Não passei horas ou dias esperando para ser feliz. Eu sentei no banco da praça mais próxima, e esperei por um refúgio por anos. Não agradava, não vivia, procurava a felicidade pelos cantos empoeirados da casa, e achava apenas tarraxas de brincos enferrujados. Você não entende, eu procurei por muito tempo, tropecei muitas vezes, e escolhi você. Não me arrependo, mesmo acreditando em ter feito a escolha errada. Não me arrependo, mas não tenho certeza. Tenho medo. Eu amo, mas não acredito em mim. Se não acredito, quem vai acreditar? Você vai confiar em mim? Não devia. Esperei muito tempo para ser perfeita, e apesar de nunca ter sido, aos seus olhos eu sou, não entendo. Não acredito em mim. Eu mudei muito em pouco tempo, talvez para melhor, ou não, mas ainda não me amo como você. Ninguém nunca amou, por que você amaria? Trocamos mensagens sem textos, bilhetes sem palavras, beijos sem contato, palavras sem dizer. Nos encaixamos no além, talvez na minha utopia e na sua, mas nunca no mundo real. Talvez não tenhamos nascido para ser perfeitos, mas sim para encher as taças vazias com nosso próprio vinho. Diria que te amo se não soubesse ler seus olhos, até porque, não é uma frase que precise ser dita. Coisas reais não são representadas em poucas palavras, “eu te amo” é sinônimo de monotonia, como se eu amasse todos ao meu redor como amo você. Não te amo. Quero ser teus pés, tuas mãos, tua fragrância, tua alma, tuas cinzas. Quero ser teu ser até que não haja mais corpo.
Acolitar, quero ser teus olhos, teus lábios, tua eternidade.