Jetzt ist dein Briefkasten halb voll. Du bist immer noch nicht da. Hey, ornanieren, das ist toll. Eins ist klar.
Farin (Langweilig; 27.05.2012, Chemnitz)
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Jetzt ist dein Briefkasten halb voll. Du bist immer noch nicht da. Hey, ornanieren, das ist toll. Eins ist klar.
Farin (Langweilig; 27.05.2012, Chemnitz)
Eu estava cansada de ficar em casa o dia todo, apenas tomando conta do Tobby e da Kiki (meus cachorros de estimação). Precisava de companhia, de uma diversão. De algo que pudesse me distrair de fato. Deixei meus filhoquinhos em suas devidas casinhas, e fui pôr uma roupa menos “bagunçada”. De havaianas no pé, short jeans e regata, peguei as chaves de casa que estavam em cima da mesa e sai.
Nunca havia reparado em como a rua que eu morava era extremamente correta. Tudo limpinho, as árvores floridas e algumas crianças brincando de bicicleta no meio da pista. A tranquilidade era eminente, e tinha até alguns vizinhos conversando em um dos bancos espalhados por aqui. Acho que a minha pressa matinal ao retirar o carro da garagem, me privava de observar a bela vizinhança que eu possuia.
Dei olá a algumas crianças que estavam por ali, e pude até notar certos olhares de surpresa. Talvez porque eu estava em casa em um dia de semana, talvez por ter saído de casa a pé, ou por tê-las cumprimentado.
Resolvi ir a uma lanchonete, ouvi falar que havia um dos melhores sanduíches lá. Eram 5 horas da tarde e o movimento não estava lá essas coisas, fiquei satisfeita já que não gosto de lugares muito cheios.
Sentei-me em um daqueles bancos altos do balcão e alguns segundos depois, a atendente veio até mim.
- Boa tarde - ela sorriu, com certeza ela era obrigada a fazer isto - O que a senhora vai querer?
- Ah, boa tarde - sorri por educação também - Hm, eu quero um sanduíche light e suco de abacaxi de hortelã.
A moça assentiu com a cabeça e entrou na cozinha.
- Adoro suco de abacaxi também - uma voz rouca soou do meu lado.
Dei uma olhada rápida e havia um rapaz bem simpático, de cabelo castanho claro e olhos cor de mel sentado ao meu lado.
- Ahm, que bom né? - eu disse sem entender muito bem o motivo dele ter falado comigo.
Eu já disse que não sou sociável? Pois é, eu não sou.
- Eu nunca te vi por aqui.. - ele continuou a conversa, ignorando a minha resposta anterior - Você mora por essas redondezas?
- Er, eu não costumo sair de casa para fazer “nada” entende? - dei um sorriso rápido e forçado - E sim, eu moro por aqui.
- Não é de muito papo não é? - ele deu um riso e eu o olhei. Ok, ele tinha um belo sorriso. Ok, ele era lindo.
- Não sou uma boa pessoa para se conversar, sabe? - dei de ombros.
- Sei como é… - ele pausou por alguns instantes. - Meu nome é Gustavo.
- Hellen - finalmente consegui dar um sorriso espontâneo.
- Que bom ver um sorriso espontâneo nesse rosto lindo - ele disse e eu fiquei sem graça.
A atendente trouxe o meu pedido.
- Obrigada.
- Não tem de que - ela sorriu. - O mesmo de sempre Guto? - ela perguntou ao Gustavo.
- Só um café por hoje Kelly - ele disse e ela voltou pra cozinha.
Peguei um canudo e tomei um pouco de suco.
- Eu não quero interromper o seu lanche, Hellen, eu vou me sentar em outro lugar - ele ia se levantando e por instinto eu o segurei pelo braço.
Levantei os meus olhos e ele me olhou confuso.
- Fica… Por favor? - dei um sorriso amarelo.
Eu mordi meu sanduíche, ele sentou-se e deu um riso contido.
- Há minutos atrás você nem olhava pra mim direito - ele me olhou com ternura.
- Desculpa - eu disse sinceramente - Eu não sou muito acostumada com atenção, sabe?
A atendente voltou com o café dele e ligeiramente se retirou. Ele tomou um gole e eu sorri. Ele era completamente lindo até mesmo tomando um mísero e simples café.
- E ai misteriosa Hellen, o que você faz da vida? - ele seguro o queixo. Parecia bastante interessado em mim.
- Corretora de imóveis. - dei de ombros - E você?
- Gerente de um banco - eu o olhei surpresa - O que foi?
- É que você não parece nem um pouco com um cara que fica o tempo todo sentado em uma sala, mexendo e lidando com cálculos.
Ele deu uma gargalhada alta.
- Que foi? - eu ri um pouco.
- Todos me dizem isso - ele tomou o resto do seu café e eu comi o ultimo pedaço do meu lanche - Eu amo o meu trabalho, só que não sou de me fixar apenas nele, sabe? Gosto de ser feliz.
- Quem dera eu conseguir isso… - abaixei minha cabeça e passei o dedo indicador sobre a borda do meu copo.
- Você é muito sozinha. - ele disse e isso despertou minha atenção - Eu pude perceber isso desde o instante que entrei por aquela porta.
- Sério? - arqueei a sobrancelha, era um tanto impressionante alguém se importar tanto comigo.
- Ah, por favor né? - ele caçoou- Você é uma mulher linda e estava sentada em uma lanchonete, ás 17 horas e sem nenhuma amiga ou carinha do lado. Não é muito comum isso.
Dei de ombros.
- Mas se você quiser um amigo pra vez ou outra sair pra tomar um suco de abacaxi com hortelã… - ele sorriu e eu fiz o mesmo.
- Eu adoraria - disse com sinceridade.
- Será um prazer.
Ok, eu fiz um amigo. Um dia bem estranho, ou melhor, uma tarde bem estranha. Mas a vida é feita de pequenas mudanças não é mesmo? Uma variada de rotina, pode te trazer grandes surpresas por fim. Sorrisos e um brilho no olhar que não havia em mim há tempos. Uma mudança pequena pra muitos, porém muito notável pra quem não curte muito ser notada.
Sei que o Gustavo vai me ensinar a ser menos na minha, sei que eu vou ser um pouco feliz sendo amiga dele. Amigos nos mudam, e todos devem ter ao menos um amigo. É a opinião de alguém que viveu muito tempo sem nenhum.