecido o caminho de casa também – Diego faz piada.
- Não – digo séria - paramos para pedir comida chinesa.
- E você trouxe para nós? – os olhos de Taisa brilhavam.
- Na verdade eu já comi tudo – digo sorrindo enquanto passo a mão na barriga estufada e ela finge estar irritada.
Vou até a poltrona pulando de um pé só e sinto a minha cabeça incomodar o que me lembra do remédio que eu tenho que tomar daqui a algum tempo, sento em uma poltrona de canto e passo a assistir um filme com eles, que parecia já estar no fim.
-Você está bem? – Mateus pergunta me pegando de surpresa.
- Poderia estar melhor – sorrio fraco.
- Soube que você teve problemas com a memória.
- É o que todos dizem...
~ ~ ~ ~
Logo após o fim do filme subo para o quarto com a ajuda de Gustavo que insistiu em me carregar no colo, e como não tinha opção, cedi.
-Você está linda nessa roupa – ele diz sorrindo como se aquilo fosse uma grande piada, eu usava um moletom que Stéfany havia ido buscar para mim na faculdade e uma faixa na cabeça que a enfermeira me fez o favor de colocar para cobrir o curativo. (http://www.polyvore.com/hospital_saida/set?id=107461875 )
- Gostou? Foi Stéfany que escolheu - digo e o seu sorriso some, ele parecia sem resposta e com um raciocínio lento penso que não devia ter citado o nome dela.
Quando estou prestes a pedir desculpas ele encontra a voz.
- Boa noite Viviane, bons estudos – ele devolve a minha bolsa que carregava e segue o corredor para o seu quarto.
As provas de fim de período estavam para começar vindo junto com ela às festas de fim de ano, e eu já havia esquecido que tinha que estudar, até porque tinha combinado de fazer isso com Diego, mas fui trocada por uma festa e mulheres.
~ ~ ~ ~
Passo um bom tempo na cama deitada sobe os livros, mas não conseguia me concentrar, olhava para um lado e para o outro, mesmo sem entender nada esse falta de memória me incomodava, e se ele era mesmo o meu namorado ou sei lá o que, eu tinha que me lembrar dele, a todo custo.
Junto com esses pensamentos me vem o item de onde eu passarei as minhas festas de fim de ano, não sei se vou para a Itália, nem sempre meu pai fica por lá, já cansei de passar ano novo em países totalmente desconhecidos por que meu pai tinha “negócios” a tratar, mas quem trata negócios em plena virada de ano novo?
E é nesse momento que me lembro de uma conversa que tive com Diego, ele me falava do ano novo na Austrália que era o melhor do mundo, o quanto era perfeito a chuva de cascata que ele presenciava em baixo da ponte de Sydney, e chegou até menos a nos convidar para irmos até lá, e penso será que o convite ainda estaria de pé?
Deito-me de barriga para cima e encaro o teto, minha cabeça não doía e nem o meu pé, e fico ali esperando o sono chegar, na verdade, não era o sono, era um alguém.
Próximo Capítulo →
Capítulo 1
Megan e sua mãe acabaram de desembarcar do avião , elas foram direto para a entrada do banheiro , Letícia , sua mãe , deixou as malas junto da filha e foi ao banheiro .
Megan aproveitou para mandar uma mensagem a Julia .
" Acabei de chegar ao Brasil , estou morrendo de saudades , mal posso esperar para vê-las novamente , quanto tempo não !? , irei passar primeiro na casa de Ricardo ... ops , meu pai , estranho não ? , estou com muita ansiedade , não sei como as coisas irão acontecer , depois de tanto tempo né ! "
Letícia: Vamos ?
Megan: Oooh , sim !
Letícia pegou seu carrinho com as bolsas e as duas foram para a entrada , Letícia , se apressou para pegar um táxi que estava já saindo vazio do local , o cara parou , desceu do carro e abriu o porta - malas , Megan e a mãe ajeitaram as bolsas no porta-malas e entraram no carro , Letícia deu o endereço da casa de Ricardo e elas partiram do aeroporto.
Julia: Megan já está no Brasil , ela vai passar na casa do pai dela e depois nós podemos marcar de sairmos juntas .
Laisa: Ótima ideia , quanto tempo faz que não vemos ela ?
Julia: Uns três anos .
Laisa: Que estranho não ? ela chegar na casa do pai , mas não pelo fato de estar na casa do pai , mas sim na casa de um pai que ela passou três anos longe , e chegar como se tudo fosse normal , eu acho que não teria reação no momento
Julia: Diga isso a mãe dela , até hoje eu não entendo , como uma mãe sai , assim do nada e leva apenas uma filha pra morar com ela no exterior por três anos , não que eu goste de Catarina , mas as vezes me pego pensando se ela não sofre por isso !
