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Niall via IG Story 24/11/2018
I used to excel in presentation skills, and now I'm trying to master a different kind of presentation.
Mein 18. Geburstag und Blut läuft meinen Armen hinunter.
Liam in Sydney on october (x)
Niall via Twitter 24/11/2018
A balada do Lobo Solitário #1
O PURGATÓRIO
—
O Lobo Solitário carrega consigo uma bagagem pesada há muitos anos. De cada ocasião vivida, ele por algum motivo acaba trazendo para o hall das suas lembranças certas memórias que pesam como âncoras, que estalam e ferem como chicotes, contrariando completamente o fato que se deve trazer apenas o que enaltece os bons momentos que foram vividos. Ele tem o coração em chamas, dolorido, retalhado sem nenhum tipo de cerimônia ao longo de todo esse tempo, além de um sentimento de vazio que o preenche por dentro constantemente.
Ele tem um jeito torto de fazer as coisas. Como se tivesse a obrigação de confrontar-se constantemente, de punir-se por algo que nem ele entende muito bem; mas a necessidade da punição está ali. Então, mecanicamente, ele prefere se ater às memórias que estilhaçam o coração em incontáveis pedaços, a instantes que nunca aconteceram. Que por uma série de fatores foram forçados a existir apenas em um limbo de eternas possibilidades, onde todas as oportunidades descartadas ao longo dos dias se reunem.
O Lobo Solitário está na espreita, camuflado nas sombras, acorrentado e com uma tonelada de palavras presas na garganta. A angústia de nunca poder dizê-las é tão grande que todas as letras se misturam e começam a escorrer pelos seus olhos, e ele chora em silêncio. ‘As lágrimas são só água’, ele diz pra si mesmo enquanto segue ali, quieto, alerta. Focado por fora e devastado por dentro.
Ele entende que está num purgatório que ele mesmo criou e procura formas duvidosas de acelerar o processo e sair do estado desolador onde se encontra. Acabou conseguindo sair do purgatório vez ou outra por meio de certas brechas, e com isso criou correntes que não deveria ter criado.
Mas que correntes são essas?
Essas correntes realmente existem?
O Lobo Solitário começa a entender que a verdade nada mais é do que acreditar numa teoria por tempo o bastante até ela fazer algum sentido. Quando ele afirma a teoria pra si mesmo, automaticamente uma corrente surge. O Lobo vê, ao longe, indícios de que a verdade não existe de fato. O que existem são apenas possibilidades que a consciência o induz - ou não - a prestar atenção e encarar como algo que é válido - ou não. Quando ele acredita por tempo o suficiente em uma dessas possibilidades, ela se torna uma verdade inabalável. O ponto é que muitas dessas “verdades” acabaram aprisionando-o, bem lentamente, no purgatório em que ele se encontra.
Ele percebe então que esteve imóvel por todo esse tempo, acreditando estar acorrentado a memórias, momentos, pessoas, sensações, quando na verdade as correntes não estavam presas a nada. O Lobo Solitário criou as verdades, as correntes e o purgatório. Se ele criou, ele e apenas ele tem o poder de destruir. E a destruição não precisa ser dolorosa, ela pode ser tão rápida quanto a criação de uma verdade.
É só acreditar o suficiente. E ele sente urgência em sair desse estado. Ele já não aguenta mais.
O Lobo Solitário se questiona. Se ele está no controle, por que tudo ao redor o faz acreditar que na realidade ele está mais perdido do que nunca? Por que as coisas acontecem como acontecem? Os dias tem sido montanhas russas, e um pouco de linearidade cairia muito bem. Ele olha ao seu redor e, superficialmente ainda pouco convencido de que poderia se movimentar sem ser proibido pelas correntes, ele diz para si mesmo que é forte o suficiente para dar o primeiro passo para fora daquele purgatório, assim como ele foi distraído o suficiente para criar e entrar nele.
Ele consegue, e percebe que de fato não estava acorrentado a nada. Mas ao mesmo tempo, o Lobo Solitário tem noção de que o caminho não será fácil. Que ainda podem vir inúmeras dúvidas e recaídas. Ele sabe que será árduo.
Pode vir a ser sua punição final.
Mas o primeiro passo foi dado.
November 24, 2018 - Day 158
In the end, my favorite bed is my bed.