Sentidos
Caminhando e vislumbrando o céu desta manhã, lembrei-me de uma frase de um dos meus filósofos preferidos: ‘A existência precede a essência’, Sartre. Ou seja, muitos acreditam fielmente que nascemos com um propósito de vida e que devemos descobri-lo ao longo da existência. Porém, segundo Sartre, primeiro existimos; somente depois, durante toda a trajetória da vida, construímos quem somos e aquilo que desejamos ser, e isso, de forma incontável....
Nosso propósito, portanto, não nasce pronto. Ele é moldado pelas experiências, pelas escolhas, pelo contexto social e pelos diversos fatores que vamos vivenciando, observando, consumindo e repudiando. E além disso, dependendo do nível de autocriticidade que o sujeito vai obtendo, o fator de ser moldado diante das massas... é ainda mais forte, mas isso é outro assunto...
Tudo aquilo que você faz contribui para a sua construção enquanto indivíduo, e essa liberdade possui um certo peso, justamente porque não viemos ao mundo com um manual pronto.
Segundo Sartre, somos condenados à liberdade: cada escolha carrega responsabilidade, e é através dela que moldamos nossa essência. Assim, viver é um constante processo de criação de si mesmo, em meio às incertezas, aos erros e às possibilidades que a existência oferece.
Assim, nessa bela manhã, com o Sol surgindo, ao espantar a frieza e a racionalidade dos meus pensamentos, chego à conclusão de que:
• Não há um destino previamente definido;
• Não existe uma “receita” universal para viver;
• Somos responsáveis por nossas escolhas e pela construção de quem nos tornamos....
Portanto, nascemos sem um propósito fixo. É ao longo da vida, por meio de nossas escolhas, experiências e ações que criamos sentido para a nossa própria existência. E o pior, se esse sentido que criamos ao longo da nossa jornada , não fizer mais sentido, iremos simplesmente criar outros sentidos... É, afinal, um sentido, atrás de outro sentido... Um ciclo de sentidos...afinal....
J.R