Laisa: Tá ai o motivo dela ser tão chata , a falta de uma mãe !
Julia e Laisa dão risadas .
Megan chega na casa do pai , durante os três anos , ela soube que o pai ficou rico , só que não tanto , era uma grande casa branca com dois andares , Megan não conseguia acreditar de que Ricardo conseguiu tudo aquilo em três anos , quando elas saíram de casa , Ricardo era classe média alta e agora era o todo poderoso .
Letícia paga o motorista , Megan ajuda a mãe a descer as malas do carro , dois seguranças que estavam na frente da casa ajudam Megan e a mãe com as bolsas .
Letícia: Prazer , sou Letícia , sou a mãe de Megan - ela puxa Megan para perto dela - uma das filhas de seu chefe .
Segurança: Nós sabemos quem é você , sua chegada já estava anunciada .
Letícia: Aaah sim , é claro !
Os seguranças pegam as bolsas delas e as carrega , eles avisam pelo interfone de que poderiam abrir o portão , o grande portão se abre , Megan percebe que o jardim é imenso , eles vão em direção a porta .
O coração de Megan começa a disparar e ela coloca a mão no peito na tentativa de acalmar o coração , ela sentia muita falta do pai , sentia falta de quando ela e a irmã eram pequenas e ele balançavam elas no balanço , sentia falta de todas as tardes o pai chegar em casa e elas iriam correndo para abraça-los .
Um dos seguranças abre a porta , Ricardo e Catarina estão em pé olhando fixamente para a porta , assim quando Megan vê o pai , ela corre na direção dele e o abraça , porém , logo percebe que ele não retribuiu o abraço , ela olha para ele sem compreender .
Ricardo: Que bom que vocês chegaram , eu , eu ... eu tenho que ir
Ricardo se afasta , pega sua mala e vai em direção a porta , Megan já com os olhos cheios de lágrimas diz.
Megan: Mas eu acabei de chegar .
Ricardo: Sim , você é minha filha não ? Quando eu chegar em casa eu verei você novamente , a não ser que vocês sumam de novo.
Disse ele olhando fixamente para Letícia, ela se aproxima dele e diz.
Letícia: Se você soubesse o quanto eu me arrependi do que fiz - ela coloca as mãos no rosto dele e com outra , enxuga uma lágrima de seu rosto .
Ricardo: Já é muito tarde para se arrepender , você não acha ? Já arrumou um lugar pra morar ? Se não , eu espero que consiga depressa , está difícil a locação de moradias por aqui !
Ricardo sai junto de seus seguranças e fecha a porta com um estrondo .
Letícia seca as lágrimas do rosto e olha para as duas filhas .
Letícia: Minhas meninas , juntas novamente - ela se aproxima e põe a mão no rosto de cada uma delas .
Catarina: Minhas filhas nada , você não é minha mãe - diz a garota empurrando a mão de Letícia para longe dela - você não é minha mãe desde o dia em que sumiu da minha vida .
Catarina sobe para seu quarto as pressas .
Letícia fica horrorizada.
1º Capítulo
- Mas que droga... - meu celular tocava e vibrava fazendo um som irritante na mesa de cabeceira, o pego já preparada para desligar o despertador, mas era uma ligação.
- alô? – minha voz sai falha.
- Você estava dormindo?
- Pai?
- Quem mais? Você já deu uma olhada na hora? Já deve estar atrasada... – levanto em um pulo.
- Droga, obrigada pai, mais tarde te ligo, a presto – o relógio de mesinha marcava 07:30, eu só precisava de 10 minutos para me arrumar e mais 20 minutos do hotel até a faculdade sem parar no semáforo vermelho, ok, eu consigo.
Começo com um banho rápido de dois minutos, coloco a roupa que já havia sido escolhida na noite anterior, vestindo aos pulinhos enquanto ando pelo quarto. (Look)
Desço pelo saguão em passos largos agradecendo por já ter fechado a conta do hotel no dia anterior.Puxo a mala com dificuldade enquanto procuro a chave do carro na bolsa, quando finalmente a encontro dirijo a 80km rezando para o trânsito não estar lento.
Enfim paro no estacionamento faltando 3 minutos para as 8 e respiro aliviada, chegar atrasada no primeiro dia não seria nada interessante, ainda dentro do carro passo uma leve maquiagem e puxo uma trança desajeitada no cabelo usando o retrovisor como espelho, adiciono um laço com os mesmos detalhes do short, isso deve servir.
Quando finalmente saio me deparo com o campos uma imagem magnifica, que fez meu coração acelerar (http://webs-de-amigos.tumblr.com/tagged/faculdade ).
