Sonhei com você
Sim. Eu pensei que iria dizer que foi um pesadelo, mas não. Bom, se pensar somente no fato do sonho te envolver, sim é um pesadelo, mas o contexto do sonho não. E eu espero que eu esteja certa sobre o que ele quis simbolizar. A vida anda pra frente, logo, não quero nem preciso de nada do passado me prendendo.
Como foi o sonho? Bom...
Eu segui ela até o seu apto. Era como se eu quisesse acabar de uma vez por todas com toda aquela história que ainda, de certa forma, eu carregava uma mágoa aqui dentro. Eu entrei no elevador, ela não queria, mas eu entrei, e subi. Enquanto eu subia, eu pensava em múltiplas possibilidades: “será que ele é ele?”, “será que eles tão mesmo juntos de novo com tudo aquilo mesmo depois de tudo que ele fez com a gente?”, “vou conseguir entender porque ela o perdoou fácil assim?”. Eram expectativas, mas nenhuma foi certa. Abriu o elevador, e você estava lá. Sua “máscara” caiu. Estava de mãos atadas. Não, você não era “você”, entende? Era outra pessoa, diferente das fotos. Ela era - dessa vez - apenas amiga sua e eu percebi porque ela o “perdoou” só de ver a expressão de destruição na sua cara. Você estava péssimo por não ter nenhuma de nós babando seu ovo, precisava de uma pelo menos. Eu olhava você, de cima abaixo, tentando absorver tanta informação tão rápido, mas por outro lado me desceu um alívio. O alívio de que não existia mais dúvida. Dei tchau a uma das angústias, talvez a mais profunda delas. Eu fui até você. Por algum motivo minha prima estava no sonho,e eu a pedi para que ela tirasse foto para que eu mostrasse pra minha amiga depois quem era ele. Trocamos olhares e a única coisa que saiu da sua boca antes de um choro foi um “perdão”. Eu te abracei, e dali eu me livrei de mais uma angústia: a de finalmente ver que, mesmo com toda mentira de quem era, você era tocável. E numa atitude súbita, eu disse que te perdoava. Por tudo. Sai do seu abraço, te olhei, sorri, e lhe dei as costas. Lá se foi a outra angústia. A angústia de ter pensado que eu tinha esquecido e dado as costas pra tudo, mas foi só algo relacionado a você aparecer, para a dor voltar. Mas agora não. Ao sair de lá e te dar as costas eu sim podia dizer um adeus definitivo. Alívio instantâneo. Foi o que eu senti, pelo menos.
Um adeus de “te perdoei, mas não esqueci tudo que fez”. Um adeus de “pretento nunca mais te ver”. O adeus como se fosse o ponto final de toda essa história de tristeza, dor e mágoas na minha vida.
Pois então, vá. Vá e sejas feliz, mas dessa vez longe de mim e dos meus sentimentos.






