Aula 5 - O roteiro cinematográfico
Aaron Sorkin e Charlie Kaufman são tidos como roteiristas que possuem uma marca. O primeiro promove uma imersão a partir da dinâmica dos seus diálogos (diálogo é sobre uma coisa, mas a cena é sobre outra - subtexto), já o segundo consegue dramatizar muito bem os seus temas emocionais através de recursos surrealistas.
Ainda que existam grandes roteiristas no cinema, o trabalho desses roteiristas está submisso à visão do diretor. O trabalho de Sorkin fica sujeito aos diretores David Fincher e Danny Boyle em “A Rede Social” (2010) e “Steve Jobs” (2015), respectivamente, sendo o primeiro mais realista e ágil (o drama ocorre muito mais na montagem, isto é, na sucessão dos acontecimentos) e o segundo mais teatral e dramático, mesmo sendo do mesmo autor. O mesmo ocorre com Kaufman: Michel Gondry em “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (2004) apresenta uma visão lúdica e afetiva, enquanto "Adaptação" (2002) é mais realista e menos estilizado. A temática de “Brilho Eterno” estaria na efemeridade/fragilidade das relações afetivas no mundo contemporâneo; como quando uma relação duradoura termina, o "choque" do término faz com que essa pessoa desapareça da sua vida - ela "deixa de existir"; - o roteiro não expõe essa ideia, e sim expressa uma história que representa essa ideia.
O roteirista propõe a unidade dramatúrgica (ou dramaturgia). O diretor propõe uma unidade estilística; o roteirista constrói uma obra que, para ser boa em si só, deve propor uma unidade dramatúrgica. Antes da produção do filme, a unidade dramatúrgica já está finalizada, enquanto todo o resto é projeção. O diretor pode acabar redefinindo a dramaturgia (pode dar seu próprio significado - até mesmo reverte-la) quando for filmar o roteiro, mas a dramaturgia inicial está ali.
Dramaturgia: Maneira como é contada a história. É falar sobre o tema do filme não diretamente, mas sim deixar esse tema implícito na ação e nos acontecimentos da história. A função do roteiro é dramatizar a ideia do roteirista (expressar, criando correlativos visuais para conflitos internos, e não apenas expor). A dramaturgia fraca não possui subtexto, é óbvia. Deve seguir um "princípio de efeitos" (a lógica pode ficar em segundo plano desde que o impacto seja grande para o espectador).
Mesmo os filmes mais experimentais ou “filmes de arte” seguem uma progressão que responde a certos elementos narrativos. "Um filme deve ter começo, meio e fim mas não necessariamente nessa ordem", já dizia Godard. A narrativa implícita existe mesmo se for apenas no nível intuitivo.
Entreter o público não significa divertir, e sim "imergir na cerimônia da estória para um fim intelectual e emocionalmente satisfatório" (Robert McKee);
Vários teóricos de roteiro dizem pra você seguir uma ordem no processo da escrita.
Premissa: Sinopse do roteiro em pouquíssimas linhas.
Argumento: Descrever o que ocorre no filme do início ao fim, mas sem desenvolver nenhuma cena. Descreve a história como se fosse um conto.
Escaleta: Traduz o argumento em cenas, mas não as desenvolve (não inclui diálogos, apenas ações pontuais).
A formação ocorre em duas partes:
Cabeçalho: É definido onde se passa a cena.
Descrição da cena: descrição colocamos as ações dos personagens, diálogos, as características do espaço e tudo o que for relevante para a cena. A descrição da cena é alinhada na esquerda e os diálogos sempre são centralizados. É interessante ser menos literário e mais direto. Às vezes o roteirista faz uma decupagem visual para deixar o roteiro mais "cinematográfico".