- Lindo não? - mal tinha percebido a presença de um garoto ao meu lado ele estava encostado na porta do seu carro, ouvindo uma música internacional que eu não conhecia baixinho.
- Sim, muito lindo, isso é sempre assim?
- Na verdade não, você tem que ver isso aqui no inverno, a neblina cobre boa parte do céu, é lindo – confirmo e continuo a admirar.
- Belo carro – o meu carro era o mesmo modelo que o dele a única diferença era a cor, o meu sendo um amarelo vibrante e o dele um azul marinho.
- Digo o mesmo do seu – ele sorri e se apoia na lataria do meu carro, ele era bonito, tinha um corpo magro com os cabelos bagunçados, e os olhos verdes que brilhavam como grandes esmeraldas, dentre os meus devaneios escuto o sinal tocar.
- Tenho que ir – dou dois passos em direção oposta e ligo o alarme do carro.
- Vai para a sala da Reitoria? – ele diz fazendo o mesmo.
- Sim, você sabe onde fica?
- Eu te acompanho – ele estende a mão – você primeiro.
- Qual o seu nome? Acho que ainda não nos apresentamos – pergunto.
- Diego, e o seu?
- Viviane, Viviane Capelotti, prazer.
- Italiana?
- Sim, como sabe?
- Pelo sobrenome – ah.
- Eu sou completamente fissurado pela Itália, conhece kylie Minogue ou Neon hitch?
- É o nome de alguma ilha?
- Você está falando sério? Elas são as melhores cantoras de todo o mundo.
- Desculpe, mas não conheço – falo distraída enquanto olho o movimento entre os corredores mas o vejo fazer uma cara de contragosto.
- Chegamos? – pergunto quando ele para.
- Sim, você pode entrar nessa porta e dentro dessa sala terá outra porta, pode entrar sem bater, apenas bata a primeira porta ao entrar.
- ah, obrigada.
- Nada, será que eu posso te morder agora? Seria um prazer... - ele segura o meu braço pronto para uma mordida e puxo sem pestanejar.
- O que? Qual o seu problema? É louco? – resmungo um palavrão em italiano e entro batendo a porta com força.
~ ~ ~
Já com a gestora subo as escadas em direção a minha sala, estamos no último corredor, e a minha sala é a última, paramos em frente a uma porta estreia com uma janelinha de vidro em cima onde tem colado uma folha com o nome ‘’MODA’’, quase choro de emoção, um sonho realizado, ela olha para mim e me da um sorriso enquanto abre à porta interrompendo a aula de um professor que aparenta ter uns 45 anos, vestia um terninho básico e tinha cabelos grisalhos, ela cochicha algo com ele e eu vou me sentar em umas das primeiras carteiras, a 03 em que os dois lugares estavam vagos, quando olho para trás dou de cara com Diego, isso só pode ser brincadeira, ele acenava para mim freneticamente , o que esse garoto maluco faz aqui?
O professor pede atenção logo após a reitora se retirar e eu olho para frente, no quadro tinha escrito em letras de forma BERNARDO, INTRODUÇÃO A MODA. O nome dele provavelmente dever ser esse, e essa a matéria que ele ensina, então eu resolvo dedicar toda a minha atenção à aula. Ás três horas de aulas passaram voando e eu só percebi o fim da aula quando os meu colegas de turmas saem arrastando as suas bolsas e batendo nas carteiras.
- Ei, você é a garota do estacionamento – Diego aparece na minha frente como um raio, qual o problema desse garoto, ele tem autismo?
- oh, sim – resmungo enquanto guardo o meu bloco de anotações na bolsa.
- Vem – ele me puxa.
- Qual é? Ta me levando pra onde? – falo tentando me largar
- Calma, só vou te apresentar os meu amigos? – o que? Não, não.
Próximo Capítulo →
10 de fevereiro, cantina da Universidade, 08:00h.
— Viu que ótimo? Chegamos cedo, nem precisamos pegar fila — Sorriu — Chegamos cedo demais John — Resmungou Charlotte — Estou cansada e com muito sono. — E com muita olheira — Ele disse sincero e ela olhou ofendida — Ops, desculpa, está linda minha irmã. — Cretino — Ela resmungou — Se estou assim, é culpa sua — Ele olhou se fingindo de ofendido — Você que me fez acordar tão cedo, desagradável. — Estava pensando no nosso bem — Deu de ombros — Se quiser eu venho sem você e você pede pra mamãe te trazer — Ela levantou as sobrancelhas — E sabe como ela é ótima de volante — Ele riu. — Pare de ser tão rude John, isso não é engraçado — Ela resmungou olhando os horários.
Parte V - Capítulo 1
Daqui a pouco
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