G A M E S
A aula de hoje foi incrível. Recebemos o Mairon (AUTODIDATA!), da empresa de games brasileira Dumativa, que recentemente lançou um jogo chamado A Lenda do Herói, que vou falar mais sobre depois.
Aprendi várias coisas durante essa palestra, mas o que mais me chamou atenção foi algo que remeteu a minha infância: jogos que geram diferenciação de gênero.
Sempre gostei de jogar videogame e devo isso a meu pai. Quando eu tinha uns cinco anos ele apareceu lá em casa com um Playstation 2 e um Xbox, comprados em parceria com meu tio. Funcionava uma espécie de rodízio: uma semana o PS2 ficava lá em casa e o Xbox na casa do meu tio, e na semana seguinte era o contrário. Era um dos momentos que eu mais apreciava no meu fim de semana: sentar para jogar videogame com meu pai. Inclusive, a gente frequentava um lugar hoje extinto: uma “Blockbuster” dos videogames. Mas eu não podia levar essas novidades para os meus amigos da escola. Naquele tempo, por volta de 2002 – 2004 videogame era “coisa de menino”. Nenhuma coleguinha minha tinha isso em casa. E os meninos que tinham não queriam falar sobre videogame com uma garota. Acabei guardando essa diversão somente pra mim por muito tempo. Meu primeiro console portátil foi o Gameboy Advance SP, que já era mais aceito como unisex de certa forma.
(igual a esse, mas sem o glitter.)
Mas até o surgimento do Nintendo DS com seus jogos como Nintendogs e Cooking Mamma,o público feminino permanecia praticamente inexplorado – além do famoso The Sims. Não preciso nem dizer que pedi pros meus pais um DS, que acabou sendo comprado com a economia das minhas mesadas. Mas meu jogo preferido era o Lego Batman.
Uma coisa que na época também me incomodava, mas que felizmente está mudando: a representação dos personagens femininos nos videogames. No Playstation 2, meu jogo preferido – que até hoje tem um espaço no meu coração que acaba de descobrir que foi feito uma versão nova pra PS4 – era Gauntlet.
Gauntlet é um jogo de fantasia, onde você escolhia um personagem numa categoria – mago, guerreiro, valquíria, elfo, feiticeiro, etc. – e ia derrotando diferentes inimigos tentando libertar o ser mais malvado da Terra: Gauntlet. A verdade é que a sinopse e o objetivo do jogo pouco me importavam –eu nem entendia pra falar a verdade-. O mais legal era o multiplayer que me permitia “team up” com meu pai para chegar no fim do jogo. No entanto uma coisa me incomodava: meu pai sempre jogava com o cavaleiro, que tinha uma armadura bonita e ombros largos e uma maça (sim, esse é o nome oficial dessa arma) maneira.
Eu me sentia na obrigação de jogar com uma personagem feminina, a feiticeira. Mas me indignava o fato de eu não poder ter uma armadura bonita e uma espada junto da varinha.
E eu sempre me perguntava como aqueles vestidos que mal cobriam o corpo dela serviam pra alguma coisa em batalhas.
De uns anos pra cá essa hipersexualização feminina em videogames vem diminuindo tanto com o crescimento das consumidoras de videogame quanto com o compreensão das mulheres nas novas gerações de que essa representação feminina só prejudica a figura feminina diante dos homens jogadores, além de incentivar aqueles famosos padrões de beleza inalcançáveis (já viu a Lara Croft?).
(As mais recentes são as que tem a roupa mais adequada para o tipo de coisa que fazem, sem os seios excessivos.)
Confesso que fiquei meio decepcionada com o palestrante falando de jogos “para meninas” e “para meninos”. Achei que em pleno século XXI estaríamos além disso. Mas a verdade é que ainda existe essa distinção. Candy Crush por exemplo é visualmente direcionado à mulheres – inclusive, minha mãe joga isso. Não que mulheres estejam proibidas de jogar Call of Duty e homens não possam jogar Cooking Mamma, claro. É normal ao fazer um jogo imaginarem um público alvo. O problema é que ao rotularem um jogo como "de menina" ou "de menino" colocam uma barreira inconsciente pra quem vai jogar. A verdade é que devo aos meus pais essa mentalidade, por me criarem sem muita distinção de gênero quanto a brinquedos. Eu amava meus Hotwheels.
Conforme a palestra foi passando me distraí desse assunto, e fiquei surpresa com o conceito de transmídia, que nada mais é que usar mais de uma forma de comunicação. Ou seja, usar vários meios de comunicação para transmitir uma mensagem ao público. A verdade é que isso acontece o tempo todo, e é tão comum que nem passou pela minha cabeça que existisse um conceito por trás.
Então Mairon começou a falar um pouco mais sobre o jogo que a Dumativa desenvolveu:
Foi um jogo feito em parceria com um youtuber, Marcos Castro. A ideia veio desse video, no qual Marcos canta a aventura do herói no videogame:
Eles então decidiram desenvolver exatamente isso: um videogame no qual a trilha sonora narrasse o que está acontecendo no jogo.
A ideia é incrível, mas imagina só o trabalho que isso não deu.
Mas o trabalho deles foi recompensado com A Lenda do Herói sendo o jogo mais baixado no Steam local.
E devo dizer que quando o Mairon mostrou as concept arts do jogo me apaixonei ainda mais por games, e me lembrei exatamente o porque de eu estar cursando Design.
Ser capaz de dar vida pra cenários e personagens que moram na minha cabeça, e que eu vejo com perfeição, mas que eu quero que outros sejam capazes de ver.
Dar vida pra algo e ver isso numa tela de cinema ou em um videogame seria uma realização incrível pra mim.
Meus cadernos são cheios desses desenhos. Mas eu não reuni coragem para mostrá-los, e são poucos os que já viram, porque sou muito autoconsciente com relação os meus traços. Sei que se quero trabalhar com isso preciso vencer essa insegurança, e é algo pela qual estou trabalhando.
Aprendi alguns termos novos nessa aula, como
Crowdfunding
Transmídia
jogos “AAA”
E saí da sala nesse dia com um pouco mais de certeza que esse é o curso certo pra mim.











