Don’t Tell a Soul, The Replacements
Não posso afirmar que, se Os Replacements não existissem, talvez você não existisse também, mas vejamos assim: conheci sua mãe através do gosto em comum pela carreira de Ryan Adams; Ryan Adams é um dos maiores plagiadores da mistura de country, punk e folk pelo qual os Paul Westerberg e os Replacements ficaram (quase) famosos. Então, podemos dizer que você deve um tiquinho à esses caras – mesmo que um deles (Tommy Stinson) tocado numa versão rodízio de churrascaria do Guns’n Roses.
(a capa de let it be entra no meu top5 capas favoritas)
Os Replacements lançaram discos durante toda a década de 80 e nunca foram grandes de verdades. A historia nos diz que eles eram uns tremendos pés de cana (gostavam de tomar uma cervejinha) e que morriam de medo de pegar a “síndrome da banda que se vendeu”. Desde o primeiro álbum “sorry ma”, eles tiveram aval de critica, fãs devotos e foram ingênuos o bastante para sustentar a bandeira daqueles que “nunca traíram o movimento” do underground como os punks legítimos costumam esbravejar. O problema é que eles seguraram a bandeira tempo demais e assim como varias bandas legais da época, o Replacements acabou segundos antes do rock alternativo ganhar o campeonato mundial pós-apocalipse do estouro do nirvana.
Todos as cartilhas roqueiras vendidas nas livrarias do futuro irão dizer que os melhores álbuns do Replacements são “Let It Be”, “Tim”, “Pleased to Meet Me” – grandes obras escritas sobre a ótica de ser jovem, suburbano, ingênuo e um pouco burro também. O lado B de Tim, por exemplo, traz duas das 5 melhores canções do grupo: “Left of the dial” e “bastard of young” – hinos do underground alternativo que teve sua vingança em 1991 quando o Nirvana, Pearl jam e a todas as bandas citadas no filme Singles - Vida de Solteiro dominaram o mundo.
E quanto à “Don’t Tell a Soul”? é simplesmente o disco fracassado da banda. Enquanto nos discos anteriores o Replacements batia o pé, xingava a mãe dos donos da gravadoras e gravavam clipes onde a ação resumia à um toca discos tocando uma música da banda, em “don’t tell” eles fizeram tudo certinho pra dar certo. O disco era polidinho, carregado de hits (“Achin’ to be” é lindona) que tocariam até na FM que pegava na região de Coronel Vivida e com vídeos bonitinhos com Paul Westerberg pagando de galã na MTV. Eles também deram um tempo na drogas e no álcool e compuseram canções que venderiam um milhão de discos em 1993, mas em 1989 não deu em nada. Os críticos acharam fraco, os fãs acharam pop demais e a banda simplesmente cansou.
“Don’t Tell a Soul” é o disco que mais gosto do Replacements por ser o primeiro que consegui ouvir após conhecer Westerberg como cantor na trilha sonora de Singles – Vida de Solteiro. “Don’t Tell a Soul” teve edição nacional com a capa preta e a cara do Paul Westerberg chateado, ouvi uma vez em algum lugar e me apaixonei de cara, gravei numa fitinha consumida nos tempos do 2º grau. O álbum já continha características do trabalho solo que eu conhecia. Levei muito tempo pra gostar dos primeiros álbuns da banda – “Sorry Ma, Forgot to Take Out the Trash” (ótimo nome) e “Hootenanny” – punks, sujinhos, adolescentes - e bem copiado pelo Green Day nos anos 90.
A edição em Mp3 (também conhecida como a versão remaster) tem mais 25 minutos de canções que haviam ficado de fora do álbum porque os discos não comportavam mais do que 40 minutos. Entre estas há três músicas que não dá pra acreditar que levaram 20 anos para serem lançadas: o punk “wake up”, a balada country e acho que a favorita da sua mãe “portland” e “date to church” com Tom Waits esmerilhando no orgão de igreja.
A banda nem tinha acabado (acabou em 1992) e uma penca de adolescentes surgiam com guitarras e violões se dizendo influenciada pelos Replacements - e por REM, Husker Dü, Violent Femmes, Pixies e X, né?
Alem de Ryan Adams, os senhores do Wilco (cujo vocalista era do Uncle Tupelo – uma lenda do country rock adolescente) também iniciaram as atividades lançando um disco irmão gêmeo de “Don’t Tell” - “A.M.”, de 1995. “sadly beautiful” do ultimo disco do Replacements é basicamente o que tornaria o wilco famoso.
Quanto à mim, se você leu o capitulo sobre a trilha sonora do Singles, já sabe qual a influencia dos Replacements e da carreira solo de Paul Westerberg, né?








