onde: la belle époque
quando: sábado a noite
quem: manon & @vclentinho
O que Manon fazia ali? A bem da verdade, nem ela própria sabia responder. O bar tumultuado, ainda que fosse um destino comum e bastante popular entre seus amigos, de nada parecia condizer com sua personalidade mais introspectiva ou mesmo o seu estado de espírito. Mas lá estava ela de qualquer maneira, pois de acordo com sua psicóloga, precisava se colocar no mundo, se permitir ir mais além das paredes seguras de seu quarto.. ou algo assim. E, sinceramente? Naquele instante parecia ter sido um grandíssimo erro. O desconhecido a sua frente — Basile? Bastien?, ela nem mesmo havia entendido direito no meio ao barulho — era bonito, ela não negaria. Parecia até um pouco com seu primo Maxence, com olhos escuros profundos e ligeiramente velho demais para uma menina de sua idade, que mal havia terminado o ensino médio. Também não parecia notar o desconforto tão evidente no fraco sorriso educado que tentava oferecer ou no modo como ela se encolhia de leve, com os braços cruzados em frente ao peito, quando ele se aproximava, consequentemente a fazendo dar mais um para trás, tentando manter algum espaço pessoal. Eu sou cantor, sabia? Poderia te escrever uma música, o moreno sugeriu, recebendo um ❛ Oh não, você não precisa. ❜, acompanhado de uma risada sem graça, mais um impulso do que qualquer outra coisa. Talvez não tivesse reparado ou simplesmente não os tomasse como obstáculo suficiente para as suas insistentes cantadas, e por isso a loirinha se sentia mais nervosa. Você é uma dessas garotas que gosta de joguinhos né?, o moreno disse, e Manon praticamente sentiu as bochechas enrubescerem com força total, não só com as palavras, como também ao notá-lo olhando-a de cima a baixo, logo alcançando sua cintura. Oh mon Dieu, só faltava essa mesmo... ❛ O quê? Eu? Ah, não, não, não. Eu, eu nem como jogar isso. Defin- não, definitivamente, não. ❜ As suas próprias saíram rápidas, se atrapalhando no processo, querendo deixá-las bem claras, só que sem saber ao certo como o fazer. Ah, Bourgeois se sentia tão acuada. Era o tipo de situação que poderia resolver facilmente se conseguisse ser mais assertiva, mas o que poderia fazer se até mesmo ali, seu incômodo lhe parecia valer menos que o do outro? Sem saber o que fazer, correu o olhar pelo local, em busca de qualquer face conhecida que pudesse lhe ajudar a sair daquela situação.












