Anjo de bastidor
Quantas foram as vezes em que comecei a escrever, e os formatos de carta eu escrevi.
Boas vindas, despedidas. Finais. Começos. Recomeços.
Breves parágrafos com instantes que queria viver. Momentos que sonhei existirem... Oh, como é triste o coração que almeja. Alma que sofre e se rasteja!
Não entendo o motivo deste tanto sonhar. Posso esconder uma certa gratidão de as coisas ficarem somente nos projetos. Minha decisão de agitar a vida, calma demais, talvez seja passageira como um sopro. Ou, quem sabe eu, simplesmente, goste de calmaria e sossego.
Gosto de ver o riso e o choro, sem me entrometer nas peças particulares de cada um. Tenho medo, me tornar ventríloquo ou boneco, nesta peça diária que é a vida.
Nem no palco, nem na plateia. Bastidores!
Sim, os bastidores! Meu lugar!
Um papel importante. Sem que as pessoas da plateia lembrem que tudo que está lá... exposto, escrito, organizado e bonito, seja por conta de quem está atrás da cortina.
Quem sabe as pessoas que vivem escondidas, assim como eu, não sejam como um anjo. Sacrificam sua própria -vida- história, mas interferem, desenham, escrever e incrementar o show de quem sobe ao palco.
Pode parecer medíocre e se rebaixar, por não ser protagonista da sua própria vida, mas, não são os anjos os culpados das melhores historias de amor?
**Quem será o seu anjo?**













