um silencioso alarde (ou: "retalhos")
em algum canto do mundo a gente vai conseguir aquilo que um dia sempre quis ter, é
calei a boca de todos aqueles familiares que me chamavam de descrente, pois nisso eu tenho fé.
talvez seja aquele canto, onde vermelho fiquei ao me deparar que ao te ler, consegui ver melhor
te ver melhor e perceber que sempre te tive, lá eu li, e entendi que tudo que nos envolve é muito menor.
muito menor do que tudo que criamos.
naquelas quatro paredes do quarto com fundo laranja, que mais parecia ser o lar de uma anja
criei nosso elo, e de tanto amar esse elo, o dia se fez amarelar sobre você e eu, juntos, amarelo.
você, a suave coisa toda que me transborda, que me tira da cabeça as teias de aranha e me diz coisas tão bonitas que meu coração nem sabe como se comporta.
coração que se acanha, mas confessa, que mesmo tímido, te levaria fácil pra mais perto daquela cama.
e lá, de meus lábios darei-te toda a carne
e se por acaso eu precisar usa-los, pego os seus emprestado, e juntos nós faremos um silencioso alarde
confesso que usarei seus cabelos como venda, pra não ver o fim de nossos atos
e mesmo cego, com meus dedos e suas costas farei um mapa, pois possivelmente de lá, sairemos desnorteados.
sair de lá para qualquer outro lugar onde eu continue sendo seu.
lugar que completará mais uma página de nossos livros auto-biográficos que o seu eu do futuro leu.
espero que ela tenha gostado, assim como o passado dela tem me alegrado e mesmo que isso se torne repetitivo, tome aqui uma caixa, contendo: um pacote de beijos para distribuir em sua face, um saco de pão vazio pra esconder a timidez, caso ela não disfarce. e meu eterno obrigado, com um desenho de uma de suas belas mãos com uma dedicatória do lado.
"para mon, mon amour ♥"